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terça-feira, 26 de abril de 2016

"Homem não chora": Uma palavra sobre masculinidade e sofrimento


O senso comum nos diz que homem de verdade não chora. Isso pode ser entendido ao pé da letra, como dizer que homens fortes nunca derramam lágrimas, mas também que um homem de verdade não permite que seus sofrimentos o enfraqueçam.

A primeira possibilidade é equivocada. Chorar é uma forma de expressão natural, não pode ser ela mesma uma forma de fraqueza. Choramos quando perdemos alguém, assim como quando lemos uma história emocionante, mas essa mesma atitude pode ser tomada quando cortamos o dedo mindinho. 

A segunda possibilidade de interpretação de "homem não chora" é mais acertada. Quando o choro indica fraqueza, homens não choram. A questão é onde está o limite entre a fraqueza e a expressão legítima de sofrimento. Como um homem lida com o sofrimento?


1. Todo homem sofre, ainda que sem lágrimas

A verdade é que o sofrimento é parte da condição humana. Todo mundo nasceu para saber disso, ainda que tenha se esquecido. "Nós já nascemos chorando", dirá alguém. E não é à toa, pois nascer é nosso primeiro grande sofrimento físico. Nossa história pode ser contada como uma narrativa de nossos sofrimentos. Crianças devem passar por provações físicas e frustrações, adolescentes sofrem com rejeições, adultos sofrem com o peso das responsabilidades, etc. Esperar por uma vida sem sofrimentos nesse mundo é uma ilusão que é fonte de mais sofrimentos. Antes de mais nada, aceite a sua condição e aprenda a viver com ela.


2. O que é sofrer?

O que muitas pessoas não percebem é que sofrimento é um sentimento. Isso quer dizer que ele pode não condizer com a realidade daquilo que vivemos. Se sofremos com algo, isso não é necessariamente ruim, assim como podemos sofrer pouco por algo terrível. 

Isso pode ser um impedimento para resolução de problemas. Existe, então, uma necessidade de domar nossos sentimentos para reagir de forma proporcional às necessidades. Um homem que não faz isso está condenado a ser domado por suas dores, perdendo em vontade, força e até mesmo em sua independência.

Um homem que perde a mulher, por exemplo, pode sofrer de forma normal e compreensível. Mas se esse sofrimento persiste e se sustenta, há ali algo errado que impede a continuidade natural da vida dele. Ele deve domar esse sentimento para viver a própria vida sem deixar de amar e honrar sua mulher, absorvendo a perda em sua biografia.


3. Aprendendo a sofrer

Se uma criança cai e rala o joelho pela primeira vez, vai gritar, chorar e chamar a mãe. Um homem adulto fazendo a mesma coisa seria no mínimo ridículo. Por que as duas reações são tão diferentes? O que muda com o passar dos anos?

Quando a criança se machuca, não sabe calcular o tamanho de seu problema. Ela espera que o conforto de não sofrer permaneça constante e se sente frustrada quando essa expectativa é quebrada. Sua reação é encarar aquilo como um problema maior do que é e clamar pela a ajuda dos pais, dos quais ainda depende. 

Crescendo, lidamos com diversos sofrimentos e aprendemos o que esperar quando algo ruim ocorre. Isso nos faz reagir com mais calma e de maneira independente nessas situações. 

Apesar de esse ser um processo natural, isso pode ser boicotado pela ação dos pais e pela intenção do indivíduo. Um garoto mimado e super-protegido não conhece o sofrimento o suficiente para, na idade adulta, saber o que esperar e como lidar com ele. Isso explica reações infantis diante de sofrimentos bobos e o pavor de algumas pessoas em sofrer, evitando qualquer desconforto. 

O grande problema disso é que, após a infância, precisamos lidar com sofrimentos mais complexos e difíceis. É nessa época que requisitamos atenção e amor de outras pessoas, tentamos nos enquadrar em grupos, assumimos grandes responsabilidades, criamos vínculos e outras mudanças que trazem consigo a possibilidade de grandes sofrimentos desse tipo. Aí a exigência de adaptação é enorme e nos leva a uma situação próxima a das quedas na infância.

Isso significa que devemos continuar aprendendo com sofrimentos avassaladores, o que pede de nós uma forte intenção de enfrentar os problemas ao invés de buscar conforto, fugindo deles.

Se acumulamos experiências desse tipo, vencendo-as, grandes sofrimentos se tornam para nós como um joelho ralado. Dói, mas não importa tanto. A boa notícia é que isso ainda funciona muito bem se as experiências de sofrimento são imaginativas, como se compadecer do sofrimento de alguém ou ler uma história dramática.

Ao final, tudo compensa, pois você ganhará resiliência. Todo homem precisa de uma grande resiliência para resolver problemas, ajudar pessoas e exercer seus papéis.



Aqui podemos responder nossa pergunta: A diferença entre a fraqueza e um choro legítimo é que somos fracos quando o sofrimento nos faz desmoronar e perder a cabeça. O choro legítimo é só uma expressão simples de alguma emoção inevitável, que acontece apesar das nossas forças.


4. Lidando com os sofrimentos como um homem

Ao enfrentar um sofrimento, você pode precisar saber que:

  • Num primeiro momento, o problema assusta, pois não conhecemos suas proporções. Muito das reações exageradas diante de algo ruim vêm desse susto inicial. 
  • Precisamos encarar a situação de forma consciente, sem a intenção de evitar sofrer, mas compreendendo as medidas dos problemas e dando nomes às nossas dores. 
  • Não podemos nos deixar levar pela melancolia, raiva ou tristeza. Essas são visões deturpadas da realidade frutos dos sentimentos negativos que super-valorizamos.
  • É necessário atenção para não se perder a noção do sentido da vida. Nossos motivos para viver, nossas ambições e objetivos estão acima das nossas dores. Saber disso é a maior força contra o sofrimento.


5. "Um mundo sem sofrimentos"

Não é novidade para nós que nossa sociedade é um ambiente de homens fracos e emasculados. Um dos sintomas disso é a falta de capacidade para lidar com a dor. Não há mais a preocupação de enfrentar os problemas, aprender a sofrer e superar as dores. Há, antes, a reivindicação de que não hajam mais sofrimentos.

É com esse espírito que surgiram aberrações como a valorização da vitimização, a punição excessiva por ofensas, a preocupação desproporcional com o bullying, etc. 

Um homem de verdade não compartilha disso pois conhece o sofrimento de perto, como condição humana incontornável. Ele sabe que, antes de pedir ajuda aos pais (ou qualquer outra autoridade) ou cair nas garras do choro fraco, deve estar acordado para o sentido da vida e consciente de sua situação; e assim é forte. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Preocupe-se com a sua masculinidade

Talvez por algum tipo de orgulho, existe uma tendência entre os homens de pensar que a virilidade acontece quando se afirma que já a tem. Comente com algum homem sobre a crise da masculinidade e ele começará a falar como se estivesse livre disso, como se o resquício de masculinidade que ainda resta no mundo estivesse nele, enfatizando que foi educado na vara de marmelo, que gosta de jogar futebol ou que não é homossexual de modo algum.

