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terça-feira, 26 de abril de 2016

"Homem não chora": Uma palavra sobre masculinidade e sofrimento


O senso comum nos diz que homem de verdade não chora. Isso pode ser entendido ao pé da letra, como dizer que homens fortes nunca derramam lágrimas, mas também que um homem de verdade não permite que seus sofrimentos o enfraqueçam.

A primeira possibilidade é equivocada. Chorar é uma forma de expressão natural, não pode ser ela mesma uma forma de fraqueza. Choramos quando perdemos alguém, assim como quando lemos uma história emocionante, mas essa mesma atitude pode ser tomada quando cortamos o dedo mindinho. 

A segunda possibilidade de interpretação de "homem não chora" é mais acertada. Quando o choro indica fraqueza, homens não choram. A questão é onde está o limite entre a fraqueza e a expressão legítima de sofrimento. Como um homem lida com o sofrimento?


1. Todo homem sofre, ainda que sem lágrimas

A verdade é que o sofrimento é parte da condição humana. Todo mundo nasceu para saber disso, ainda que tenha se esquecido. "Nós já nascemos chorando", dirá alguém. E não é à toa, pois nascer é nosso primeiro grande sofrimento físico. Nossa história pode ser contada como uma narrativa de nossos sofrimentos. Crianças devem passar por provações físicas e frustrações, adolescentes sofrem com rejeições, adultos sofrem com o peso das responsabilidades, etc. Esperar por uma vida sem sofrimentos nesse mundo é uma ilusão que é fonte de mais sofrimentos. Antes de mais nada, aceite a sua condição e aprenda a viver com ela.


2. O que é sofrer?

O que muitas pessoas não percebem é que sofrimento é um sentimento. Isso quer dizer que ele pode não condizer com a realidade daquilo que vivemos. Se sofremos com algo, isso não é necessariamente ruim, assim como podemos sofrer pouco por algo terrível. 

Isso pode ser um impedimento para resolução de problemas. Existe, então, uma necessidade de domar nossos sentimentos para reagir de forma proporcional às necessidades. Um homem que não faz isso está condenado a ser domado por suas dores, perdendo em vontade, força e até mesmo em sua independência.

Um homem que perde a mulher, por exemplo, pode sofrer de forma normal e compreensível. Mas se esse sofrimento persiste e se sustenta, há ali algo errado que impede a continuidade natural da vida dele. Ele deve domar esse sentimento para viver a própria vida sem deixar de amar e honrar sua mulher, absorvendo a perda em sua biografia.


3. Aprendendo a sofrer

Se uma criança cai e rala o joelho pela primeira vez, vai gritar, chorar e chamar a mãe. Um homem adulto fazendo a mesma coisa seria no mínimo ridículo. Por que as duas reações são tão diferentes? O que muda com o passar dos anos?

Quando a criança se machuca, não sabe calcular o tamanho de seu problema. Ela espera que o conforto de não sofrer permaneça constante e se sente frustrada quando essa expectativa é quebrada. Sua reação é encarar aquilo como um problema maior do que é e clamar pela a ajuda dos pais, dos quais ainda depende. 

Crescendo, lidamos com diversos sofrimentos e aprendemos o que esperar quando algo ruim ocorre. Isso nos faz reagir com mais calma e de maneira independente nessas situações. 

Apesar de esse ser um processo natural, isso pode ser boicotado pela ação dos pais e pela intenção do indivíduo. Um garoto mimado e super-protegido não conhece o sofrimento o suficiente para, na idade adulta, saber o que esperar e como lidar com ele. Isso explica reações infantis diante de sofrimentos bobos e o pavor de algumas pessoas em sofrer, evitando qualquer desconforto. 

O grande problema disso é que, após a infância, precisamos lidar com sofrimentos mais complexos e difíceis. É nessa época que requisitamos atenção e amor de outras pessoas, tentamos nos enquadrar em grupos, assumimos grandes responsabilidades, criamos vínculos e outras mudanças que trazem consigo a possibilidade de grandes sofrimentos desse tipo. Aí a exigência de adaptação é enorme e nos leva a uma situação próxima a das quedas na infância.