Essa reação comum demonstra duas coisas:

  1. Muitos homens andam achando que crescimento em masculinidade ocorre por declaração. Que é algo externo que deve ser demonstrado à terceiros.
  2. Precisamos compreender melhor a crise da masculinidade e que já estamos sendo afetados por ela.

Em algumas postagens iniciais eu tentei definir um parâmetro de masculinidade que estava se perdendo e que iria ser o objeto da busca do Oficina do Homem. Alguns pontos da conhecida "crise da masculinidade" já estavam descritos ali. Mas precisamos falar um pouco mais sobre a importância de identificar e reagir às consequências disso. 

Acontece que quando nós acreditamos que não estamos sendo afetados só por que nos afirmamos muito machos, estamos sendo puramente ingênuos. A destruição de valores masculinos das últimas décadas, no Brasil, deixou poucos tijolos no lugar. A falta de referências viris, o desprezo pelo homem, a quebra das diferenças de gênero e as distorções sobre hombridade deixaram marcas tão profundas que já nem podemos perceber sem um nível maior de atenção e consciência.

Nós estamos vivendo num lixão imaginando que o problema seja a falta de banho de algumas pessoas. 

Se você tomou consciência de que já está sendo atingido, é hora de saber de onde vem os tiros. Só aí você poderá ter qualquer reação efetiva para o próprio crescimento.

1. O desprezo pelo homem

Sem vitimismo. Reconheçamos apenas que após décadas de discursos feministas que classificam homens como opressores, estupradores em potencial e agressores, a dignidade da natureza masculina sofreu. A impressão geral, hoje, é que as características masculinas são negativas, perigosas e até mesmo maldosas. 

Um exemplo de como esse pensamento afeta a vida dos homens são as leis que facilmente afastam homens de suas famílias, como se a presença de um pai numa família fosse uma espécie de risco.

De maneira geral, percebe-se também uma feminilização da sociedade. Isso não significa "imposição feminina", "empoderamento", nem mesmo "valorização feminina". É mais uma força negativa. Condenamos os objetos de interesse e práticas puramente masculinos, forçando homens a viverem como mulheres.

Caçar? Proibido. Comer bem? Faz mal. Cortejar uma pretendente? Assédio. Atirar? Crime. Fumar? Nem cigarrinho de palha. Buscar independência e autonomia? Depende do que o governo acha disso. Vestir-se como um homem? Careta. Exercitar-se? Apenas por estética, se não, violento. Administrar uma família? Machismo.


2. "Gêneros são construções sociais"

Parece algum tipo de brincadeira ou algo absurdo demais para ser uma brincadeira, mas a idéia de que homens e mulheres só são homens ou mulheres na sua parte biológica sexual vem ganhando muito volume nas últimas décadas. Mais e mais gente acredita que a diferença entre os sexos simplesmente não existe, a não ser como uma disposição sexual.

Países inteiros vêm adotando políticas baseadas nessa nova forma de pensar, inclusive o Brasil. Nada resta ao cidadão comum senão perguntar-se se há algo de errado no mundo ou nele mesmo.

A verdade é que isso nunca teve fundamento científico e pode ser desmentido por qualquer percepção realista. Você pode conhecer um pouco mais sobre essa discussão pelo documentário norueguês O paradoxo da igualdade, no qual o comediante com formação em ciências sociais, Harald Eia, investiga o porquê de seus conterrâneos continuarem escolhendo profissões de maneira tradicional apesar de tantas ações governamentais que deram à Noruega o título de país com maior igualdade de gênero.

Mesmo errada, essa concepção traz estragos terríveis:


3. A falta de compreensão da masculinidade

Esse problema é especial no caso brasileiro. Nós apagamos nossas referências e nossos valores de forma tão profunda, que não sabemos sequer para que lado fica essa tal "virilidade". Ser mais masculino, no senso comum brasileiro, tem mais a ver com o verdadeiro oposto da masculinidade.

Poucas pessoas sabem admitir facilmente a idéia de um "homem mais masculino" como alguém compromissado, responsável, disposto ao sacrifício e a defesa. 

Poderíamos classificar algumas das visões do que é masculinidade para os brasileiros em geral:
  • O Crianção. Ser mais homem é gostar de coisas que garotos de 12 anos gostariam. "Homem gosta de video game", "Quadrinho é coisa de homem", "Homem passa o dia jogando e comendo sanduíche" etc.
  • O Gordo. Fazer coisas de homem, para alguns, não é algo muito próximo do que é mostrado no filme Gran Torino, de Clint Eastwood. Seria, na verdade, algo mais próximo do Homer Simpson. "Homem bebe cerveja e assiste futebol". 
  • O Cretino. O espantalho feminista é assumido por alguns homens. São eles que criam discursos vitimistas, odeiam mulheres e imaginam que são mais másculos quanto mais maliciosos, mentirosos, vingativos e agressivos são. "Homem de verdade pega mulher e bate punheta", "Vou te levar para um puteiro para você ser mais homem", "Mulher nenhuma presta".
  • O Efeminado Ideal. Parece até inverossímil, mas muitos dos ícones de masculinidade são reconhecidos assim por que agradam as mulheres, mesmo que sejam efeminados em muitos sentidos. Cabelos e pele bem cuidados, corpo depilado, traços infantis e movimentos delicados. Esses são os mesmos que "servem" às mulheres, não por que são cavalheiros, mas como uma espécie de "amiga útil". Eles pintam as unhas da namorada, fazem brincadeiras fofinhas, etc. "Homem de verdade ajuda a escolher a roupa da namorada".
  • O Musculoso. Com a moda da academia, surgiu a noção de que músculos e virilidade são equivalentes, ainda que isso seja conquistado com hormônios femininos. "Homem de verdade não é frango".
  • O Barbudinho. Na onda dos lumbersexuais, são homens que se vestem como um protótipo de lenhador que não deu certo. A barba voltou a ser um sinal de masculinidade. Basta que você seja barbudo, beba umas brejas e use couro, você pode até beijar outros homens de forma máscula. "Homem de verdade não faz a barba".

Todas essas visões de masculinidade tem algo em comum: elas guardam algo de verdadeiro sobre a masculinidade, mas deturpam isso até o seu oposto. Por exemplo: o macho "musculoso" parte do princípio verdadeiro de que homens tem que cuidar de seu corpo e de suas capacidades, mas esvazia essa atitude, chegando à idéia de aumentar os músculos por futilidades, como para agradar outros homens.

É até previsível que tomemos as coisas assim. Quando se perde o sentido verdadeiro de algo, os detalhes são enfatizados e preenchidos de novos sentidos diferentes.


4. Falta testosterona

É normal que o nível de testosterona caia com a idade de um homem. Mas estudos mostram que o nível de testosterona  em homens vêm reduzindo de maneira generalizada há décadas, chegando hoje a números preocupantes. 

Entre as muitas causas, considera-se o uso de aparelhos celulares (cuidado com eles) e a alimentação. Numa época em que comer carne é quase um crime, não poderia ser muito diferente.

Além disso, a testosterona é muitas vezes relacionada ao comportamento antissocial e ao machismo, o que vêm prejudicando a conscientização dos homens sobre essa queda. 

Ignora-se que o hormônio é essencial para uma boa qualidade de vida e saúde masculina. Considere, por exemplo, que a dificuldade de criar músculos e pelos, depressão, falta de concentração e impotência sexual estão entre algumas consequências da deficiência de testosterona.


5. Consequências

As consequências disso tudo, de maneira geral, é uma geração de homens perdidos em relação a si mesmos, seus papéis e até seus próprios corpos. Não é à toa que o número de suicídios entre homens se tornou uma epidemia mundial. No Brasil, um dos países de maior taxa de suicídios do mundo, o número de casos entre homens superam os entre mulheres. 


6. Conclusão 


São muitos pontos que convergem contra a masculinidade, o que nos trouxe a uma situação insuportável. Preocupar-se com isso e fazer algo para mudar é um benefício para si mesmo e para a sociedade.

Para começar, aceite que essa é a nossa situação. Reconheça os pontos onde está prejudicado. Isso não diminui sua honra ou dignidade, pelo contrário. Só assim você poderá adquirir os meios para se tornar um homem como já quase não se pode ser: um homem de verdade. Este, por acaso, é o propósito desse blog. Conte conosco!




quarta-feira, 23 de março de 2016

Como achar a princesa da torre


Falamos muito sobre famílias, mas começar uma não parece tão fácil. Isso presume que o homem tenha uma parceira que seja boa, que ele ame e - impossível! - ela precisa amá-lo também. 

Todo homem pode chegar a temer que nunca vá encontrar alguém assim. Isso é tão marcante para uma vida que muitas histórias buscaram representar esse problema de forma idealizada e romântica, afim de nos ensinar através dos símbolos. A história de Rapunzel é uma delas.

Veja:
Rapunzel mora em uma torre, é solitária e vive esperando que seu amor chegue para resgatá-la. 

Para uma moça, tradicionalmente, o amor vem com a espera. A torre representa sua situação: Ela está presa. Não há portas, só uma janela que lhe traz esperança. 

O cavaleiro, seu grande amor, precisa subir em uma torre alta, sofrer nas mãos de uma bruxa e quase morre para conseguir ficar com a princesa.

O homem virtuoso age para conseguir seu amor. É ele quem enfrenta as dificuldades e toma para si os esforços necessários para resgatar a princesa.


A dinâmica da conquista de um grande amor é exatamente essa: Dela se exige a virtude da paciência. Dele, a coragem

Quer um exemplo de como o conto se relaciona com a realidade? Normalmente, quem tem papel ativo para início de uma relação amorosa, senão o homem? De que parte se cobra presentes, sacrifícios e até mesmo as contas dos restaurantes? É o garoto ou a garota que normalmente dá seu jeito de andar, pedalar ou pegar um ônibus para a casa do seu amor?

É evidente que é do homem que se espera que venham atitudes de conquista e sacrifício. Podem tentar mudar isso, mas não para um homem de verdade.

Para o homem, começar uma família significa procurar e agir. Isso significa que, para casar-se com a princesa da torre, é você quem precisa encontrá-la! Com essa postagem espero te ajudar nessa busca.


1. Qualidades e compatibilidade


Não há problemas em estabelecer qualidades e características mínimas desejadas para a pessoa que você quer ter como parceira. Mas esteja atento aos próprios critérios. Por exemplo: você pode procurar uma moça que seja compreensível, mas isso é mau se você quer, com isso, uma carta branca para não se preocupar em acertar nunca. Não há nada de errado em escolher uma garota pela sua beleza, mas é errado escolhê-la para mostrar aos outros que consegue namorar uma gata.

Selecionar essas características é bom para que, na busca por uma boa pessoa para se ter ao lado, você consiga focar e avaliar. Mas não seja exigente demais. Não seja romântico ao ponto de esperar encontrar a moça perfeita, imaculada, sem defeito algum; e não se engane idealizando mulheres e ignorando defeitos sérios.

Assim como um mínimo de qualidades desejadas, estabeleça defeitos indesejáveis. Certamente você não quer, por exemplo, mulheres que você sabe que costumam meter galhos em outros homens. Sinta-se no direito de não aceitar mulheres assim. Mas novamente, não seja mesquinho. Coloque critérios verdadeiros. Não dispense uma boa mulher por causa de um defeito que você não suporta por preguiça, frescura ou covardia.

Fora as qualidades, não deixe de notar aquilo que é compatível entre você e a moça. Isso importa de verdade. Mas aqui também pode haver mesquinharia. Não exija compatibilidade em tudo e principalmente naquilo que não precisa ser compartilhado. Não exija que ela goste de rugby, por exemplo, se você busca uma moça delicada. Por que essa compatibilidade importaria realmente?

Se fosse necessário hierarquizar isso tudo, aconselharia que você busque primeiro a compatibilidade - principalmente de valores - e em segundo lugar as qualidades mínimas.



2. As princesas não estão nos pântanos

Procure alguém para você nos ambientes que correspondem às qualidades que você procura. É claro que um lugar vulgar, como uma festa, pode ser frequentado por garotas boas de verdade, mas é melhor procurar em um lugar onde elas estão via de regra. 

Isso nos leva a concluir o óbvio: não procure seu amor em um lugar que vai contra o que você espera de uma garota. 

Também não há problema em buscar uma boa mulher nos lugares menos óbvios, mas se você quer fechar o funil, vá aonde elas certamente estão. 




3. Conheça a família

Se você pode conhecer a família dela, faça isso. Entre seus pais e irmãos e na relação dela com os familiares, você pode conhecer mais daquilo que ela levará ao altar.

Isso não quer dizer que, por exemplo, se o pai dela for um canalha, ela será igualmente canalha. É necessário avaliar como ela encara a própria família e o que ela toma disso para a própria vida. Apesar disso, é possível garantir que uma família boa e estruturada é um ponto positivo. Não é a determinação da escolha, mas é um ponto positivo.


4. Beleza? Tem certeza?

Ela é a garota mais bonita da escola? Ela é feia? De onde você tirou a imagem para julgá-la?

As mulheres, mais que os homens, fazem verdadeiras transformações para parecerem mais bonitas. Isso é bom para uma situação de conquista, onde as qualidades devem estar evidentes, mas você quer alguém que fique com você para sempre.