Isso significa que devemos continuar aprendendo com sofrimentos avassaladores, o que pede de nós uma forte intenção de enfrentar os problemas ao invés de buscar conforto, fugindo deles.

Se acumulamos experiências desse tipo, vencendo-as, grandes sofrimentos se tornam para nós como um joelho ralado. Dói, mas não importa tanto. A boa notícia é que isso ainda funciona muito bem se as experiências de sofrimento são imaginativas, como se compadecer do sofrimento de alguém ou ler uma história dramática.

Ao final, tudo compensa, pois você ganhará resiliência. Todo homem precisa de uma grande resiliência para resolver problemas, ajudar pessoas e exercer seus papéis.



Aqui podemos responder nossa pergunta: A diferença entre a fraqueza e um choro legítimo é que somos fracos quando o sofrimento nos faz desmoronar e perder a cabeça. O choro legítimo é só uma expressão simples de alguma emoção inevitável, que acontece apesar das nossas forças.


4. Lidando com os sofrimentos como um homem

Ao enfrentar um sofrimento, você pode precisar saber que:

  • Num primeiro momento, o problema assusta, pois não conhecemos suas proporções. Muito das reações exageradas diante de algo ruim vêm desse susto inicial. 
  • Precisamos encarar a situação de forma consciente, sem a intenção de evitar sofrer, mas compreendendo as medidas dos problemas e dando nomes às nossas dores. 
  • Não podemos nos deixar levar pela melancolia, raiva ou tristeza. Essas são visões deturpadas da realidade frutos dos sentimentos negativos que super-valorizamos.
  • É necessário atenção para não se perder a noção do sentido da vida. Nossos motivos para viver, nossas ambições e objetivos estão acima das nossas dores. Saber disso é a maior força contra o sofrimento.


5. "Um mundo sem sofrimentos"

Não é novidade para nós que nossa sociedade é um ambiente de homens fracos e emasculados. Um dos sintomas disso é a falta de capacidade para lidar com a dor. Não há mais a preocupação de enfrentar os problemas, aprender a sofrer e superar as dores. Há, antes, a reivindicação de que não hajam mais sofrimentos.

É com esse espírito que surgiram aberrações como a valorização da vitimização, a punição excessiva por ofensas, a preocupação desproporcional com o bullying, etc. 

Um homem de verdade não compartilha disso pois conhece o sofrimento de perto, como condição humana incontornável. Ele sabe que, antes de pedir ajuda aos pais (ou qualquer outra autoridade) ou cair nas garras do choro fraco, deve estar acordado para o sentido da vida e consciente de sua situação; e assim é forte. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Preocupe-se com a sua masculinidade

Talvez por algum tipo de orgulho, existe uma tendência entre os homens de pensar que a virilidade acontece quando se afirma que já a tem. Comente com algum homem sobre a crise da masculinidade e ele começará a falar como se estivesse livre disso, como se o resquício de masculinidade que ainda resta no mundo estivesse nele, enfatizando que foi educado na vara de marmelo, que gosta de jogar futebol ou que não é homossexual de modo algum.

Essa reação comum demonstra duas coisas:

  1. Muitos homens andam achando que crescimento em masculinidade ocorre por declaração. Que é algo externo que deve ser demonstrado à terceiros.
  2. Precisamos compreender melhor a crise da masculinidade e que já estamos sendo afetados por ela.

Em algumas postagens iniciais eu tentei definir um parâmetro de masculinidade que estava se perdendo e que iria ser o objeto da busca do Oficina do Homem. Alguns pontos da conhecida "crise da masculinidade" já estavam descritos ali. Mas precisamos falar um pouco mais sobre a importância de identificar e reagir às consequências disso. 

Acontece que quando nós acreditamos que não estamos sendo afetados só por que nos afirmamos muito machos, estamos sendo puramente ingênuos. A destruição de valores masculinos das últimas décadas, no Brasil, deixou poucos tijolos no lugar. A falta de referências viris, o desprezo pelo homem, a quebra das diferenças de gênero e as distorções sobre hombridade deixaram marcas tão profundas que já nem podemos perceber sem um nível maior de atenção e consciência.

Nós estamos vivendo num lixão imaginando que o problema seja a falta de banho de algumas pessoas. 

Se você tomou consciência de que já está sendo atingido, é hora de saber de onde vem os tiros. Só aí você poderá ter qualquer reação efetiva para o próprio crescimento.

1. O desprezo pelo homem

Sem vitimismo. Reconheçamos apenas que após décadas de discursos feministas que classificam homens como opressores, estupradores em potencial e agressores, a dignidade da natureza masculina sofreu. A impressão geral, hoje, é que as características masculinas são negativas, perigosas e até mesmo maldosas. 

Um exemplo de como esse pensamento afeta a vida dos homens são as leis que facilmente afastam homens de suas famílias, como se a presença de um pai numa família fosse uma espécie de risco.

De maneira geral, percebe-se também uma feminilização da sociedade. Isso não significa "imposição feminina", "empoderamento", nem mesmo "valorização feminina". É mais uma força negativa. Condenamos os objetos de interesse e práticas puramente masculinos, forçando homens a viverem como mulheres.

Caçar? Proibido. Comer bem? Faz mal. Cortejar uma pretendente? Assédio. Atirar? Crime. Fumar? Nem cigarrinho de palha. Buscar independência e autonomia? Depende do que o governo acha disso. Vestir-se como um homem? Careta. Exercitar-se? Apenas por estética, se não, violento. Administrar uma família? Machismo.


2. "Gêneros são construções sociais"

Parece algum tipo de brincadeira ou algo absurdo demais para ser uma brincadeira, mas a idéia de que homens e mulheres só são homens ou mulheres na sua parte biológica sexual vem ganhando muito volume nas últimas décadas. Mais e mais gente acredita que a diferença entre os sexos simplesmente não existe, a não ser como uma disposição sexual.

Países inteiros vêm adotando políticas baseadas nessa nova forma de pensar, inclusive o Brasil. Nada resta ao cidadão comum senão perguntar-se se há algo de errado no mundo ou nele mesmo.

A verdade é que isso nunca teve fundamento científico e pode ser desmentido por qualquer percepção realista. Você pode conhecer um pouco mais sobre essa discussão pelo documentário norueguês O paradoxo da igualdade, no qual o comediante com formação em ciências sociais, Harald Eia, investiga o porquê de seus conterrâneos continuarem escolhendo profissões de maneira tradicional apesar de tantas ações governamentais que deram à Noruega o título de país com maior igualdade de gênero.

Mesmo errada, essa concepção traz estragos terríveis:


3. A falta de compreensão da masculinidade

Esse problema é especial no caso brasileiro. Nós apagamos nossas referências e nossos valores de forma tão profunda, que não sabemos sequer para que lado fica essa tal "virilidade". Ser mais masculino, no senso comum brasileiro, tem mais a ver com o verdadeiro oposto da masculinidade.

Poucas pessoas sabem admitir facilmente a idéia de um "homem mais masculino" como alguém compromissado, responsável, disposto ao sacrifício e a defesa. 