Acostume-se a dar o segundo passo: conheça a moça atrás da maquiagem. Isso vale para a beleza, mas não só para isso. 

O contrário também vale. Pessoas realmente bonitas podem estar feias e desfavorecidas no momento que você as conhece. Nesse caso, conheça a garota fora do trabalho ou vestindo outra coisa além daquele uniforme.

No fim das contas, você estará prestando atenção naquilo que vai permanecer no "para sempre". É isso que importa.


5. Valores

Nunca escolha aquela garota bonita e legal que não compartilha dos teus valores. Sem uma sintonia de valores, vocês não só vão entrar em conflitos constantes, mas provavelmente nunca vão entrar em sintonia em mais nada que realmente importa.

Sua parceira deve criar um projeto de vida que te inclua e vice-versa. Se não há isso, não há casamento. Então em que você estaria investindo?


6. Sobre ela te amar

Uma das coisas que podem matar as chances de alguém te amar é se vitimizar e se prender a um complexo de inferioridade. Sempre escutamos cretinos dizendo que "mulheres não gostam de tipos como você", "para conquistar uma mulher você vai precisar de mais 20cm de braço" ou "nenhuma mulher é tão certinha como você quer". Essa é a versão masculina do clássico "nenhum homem presta", que sempre ouvimos de mulheres que escolhem péssimos homens para se relacionar. 

Procurando uma moça certa para você, esqueça tudo isso. Mulheres não "gostam disso" ou "preferem aquilo", por que existem muitas mulheres diferentes com objetivos diferentes e referências de muitos tipos. É claro que existe alguém para você. 

É normal que elas aceitem conhecer um homem melhor, e é muito possível que elas se apaixonem pelo seu tipo. A única condição é que você não seja uma farsa. Ser um "tipo interessante para as mulheres" geralmente é tomado como ser um tipo genérico para mulheres genéricas. Ninguém pode ser interessante assim! Ser interessante presume ser alguma coisa de verdade. É o seu objetivo mostrar o que você é.

Mas se ainda há algo que você deve buscar ser para as mulheres (não parecer), é um homem. Mesmo atualmente, quando o que importa é a dissolução dos gêneros, agir como um bom homem favorece sua "atratividade". Mulheres heterossexuais não buscam mulheres ou meninos no corpo de homens barbados. Se alguma delas faz isso (existem muitas mulheres diferentes...), meu conselho é que você não vá atrás dela. É normal que avançando na masculinidade você se torne mais atraente, por que estará sendo aquilo que uma mulher busca basicamente em um homem. É parecido com nossa atração por características femininas em uma mulher, e o fator repelente de características masculinas nelas.

Se você age com sinceridade e se abre para uma boa mulher, só duas coisas podem acontecer: ela vai amar você, e isso não é um acontecimento raro, ou ela não vai amar. No último caso, siga adiante. 


7. Namore


Busque namorar quem você quer junto de você. Dedique um tempo da sua vida nesse relacionamento. Isso é muito importante por alguns motivos:


  • Você não pode conhecer alguém sem entrar numa relação com essa pessoa. E você não pode casar com alguém que não conhece minimamente bem.
  • O namoro modifica as duas partes, alinhando os projetos de vida e culminando no casamento. Se isso não ocorrer, algo está errado. 
  • Namorando, ficam evidentes os defeitos e as qualidades dela. 
  • Namorando, ela pode gostar ou não de você e deixar isso claro.
  • No namoro você busca compromisso com a outra parte, mas não está compromissado o suficiente para que nada possa dar errado. 

Quando você casar, deve conhecer bem a sua parceira para lidar com seus defeitos (que vão sempre existir), mas o processo de conhecimento e modificação continua. Se você pular a fase do namoro, o compromisso pesará sobre esse processo, o que dificulta muito as coisas.


8. Enfim

Deixei por último o mais importante. Aqui está o que não deve ser observado primeiramente, mas que no frigir dos ovos será o essencial:

Você está disposto a amá-la pelo resto de sua vida?

Família não é um projeto pessoal, mas de um casal que se ama. Se uma parte do casal ama a outra, está disposto a sacrificar-se e se modificar pela felicidade do outro. Se as duas partes se amam, constroem um projeto em comum. Como pode haver uma família saudável sem isso? Que homem não se sacrifica pela sua mulher e filhos? Que esposa não dá tudo que tem para a felicidade da casa? 

Como você pode cumprir apenas uma parte desse "acordo", procure uma mulher a quem você ame e conquiste-a sempre. Todo o resto do que foi dito importa, é verdade. Mas nada é mais importante que isso.

Escolha pelos critérios certos, invista de maneira saudável e, por fim, ame. Não há pieguismos aqui, só aquela prática normal de entregar-se ao outro pelo casamento e formar uma família comum. Isso não te parece improvável, parece?

sábado, 19 de março de 2016

Por que todo homem deve lutar pela liberdade de seu país?


Às vezes a situação política de um país está claramente desfavorável à liberdade dos seus cidadãos. Quando isso acontece, negar o problema ou deformá-lo é agir com cumplicidade. Mas não fazer nada pode ser ainda pior, pois é omissão. 

Nosso país está nessa situação.

A história está cheia de momentos assim. Muitas pessoas perceberam que há uma relação direta entre a ação defensiva de homens bons e as tentativas malignas de tiranos e bandidos:

"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que os bons homens não façam nada." - Edmund Burke

"A audácia do maus, se alimenta da covardia e da omissão do bons" - Papa Leão XIII

"Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos." - Martin Luther King

Mas se você ainda precisa de motivos para lutar a favor da liberdade brasileira, aqui estão alguns.


  • Você faz parte disso. Estamos tão acostumados a imaginar que as coisas acontecem por cima de nós, que achamos que não temos participação nos acontecimentos de nosso país, por que não somos políticos. A verdade é que qualquer situação de paz e liberdade sempre é garantida pela participação e influência da nação, algo do qual você faz parte. 
  • É da sua conta. Os acontecimentos de seu país pesam sobre você, mesmo que de maneira indireta. Se você não sente isso, não vai querer esperar até que a situação se torne insuportável. Sob um regime de maior opressão, a dor é sempre pior, e não estou falando somente da parte financeira. 
  • Faz parte de seus deveres. Todo homem deve se sentir responsável pela segurança daqueles que lhes são próximos, todo homem deve ser solidário com a pobreza e todo homem deve ser um bom administrador de sua família e, como consequência, representá-la em meio aos problemas que lhes cercam.  
  • Não há sociedade com "o problema não é meu". Se uma crise como esta não te afeta diretamente, o que te faz se sentir livre do problema, a caridade prestada aos seus cidadãos é o que garante seus benefícios em participar daquela sociedade. Então o problema é seu.
  • Alguém precisa se sacrificar, e precisa ser um homem de verdade. Ou você espera que mães, mulheres e crianças façam isso por você? Ou você não quer ser um homem de verdade?
  • Situações assim chamam os poucos homens corajosos. Você se inclui nesse grupo?