Poderíamos classificar algumas das visões do que é masculinidade para os brasileiros em geral:
  • O Crianção. Ser mais homem é gostar de coisas que garotos de 12 anos gostariam. "Homem gosta de video game", "Quadrinho é coisa de homem", "Homem passa o dia jogando e comendo sanduíche" etc.
  • O Gordo. Fazer coisas de homem, para alguns, não é algo muito próximo do que é mostrado no filme Gran Torino, de Clint Eastwood. Seria, na verdade, algo mais próximo do Homer Simpson. "Homem bebe cerveja e assiste futebol". 
  • O Cretino. O espantalho feminista é assumido por alguns homens. São eles que criam discursos vitimistas, odeiam mulheres e imaginam que são mais másculos quanto mais maliciosos, mentirosos, vingativos e agressivos são. "Homem de verdade pega mulher e bate punheta", "Vou te levar para um puteiro para você ser mais homem", "Mulher nenhuma presta".
  • O Efeminado Ideal. Parece até inverossímil, mas muitos dos ícones de masculinidade são reconhecidos assim por que agradam as mulheres, mesmo que sejam efeminados em muitos sentidos. Cabelos e pele bem cuidados, corpo depilado, traços infantis e movimentos delicados. Esses são os mesmos que "servem" às mulheres, não por que são cavalheiros, mas como uma espécie de "amiga útil". Eles pintam as unhas da namorada, fazem brincadeiras fofinhas, etc. "Homem de verdade ajuda a escolher a roupa da namorada".
  • O Musculoso. Com a moda da academia, surgiu a noção de que músculos e virilidade são equivalentes, ainda que isso seja conquistado com hormônios femininos. "Homem de verdade não é frango".
  • O Barbudinho. Na onda dos lumbersexuais, são homens que se vestem como um protótipo de lenhador que não deu certo. A barba voltou a ser um sinal de masculinidade. Basta que você seja barbudo, beba umas brejas e use couro, você pode até beijar outros homens de forma máscula. "Homem de verdade não faz a barba".

Todas essas visões de masculinidade tem algo em comum: elas guardam algo de verdadeiro sobre a masculinidade, mas deturpam isso até o seu oposto. Por exemplo: o macho "musculoso" parte do princípio verdadeiro de que homens tem que cuidar de seu corpo e de suas capacidades, mas esvazia essa atitude, chegando à idéia de aumentar os músculos por futilidades, como para agradar outros homens.

É até previsível que tomemos as coisas assim. Quando se perde o sentido verdadeiro de algo, os detalhes são enfatizados e preenchidos de novos sentidos diferentes.


4. Falta testosterona

É normal que o nível de testosterona caia com a idade de um homem. Mas estudos mostram que o nível de testosterona  em homens vêm reduzindo de maneira generalizada há décadas, chegando hoje a números preocupantes. 

Entre as muitas causas, considera-se o uso de aparelhos celulares (cuidado com eles) e a alimentação. Numa época em que comer carne é quase um crime, não poderia ser muito diferente.

Além disso, a testosterona é muitas vezes relacionada ao comportamento antissocial e ao machismo, o que vêm prejudicando a conscientização dos homens sobre essa queda. 

Ignora-se que o hormônio é essencial para uma boa qualidade de vida e saúde masculina. Considere, por exemplo, que a dificuldade de criar músculos e pelos, depressão, falta de concentração e impotência sexual estão entre algumas consequências da deficiência de testosterona.


5. Consequências

As consequências disso tudo, de maneira geral, é uma geração de homens perdidos em relação a si mesmos, seus papéis e até seus próprios corpos. Não é à toa que o número de suicídios entre homens se tornou uma epidemia mundial. No Brasil, um dos países de maior taxa de suicídios do mundo, o número de casos entre homens superam os entre mulheres. 


6. Conclusão 


São muitos pontos que convergem contra a masculinidade, o que nos trouxe a uma situação insuportável. Preocupar-se com isso e fazer algo para mudar é um benefício para si mesmo e para a sociedade.

Para começar, aceite que essa é a nossa situação. Reconheça os pontos onde está prejudicado. Isso não diminui sua honra ou dignidade, pelo contrário. Só assim você poderá adquirir os meios para se tornar um homem como já quase não se pode ser: um homem de verdade. Este, por acaso, é o propósito desse blog. Conte conosco!




quarta-feira, 6 de abril de 2016

[GPC66] Caléndário de pesca e Náutica


As páginas 20, 21 e 29 do Guia do Pescador e Caçador para o ano de 1966 trazem mais informações  interessantes para pescadores. 

Na página 20, um calendário prático que mostra a influência da lua para a pesca. Na página 21, informações gerais sobre a náutica e algumas denominações que continuam na página 29, abaixo de uma propaganda de artigos marítimos da Ascot.

É interessante como o guia trata de diversos assuntos ao redor da pesca e da caça, o que deixa suas páginas bem inspiradoras.

Atenção para a "Nota!" no fim da página.





sábado, 19 de março de 2016

Por que todo homem deve lutar pela liberdade de seu país?


Às vezes a situação política de um país está claramente desfavorável à liberdade dos seus cidadãos. Quando isso acontece, negar o problema ou deformá-lo é agir com cumplicidade. Mas não fazer nada pode ser ainda pior, pois é omissão. 

Nosso país está nessa situação.

A história está cheia de momentos assim. Muitas pessoas perceberam que há uma relação direta entre a ação defensiva de homens bons e as tentativas malignas de tiranos e bandidos:

"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que os bons homens não façam nada." - Edmund Burke

"A audácia do maus, se alimenta da covardia e da omissão do bons" - Papa Leão XIII

"Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos." - Martin Luther King

Mas se você ainda precisa de motivos para lutar a favor da liberdade brasileira, aqui estão alguns.


  • Você faz parte disso. Estamos tão acostumados a imaginar que as coisas acontecem por cima de nós, que achamos que não temos participação nos acontecimentos de nosso país, por que não somos políticos. A verdade é que qualquer situação de paz e liberdade sempre é garantida pela participação e influência da nação, algo do qual você faz parte. 
  • É da sua conta. Os acontecimentos de seu país pesam sobre você, mesmo que de maneira indireta. Se você não sente isso, não vai querer esperar até que a situação se torne insuportável. Sob um regime de maior opressão, a dor é sempre pior, e não estou falando somente da parte financeira. 
  • Faz parte de seus deveres. Todo homem deve se sentir responsável pela segurança daqueles que lhes são próximos, todo homem deve ser solidário com a pobreza e todo homem deve ser um bom administrador de sua família e, como consequência, representá-la em meio aos problemas que lhes cercam.  
  • Não há sociedade com "o problema não é meu". Se uma crise como esta não te afeta diretamente, o que te faz se sentir livre do problema, a caridade prestada aos seus cidadãos é o que garante seus benefícios em participar daquela sociedade. Então o problema é seu.
  • Alguém precisa se sacrificar, e precisa ser um homem de verdade. Ou você espera que mães, mulheres e crianças façam isso por você? Ou você não quer ser um homem de verdade?
  • Situações assim chamam os poucos homens corajosos. Você se inclui nesse grupo?

Podemos terminar com um trecho do nosso hino, fonte de inspiração para todo homem brasileiro:

Brava gente brasileira! 
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

quinta-feira, 17 de março de 2016

[GPC66] Socorro de emergência, nós de pescaria e juramento de proteção


Ainda focado na pesca, o antigo guia do pescador e caçador, na página 13, passa algumas informações bem úteis sobre socorro em casos de acidentes. A página seguinte apresenta graficamente alguns nós para pescadores. Na mesma página há também um belo juramento para proteção dos animais e da natureza do país.



quinta-feira, 10 de março de 2016

[GPC66] Regras de segurança do mergulhador, equipamentos de pesca e mais espécies de peixes.


O Guia do Pescador e Caçador para 1966 reúne um monte de informações úteis para pescadores e caçadores da época. Essas três páginas exemplificam como seu conteúdo pode variar. 

Na página 10, "Algums espécimens de peixes do mundo" (atenção para a grafia da época). Na seguinte, uma propaganda de equipamentos de pesca da Az de Espadas, seguida de uma lista de regras de segurança para mergulhadores.




"Lojas Az de Espadas: Só não tem o peixe"

quinta-feira, 3 de março de 2016

[GPC66] Código de Pesca e algumas espécies de peixes do litoral brasileiro


Nas páginas 6, 22 e 24 do Guia do Pescador e Caçador para 1966, podemos encontrar o capítulo VIII do Código de Pesca para aquele ano. O trecho se refere somente à pesca amadora e científica, que eram mais próximas da proposta do livro. 