Podemos terminar com um trecho do nosso hino, fonte de inspiração para todo homem brasileiro:

Brava gente brasileira! 
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Os três deveres de todo homem 4: A Provisão



Estamos acostumados com algumas facilidades que nos fazem esquecer por que as coisas são como são. Uma dessas facilidades é ter muitas coisas disponíveis a qualquer momento. É daí que vêm algumas piadas para crianças mimadas, como "você acha que o leite vem do supermercado?". O fato de muitos bens estarem acessíveis nos fazem, às vezes, achar que as coisas são assim naturalmente.

Não são. Se há carne na geladeira do açougue, é por que ela já passou por um processo complexo que envolve muita gente diferente. Isso, obviamente, nem sempre foi assim, e em alguns lugares continua não sendo. Em outras épocas e em outros lugares do planeta, pessoas precisam ir atrás do próprio alimento e fabricar aquilo que precisam para sobreviver.

Esse não costuma ser um trabalho simples. Imagine ter de sair de casa quando se é vizinho de animais perigosos e se mora num lugar de clima hostil. Não é raro que a fonte de alimentos e materiais estejam em lugares extremamente perigosos. Não é raro também que conseguir isso seja uma atividade perigosa e trabalhosa.

Quando desenvolvemos a agricultura e a criação de animais, melhoramos nossa situação, mas não sanamos todos esses problemas. Um agricultor ou criador ainda precisa lidar com animais, pestes e ladrões; e trabalhar duro.

Todas essas dificuldades sempre nos empurraram para a uma configuração natural de deveres: o trabalho de provisão é um dever masculino.


1. Caçar e colher

A caça, agricultura e coleta são as práticas mais antigas de provisão de alimentos. É interessante perceber que a caça, apesar de todas as inovações na aquisição de alimentos, continua servindo a essa função.

O motivo para isso vai além da sua necessidade para proteção de espécies e defesa, que contribuem para que continue sendo praticada. Uma caçada ensina - e qualquer caçador pode confirmar isso - o verdadeiro sentido da provisão, como o homem colocando em prática sua disposição para predador e estabelecendo uma relação com a natureza na qual ele vive.

Isso quer dizer que se nós perdemos o fio da realidade da provisão, enterrando-o sob várias camadas de diferentes processos, com a caçada e a colheita voltamos ao seu estado puro e essencial.


2. Trabalho

Isso quer dizer que o trabalho como temos atualmente é algo ruim? Devemos voltar todos para a caça e agricultura?

Não. Não há mal em trabalhar de forma "indireta" e conseguir dinheiro servindo a uma empresa ou organização. Mesmo que isso ofusque o primeiro sentido de provisão, não quer dizer que não haja provisão verdadeira dentro disso tudo. Só não podemos perder esse sentido tão facilmente.

Trabalhos e serviços para organizações e terceiros são, então, uma forma legítima e máscula de provisão. Através disso estamos servindo à sociedade, provendo também aos nossos iguais. Isso deve ser sempre uma boa motivação para que estejamos ativos, além da necessidade de sobreviver, é claro.



3. Papel de provedor na família
Dentro de uma família, o dever da provisão é compartilhado com a esposa, visando a sobrevivência do casal e dos filhos. É importante reafirmar o óbvio: mesmo que crianças façam pequenos trabalhos, elas não possuem obrigação nem estrutura para garantir o próprio sustento. Ninguém mais é responsável por essa garantia além dos pais.

A dinâmica familiar para conseguir alimentos sempre incluiu o casal no dever da provisão, mas dividiu homem e mulher para diferentes papéis.

Ao homem sempre coube conseguir os bens. Roupas ou couro; geladeiras ou lenha; carne de caça ou de açougue; peixe fresco ou da feira; móveis feitos ou comprados; qualquer bem que uma casa precise deveria ser conquistado pelo trabalho do homem.

A mulher, parceira, sempre cuidou da administração dos bens da casa. Cozinhando, lavando, limpando, distribuindo, preparando ou armazenando, a mulher participa na provisão dos bens.

O homem precisa sair da casa e trabalhar para adquirir bens. A mulher, na casa, cuida para que esses bens sirvam da melhor forma para a família inteira. É claro que a mulher pode, e às vezes precisa, trabalhar, mas isso não modifica, necessariamente, a divisão de papéis e obrigações aqui descrita.

Essa dinâmica sofreu mudanças profundas recentemente, mas os últimos 50 anos não podem sobrepor a forma como as coisas sempre foram feitas em uma família. Se hoje as coisas estão diferentes, ainda não é errado afirmar que essa é a dinâmica familiar para provisão que nos levou aonde estamos.


4. A acomodação 

Negligenciar a obrigação à provisão é mal visto pela sociedade, e há um motivo para isso.

Quando um homem nega a provisão para si, obriga que outros o sustentem, o que muitas vezes acontece por intermediação estatal. Se um homem tem uma fonte justa de sustento sem trabalho, está usufruindo de bens que a sociedade lhe oferece sem contribuir em nada para ela. Quem despreza o dever da provisão se acomoda nos benefícios de outros. 

Nem é necessário comentar os casos de descumprimento desse dever dentro de uma família, não é?

É claro que existem casos nos quais um homem é impedido de trabalhar. Isso não é o mesmo acomodamento, e é sempre viril ajudar pessoas assim. 


5. Conclusão

Prover para si mesmo e para a própria família faz parte de ser um homem. Ao contrário do que alguns dizem, esse não é um fardo ou desgraça, mas é simplesmente garantir a nossa sobrevivência nesse mundo. Voltar às raízes da provisão nos ensina como isso é necessário e como é insustentável que nos acomodemos na ilusão de que sem serviço poderemos sobreviver de forma justa.



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Fotos do Brasil antigo que servem de inspiração para os homens brasileiros

Nesse blog estamos sempre falando de aprender com nossos avós. Essa postagem foi feita para que nos deixemos inspirar pelos antigos brasileiros, os homens que formaram nosso país. Tomemos suas atitudes e virtudes como modelos!

Olhe essa seleção de fotos com atenção aos seus detalhes.

Amolador
Marc Ferrez, 1899. Rio de Janeiro.

Volta de uma caçada
Curitiba, 1927. (Arquivo Pessoal de Silvia Elena Merlin Plotz‎)

Autorretrato de Vincenzo Pastore
1910. São Paulo.

Homem atirando com arco e flecha
Carlos Dhein, 1890. Rio Grande do Sul

Garrafeiros
Marc Ferrez, 1895. Rio de Janeiro.

Gaúcho 
1890, Rio Grande do Sul.

Homem lendo jornal na porta de estabelecimento comercial 
1910,  São Paulo.

Homens Conversando
Vincenzo Pastore, 1910. São Paulo.