Se não estou enganado, e me corrijam se for o caso, o código mudou no ano seguinte para o que continua valendo nos dias de hoje. Você pode encontra-lo clicando aqui. O trecho equivalente ao mostrado no GPC66 é o capítulo III.



Na página 22, o Código de Pesca divide espaço com uma representação gráfica de 3 espécies de nosso litoral. Este tipo de desenho era comum numa época em que a reprodução de fotografias não era nada simples.






sábado, 27 de fevereiro de 2016

Fotos do Brasil antigo que servem de inspiração para os homens brasileiros

Nesse blog estamos sempre falando de aprender com nossos avós. Essa postagem foi feita para que nos deixemos inspirar pelos antigos brasileiros, os homens que formaram nosso país. Tomemos suas atitudes e virtudes como modelos!

Olhe essa seleção de fotos com atenção aos seus detalhes.

Amolador
Marc Ferrez, 1899. Rio de Janeiro.

Volta de uma caçada
Curitiba, 1927. (Arquivo Pessoal de Silvia Elena Merlin Plotz‎)

Autorretrato de Vincenzo Pastore
1910. São Paulo.

Homem atirando com arco e flecha
Carlos Dhein, 1890. Rio Grande do Sul

Garrafeiros
Marc Ferrez, 1895. Rio de Janeiro.

Gaúcho 
1890, Rio Grande do Sul.

Homem lendo jornal na porta de estabelecimento comercial 
1910,  São Paulo.

Homens Conversando
Vincenzo Pastore, 1910. São Paulo.

Rali de São Paulo a Montevidéu, na passagem por Itajaí
1940. Itajaí, SC.

Locomotiva
Marc Ferrez, 1880. Estrada de ferro Rio-Minas.

Carroça de cervejaria atolada na lama
Vincenzo Pastore, 1910. São Paulo.

Homens carregando uma tora de imbuia
1941. Três Barras, Santa Catarina.


Pérolas, não? Uma boa amostra da nossa tradição masculina brasileira. Vamos dar continuidade a isso!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Os três deveres de todo homem 2: Paternidade

A primeira coisa que você deve saber sobre o dever da paternidade é que ele não é cumprido somente quando se tem filhos. Existem pais de muitos filhos que não cumprem esse dever e homens sem filhos que o cumprem. Quando nos referimos à paternidade, falamos de uma parte da condição masculina que envolve a capacidade para o papel de tutor, educador, guia e líder.


Todo homem tem a necessidade de liderar, guiar e tutorar; como um pai para um filho. Isso significa que um padre, que não pode formar uma família, ainda pode exercer a paternidade quando é um bom pároco. Significa também que o envolvimento de homens com a liderança - seja em empresas, comunidades ou instituições - está intimamente ligado a esse dever masculino.

Disso não se implica que todos os homens devem ser líderes comunitários, presidentes de empresas ou presidentes da república. Pelo contrário: Todo homem é chamado a guiar, liderar e tutorar - como um pai - mesmo um pequeno grupo, como uma família, sem que se perca em nobreza e responsabilidade.


1. Paternidade na família

A paternidade na família é grave por que essa é a comunidade por excelência. Todas as outras organizações e instituições humanas são formas de gerir as relações entre famílias e garantir a liberdade delas. Isso faz esse tipo de agrupamento o mais importante de todos. 

Qualquer família só pode ser reduzida aos indivíduos que a compõe. Estes têm entre si uma relação de hierarquia: Os pais regem a si e aos filhos, enquanto os filhos se submetem aos pais. Ao contrário do que parece pelo espantalho que fazem disto, a divisão de papéis na família não coloca a mulher em um plano inferior ao homem, mas sim num plano de parceria. Ao homem cabe assumir riscos, decidir e mobilizar; a mulher é sua auxiliar, colaboradora e beneficiária; uma sócia discreta atuando para o sucesso da família. Ela precisa estar submissa a ele e não criar conflito com suas decisões se quer ver qualquer sucesso. Digamos, para esclarecer melhor, que numa família o homem toma as decisões que envolvem a todos, mas não pode fazer isso sem a participação de sua esposa. Já a esposa, auxilia seu marido em suas decisões e não pode agir como "não colaboradora", o que significa cumprir as decisões feitas pelo homem com a sua participação. Isso nem se parece com uma relação de "senhor e escrava".