Rali de São Paulo a Montevidéu, na passagem por Itajaí
1940. Itajaí, SC.

Locomotiva
Marc Ferrez, 1880. Estrada de ferro Rio-Minas.

Carroça de cervejaria atolada na lama
Vincenzo Pastore, 1910. São Paulo.

Homens carregando uma tora de imbuia
1941. Três Barras, Santa Catarina.


Pérolas, não? Uma boa amostra da nossa tradição masculina brasileira. Vamos dar continuidade a isso!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Os três deveres de todo homem 2: Paternidade

A primeira coisa que você deve saber sobre o dever da paternidade é que ele não é cumprido somente quando se tem filhos. Existem pais de muitos filhos que não cumprem esse dever e homens sem filhos que o cumprem. Quando nos referimos à paternidade, falamos de uma parte da condição masculina que envolve a capacidade para o papel de tutor, educador, guia e líder.


Todo homem tem a necessidade de liderar, guiar e tutorar; como um pai para um filho. Isso significa que um padre, que não pode formar uma família, ainda pode exercer a paternidade quando é um bom pároco. Significa também que o envolvimento de homens com a liderança - seja em empresas, comunidades ou instituições - está intimamente ligado a esse dever masculino.

Disso não se implica que todos os homens devem ser líderes comunitários, presidentes de empresas ou presidentes da república. Pelo contrário: Todo homem é chamado a guiar, liderar e tutorar - como um pai - mesmo um pequeno grupo, como uma família, sem que se perca em nobreza e responsabilidade.


1. Paternidade na família

A paternidade na família é grave por que essa é a comunidade por excelência. Todas as outras organizações e instituições humanas são formas de gerir as relações entre famílias e garantir a liberdade delas. Isso faz esse tipo de agrupamento o mais importante de todos. 

Qualquer família só pode ser reduzida aos indivíduos que a compõe. Estes têm entre si uma relação de hierarquia: Os pais regem a si e aos filhos, enquanto os filhos se submetem aos pais. Ao contrário do que parece pelo espantalho que fazem disto, a divisão de papéis na família não coloca a mulher em um plano inferior ao homem, mas sim num plano de parceria. Ao homem cabe assumir riscos, decidir e mobilizar; a mulher é sua auxiliar, colaboradora e beneficiária; uma sócia discreta atuando para o sucesso da família. Ela precisa estar submissa a ele e não criar conflito com suas decisões se quer ver qualquer sucesso. Digamos, para esclarecer melhor, que numa família o homem toma as decisões que envolvem a todos, mas não pode fazer isso sem a participação de sua esposa. Já a esposa, auxilia seu marido em suas decisões e não pode agir como "não colaboradora", o que significa cumprir as decisões feitas pelo homem com a sua participação. Isso nem se parece com uma relação de "senhor e escrava".

Pais também não são senhores de seus filhos. Ao contrário, seu dever é cuidar deles para que possam crescer como boas pessoas. Para isso os homens devem lhes prover bens materiais (dever que vamos falar na próxima postagem da série) e os educar da melhor forma.

Essa educação é essencial para a paternidade. Pais esperam que a escola eduque seus filhos. Na verdade a escola só existe para formar crianças em conteúdos básicos. Educação, que é o desenvolvimento de um ser humano, é papel exclusivo dos pais e das mães. Para os pais, pesam mais a atuação na imposição de limites, correção e transmissão da verdadeira masculinidade aos filhos homens. Repare: se seu filho precisa ouvir um "seja homem", deve ser de você, homem.

Mas entre pais e filhos também deve haver colaboração. Pais devem administrar a família visando também o crescimento saudável de seus filhos, enquanto os últimos devem aceitar as decisões de  seus pais, compreendendo que, antes de sua maioridade, são os seus responsáveis por decidir pelo seu bem.


2. Paternidade e autoridade

Ser pai de família é uma forma especial de paternidade, mas esse dever também se relaciona à administração e liderança de comunidades e instituições. O motivo da preferência de homens para serem os que se envolvem em questões políticas e administrativas está muito próximo ao motivo pelo qual homens são sempre os pais de uma família.

Estar em um cargo de liderança é se colocar em exposição para mobilizar pessoas a algum tipo de sucesso comunitário. Um líder deve ter voz firme (assim como um pai) e sabedoria para que isso ocorra. É necessário também que quem assuma essa responsabilidade esteja pronto para colocar sua vida em risco pelo bem do grupo. Os líderes entram na linha de frente, e isso é que faz com que mereçam respeito e obediência.

Esse papel pode ser deturpado, é óbvio, como  constantemente acontece. Homens de verdade que assumam um determinado poder para se sacrificar pelo bem de grupos e instituições sempre são necessários. Hoje, em meio a uma crise da masculinidade, sentimos que essa necessidade se faz ainda maior.

Assumir essa responsabilidade, entretanto, exige algo mais que ser um homem. É uma questão de vocação. Se política ou liderança de grupos não é para você, assuma sua família e trabalhe para ela.


3. Paternidade e indivíduo

O dever da paternidade também envolve uma atitude masculina de independência e autossuficiência. Ser capaz de tomar suas próprias decisões, segurança, capacidade de ficar sozinho e coragem capacitam você a viver uma "liderança de si", que é condição para liderança de qualquer outra coisa.

Essa independência também envolve educação. O processo de educação nunca ocorre sem a ação do indivíduo. Ela sempre é, de certa maneira, uma "auto-educação". Isso quer dizer que, esteja você em um curso, escola ou faculdade; nunca deixe sua educação nas mãos de alguém. Você deve ter as rédias desse processo em suas mãos.


4. Servilismo

Toda a idéia do dever de paternidade vai de encontro a ambição de alguns homens de viverem como se não fossem chamados a tomar decisões e atitudes, mesmo que em relação a própria vida. Isso é chamado de servilismo, um comportamento covarde que leva a uma forma dependente de viver.

Mesmo alguns homens em guerras, que eram submissos e estavam prontos para morrer pela vitória a qualquer hora, lutavam pela própria liberdade e de suas famílias ativamente. Isso mostra que o espírito servil não é apenas um ato de submissão qualquer, pois participar de uma hierarquia é natural. Esse espírito se define pela ausência de decisão e liderança de forma generalizada.

O servilismo também não é um sintoma de simples preguiça e moleza. Quando alguém age nesse espírito, o faz de maneira ativa e muitas vezes irascível. O homem de atitude servil está constantemente a espera de estímulos e ordens externas de grupos e autoridades, mesmo que elas cheguem na forma de pressão social. Respeito humano, bajulação, covardia e atitude defensiva são as formas clássicas de manifestação dessa atitude emasculada.

Esse é certamente o pior sintoma da falta da paternidade. O crescimento do servilismo é a morte da paternidade e a paternidade é o remédio ao servilismo. 


5. Conclusão

Fugir do seu dever de estar preparado para a paternidade e de ser um pai quando necessário, te leva ao servilismo, inação ou egoísmo. Todo homem é chamado a contribuir com a liderança, acrescentando coisas boas ao mundo através de mobilizações e decisões, ou ainda com grandiosos pequenos feitos, como ter um filho.





Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Solidão: força ou fraqueza?

"Um homem tem de estar livre de toda fiscalização externa para ter a certeza de que olha para si mesmo e não para um papel social - e só então ele pode fazer um julgamento totalmente sincero. Somente aquele que é senhor de si é livre - e ninguém é senhor de si se não agüenta nem olhar, sozinho, para dentro de seu próprio coração." (Olavo de carvalho. "Sem Testemunhas", O Globo, 22 de julho de 2000)


É inquestionável que sentir-se sozinho pode ser algo doloroso. Somos seres comunitários e sempre buscamos nos expressar; sentimos prazer e evoluímos compartilhando experiências, dores e conhecimentos com outras pessoas. A solidão, por que nos priva disso e nos mostra a nós mesmos, pesa como um castigo. Alguns seguem o instinto e procuram pessoas para fugirem dessa condição, evitando a dor e buscando o prazer do grupo. Não percebem que, assim, negam outra parte da nossa natureza: nós somos sozinhos e vamos nos sentir assim por muitas vezes, mesmo entre muitas pessoas. 

Como indivíduos, somos mais do que nosso exterior. Se alguém pergunta "quem é você?", obterá uma resposta baseada em características externas e distinções sociais, como "o padeiro", "o filho do pedro" ou "alguém que gosta de assistir filmes". Se a pergunta for "quem sou eu?", é normal  que a pessoa saiba que quem se é vai além das características externas. Quer dizer que nós somos muito mais do que apresentamos aos outros e sabemos disso, mas alguns de nós não lidam bem com essa parte mais profunda e pessoal, e isso leva à fuga da solidão.

Esses esquecem que homens em todas as épocas e lugares precisaram encarar as mais duras solidões. Soldados em guerras abandonaram suas famílias, pastores se calaram em horas de trabalho, viajantes atravessaram regiões inteiras sem companhia e nada disso foi fraqueza. Ao contrário, a solidão sempre foi uma oportunidade para força. Afinal, se você não pode enfrentar aquilo que é, não pode enfrentar mais nada. Para ser forte, um homem deve saber viver a solidão. Todos necessitamos desse trabalho interior. Não há como fugir disso.

O bom convívio consigo mesmo traz, entre outros benefícios, o silêncio humilde (que é antídoto para conversas vãs como a fofoca), domínio de si, conhecimento interior e resiliência. Além disso mata a dependência de aprovação, o comportamento de grupo e a vaidade.

Encarar a solidão, entretanto, não é o mesmo que desprezar pessoas injustamente ou fugir de responsabilidades com elas. É necessário viver essa condição com caridade ao próximo, compreendendo-se como individuo e não como alguém acima de todos e, por isso mesmo, destacado do resto.

Acrescente silêncio e contemplação à sua vida. Suporte-se, corrija-se e se restrinja. Só assim se pode crescer e vencer os próprios erros e vícios. Ninguém mais pode fazer isso por você. Você deverá conquistar sua liberdade sozinho.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A Saúde dos Homens Antigos 3: O corpo em atividade



Assisti, recentemente, um vídeo teaser para a divulgação de um canal de um personal trainer no Youtube. No vídeo, o homem, cheio  de músculos, declamava frases de motivação e disciplina. Curioso, assisti até o fim e pude ver quando, para fechar a mensagem, ele dizia: "Lembre-se: seu maior patrimônio é o seu corpo".

A idéia que se tem do corpo humano, atualmente, é a de um bem, uma preciosidade que tem fim em si mesma. Se você tem saúde corporal, diz-se, tem sucesso, realização, paz, felicidade. Isso aconteceria quase como uma consequência lógica. Essa concepção tem consequências em nossos comportamentos e mesmo na nossa saúde.Como contraponto a essa idéia, o pensamento de nossos avós era bem diferente. O corpo não era um fim em si mesmo, mas uma parte importante do que somos. É essa visão que vamos explorar aqui. 

Como na postagem anterior dessa série, aviso: O objetivo aqui não é passar receitas e dicas, mas entender as idéias e visões dos antigos sobre a saúde, no caso, do corpo. 

1. Tipo Físico


Uma das consequências da visão atual sobre o corpo é o costume de se dividir três grupos de pessoas: gordos, magros e fortes. Você pode ver isso em qualquer matéria sobre saúde, com raras exceções. Gordos não tem, dizem, saúde. Magros, mesmo que "saudáveis", devem para si em disciplina e força. Os que são musculosos, esses sim, são saudáveis, fortes, vigorosos e disciplinados.

O que é importante observar sobre esse tipo de classificação é que ela se dá de forma muito superficial. É a aparência que determina o seu tipo físico, e por ela você passa a ser considerado saudável ou não, forte ou fraco, disciplinado ou preguiçoso. 

Essa atitude é tão influente que, por exemplo, levou muitos ao consumo de remédios para o crescimento facilitado de músculos. Perceba: Mesmo que não seja nem um pouco saudável, essa foi uma escolha pela saúde e força aparente. Dietas drásticas, cirurgias de risco e exercícios em excesso são outros exemplos dessa influência que considera a aparência antes da verdadeira saúde corporal. Nada disso está acontecendo como simples exceções a uma regra.

2. O corpo para os antigos


A visão que se tinha da saúde corporal pelos antigos era derivada de uma visão diferente sobre a importância do corpo humano, que colocava-o mais perto de uma "ferramenta" e mais longe de um "status". Ou seja, o corpo não era, nessa concepção, um bem em si, mas um meio físico para a ação humana. Toda a idéia de preservar o corpo vivo e forte vinha disso: Devemos cuidar de nossa saúde física para que possamos continuar agindo em nossa existência. 

Não havia porquê deduzir a saúde pela aparência. Se o corpo não provava sua capacidade de realizar ações efetivas, era considerado fraco. Se esse corpo estava doente, dizia-se que faltava saúde, mesmo ao mais musculoso. Se alguém não cuidava de seu corpo com determinação e constância, era um indisciplinado.

Nessa linha, um homem gordo poderia provar seu vigor, força e saúde. Um magro poderia ser forte, se assim demonstrasse. As aparências eram consideradas, mas vinham depois das capacidades e vigor. Hoje sabemos que o fato de alguém ser gordo não é um indício de indisciplina e falta de saúde. A magreza de um homem também não é incoerente a uma força suficiente, mesmo que modesta. 

Quando assim se pensava, a saúde buscada pelos homens era mais realista e efetiva: exercícios e disciplina tinham o objetivo de proporcionar força, vigor e saúde, e não hipertrofia, definições e massa. Hoje, exercícios e disciplina muitas vezes objetivam a estética acima de tudo.

Não podemos concluir disso que antes víamos o corpo como puras máquinas. Também não se imagine que a aparência não era valorizada. Sinais de saúde aparentes, como uma boa pele, cabelos e músculos sempre foram considerados. O que mudou foi em inversão: Hoje temos a estética e o os músculos muito mais em conta do que a saúde em si.

Os modelos de saúde e vigor antigos são uma boa amostra dessa visão. As imagens de heróis como Hércules, Aquiles, Gengis Khan, Átila e outros; destacam antes suas aparências másculas e imponentes que barrigas tanquinho.

3. Atividades Esportivas


Está enganado quem pensa que a única finalidade das atividades esportivas é "modelar o corpo para o verão". Muito além disso, o esporte é uma forma de adquirir e manter habilidades e potencialidades físicas.

Se você quer entender isso, pense em alguém jogando uma bolinha de papel no meio de um grupo de garotos brasileiros. Como você completa a reação do grupo na sua imaginação? Como bom brasileiro, você provavelmente visualiza os meninos matando a bolinha no peito e passando com os pés um para o outro. Isso é assim por que o futebol, tão presente em nosso país, treina o domínio do pé. Generalizando, muitos de nós temos um potencial adquirido pelo futebol, já que praticamos isso desde pequenos.

Nossos avós sempre entenderam isso, aproveitando o que as atividades tem para dar. A idéia se usar desse meio para adquirir potencialidades, tornando-se mais capaz e útil. Essa é a maneira correta para se treinar e condicionar o corpo.

Nesse contexto as academias tinham a função de desenvolver os músculos, aumentando as capacidades. Não eram vistas de forma isolada das atividades esportivas, mas sim como complemento dessas. Hoje, a intenção de se frequentar uma academia é obter apenas músculos. Ou seja: Muitos de nossos homens estão pagando com massa muscular o que devem em habilidades e capacidades, que são realmente essenciais.

4. Conclusão

Temos novamente, por fim, a contradição entre a idéia antiga que se tinha de saúde e as manias recentes, determinadas por modas e descobertas "cientificas". Dos tempos antigos tiramos práticas e concepções funcionais e realistas, mas inseridas num contexto mais exigente. Hoje, apreendemos comportamentos e culturas baseados em enganos bobos, com consequências enormes. Pessoalmente, prefiro seguir o modelo que gerou homens vigorosos e másculos. De hoje me permito aproveitar muitas descobertas e novidades, mas sempre com desconfiança, pois sei que algo mudou para pior.

Veja outras postagens dessa série:

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Masculinidade é sacrifício

É possível diferenciar um homem de verdade de um emasculado pela sua disponibilidade de se sacrificar por algo. Com sacrifício, leia-se tanto aqueles que levam à morte, em casos graves, quanto aqueles menores, que podem ser pequenos desconfortos. Um homem de verdade deve estar preparado para se submeter a tudo isso quando necessário.

Brasileiros em Monte Castelo lutando pela liberdade.

Se você conhecer um pouco mais das sociedades em todo o mundo, verá que onde há a necessidade de sacrifício, ali estão os homens: para caças e buscas arriscadas de alimentos, grandes esforços em construções, na defesa de uma unidade familiar, nas atividades políticas (que nunca foram atividades seguras), nas guerras e em muitos outros casos, nos quais mulheres não estavam envolvidas ou não tinham a obrigação de estar.

Esse fenômeno tem por princípio a sobrevivência da espécie humana. Numa sociedade, a perda de mulheres significa menos filhos. O mesmo não se aplica de forma tão grave para os homens. Isso também se manifesta na nossa estrutura corporal, que é muito mais voltada para grandes esforços físicos que em mulheres. A presença do hormônio testosterona nos machos também determina que sejamos mais voltados à estratégia, tomada de riscos e agressividade. Tudo isso é uma prova de que somos, digamos dessa maneira, "programados" para o sacrífico.

Imagine como ilustração que uma tribo é atacada por outra tribo inimiga. As pessoas dali precisam decidir entre quem deve ser protegido e quem deve proteger. Ou seja, devem escolher quem se dará em sacrifício pelos seus amigos, família e compatriotas. Seriam os idosos? Poderiam ser as crianças, meninos e meninas? Que consequência teriam se fossem as mulheres? A decisão mais sensata (tomada por todos os povos com um bom número de homens), é recrutar os membros do sexo masculino. 

Esse princípio está implícito em muitos povos, principalmente os sujeitos a grandes adversidades. Podemos identificá-lo em muitos costumes e tradições da nossa sociedade. Quando se diz em situações de fuga que "mulheres e crianças devem ir primeiro", o fundamento está exatamente nisso. Outros pequenos exemplos são as antigas práticas de cavalheirismo.

É também o sacrifício que fundamenta outras virtudes masculinas. O que é da liderança, coragem, humildade, disciplina ou força; sem ele? Os papéis masculinos, virtudes e honra tem a doação como base. Um homem "maricas" é exatamente aquele que nega isso, fugindo para o conforto, preocupando-se com o próprio ego e vacilando frente a qualquer adversidade.

Nada disso indica que homens são inúteis e descartáveis. Pelo contrário. Isso significa que sempre tiveram uma importante função dentro da sociedade. Somos aqueles que por obrigação se esforçam pelo bem comum. Não é um sacrifício vão, mas uma responsabilidade. A formação e estilo de vida dos homens sempre seguiu isso e buscou nos preparar para assumir os desafios e dificuldades, protegendo aqueles a quem se ama. 

As mulheres, por sua vez, praticam importantes sacrifícios, mas precisam ser preservadas através da ação masculina, como forças vivas atuantes na sociedade. Sua função está menos em se colocar em risco e mais em cuidar e manter. 

Beside Them Stood the Women Quietly Loading the Guns, J.r. skelton (1888-1927)

Tudo isso não nos atinge como regras imutáveis, mas como importantes lições. É exigido de cada homem que se preocupe mais com sua obrigação ao sacrifício, mesmo que nos mais pequenos. Se você não é um soldado, operário, e vive uma vida confortável, pode descobrir, ainda assim, que sua vida está repleta de oportunidades de sacrifícios pelos seus próximos. Existem muitas doações que não tem aparência de uma, mas são tão importantes quanto as mais evidentes. Encontre sua área e atue. Vá ainda além: esteja sempre preparado. Aceite seu papel, treine, forme-se, integre-se. Não ame a própria vida ou conforto ao ponto de agir com egoísmo.

Mas não se esqueça de que nenhuma lição de sacrifício vale sem verdadeiro amor ao próximo. G. K. Chesterton, um dos homens de verdade do século passado, disse: "O bom soldado não luta porque odeia o que está na frente, mas sim porque ama o que está atrás". Essa é uma grande verdade, sem a qual não há sacrifício, mas vanidade.