Pais também não são senhores de seus filhos. Ao contrário, seu dever é cuidar deles para que possam crescer como boas pessoas. Para isso os homens devem lhes prover bens materiais (dever que vamos falar na próxima postagem da série) e os educar da melhor forma.

Essa educação é essencial para a paternidade. Pais esperam que a escola eduque seus filhos. Na verdade a escola só existe para formar crianças em conteúdos básicos. Educação, que é o desenvolvimento de um ser humano, é papel exclusivo dos pais e das mães. Para os pais, pesam mais a atuação na imposição de limites, correção e transmissão da verdadeira masculinidade aos filhos homens. Repare: se seu filho precisa ouvir um "seja homem", deve ser de você, homem.

Mas entre pais e filhos também deve haver colaboração. Pais devem administrar a família visando também o crescimento saudável de seus filhos, enquanto os últimos devem aceitar as decisões de  seus pais, compreendendo que, antes de sua maioridade, são os seus responsáveis por decidir pelo seu bem.


2. Paternidade e autoridade

Ser pai de família é uma forma especial de paternidade, mas esse dever também se relaciona à administração e liderança de comunidades e instituições. O motivo da preferência de homens para serem os que se envolvem em questões políticas e administrativas está muito próximo ao motivo pelo qual homens são sempre os pais de uma família.

Estar em um cargo de liderança é se colocar em exposição para mobilizar pessoas a algum tipo de sucesso comunitário. Um líder deve ter voz firme (assim como um pai) e sabedoria para que isso ocorra. É necessário também que quem assuma essa responsabilidade esteja pronto para colocar sua vida em risco pelo bem do grupo. Os líderes entram na linha de frente, e isso é que faz com que mereçam respeito e obediência.

Esse papel pode ser deturpado, é óbvio, como  constantemente acontece. Homens de verdade que assumam um determinado poder para se sacrificar pelo bem de grupos e instituições sempre são necessários. Hoje, em meio a uma crise da masculinidade, sentimos que essa necessidade se faz ainda maior.

Assumir essa responsabilidade, entretanto, exige algo mais que ser um homem. É uma questão de vocação. Se política ou liderança de grupos não é para você, assuma sua família e trabalhe para ela.


3. Paternidade e indivíduo

O dever da paternidade também envolve uma atitude masculina de independência e autossuficiência. Ser capaz de tomar suas próprias decisões, segurança, capacidade de ficar sozinho e coragem capacitam você a viver uma "liderança de si", que é condição para liderança de qualquer outra coisa.

Essa independência também envolve educação. O processo de educação nunca ocorre sem a ação do indivíduo. Ela sempre é, de certa maneira, uma "auto-educação". Isso quer dizer que, esteja você em um curso, escola ou faculdade; nunca deixe sua educação nas mãos de alguém. Você deve ter as rédias desse processo em suas mãos.


4. Servilismo

Toda a idéia do dever de paternidade vai de encontro a ambição de alguns homens de viverem como se não fossem chamados a tomar decisões e atitudes, mesmo que em relação a própria vida. Isso é chamado de servilismo, um comportamento covarde que leva a uma forma dependente de viver.

Mesmo alguns homens em guerras, que eram submissos e estavam prontos para morrer pela vitória a qualquer hora, lutavam pela própria liberdade e de suas famílias ativamente. Isso mostra que o espírito servil não é apenas um ato de submissão qualquer, pois participar de uma hierarquia é natural. Esse espírito se define pela ausência de decisão e liderança de forma generalizada.

O servilismo também não é um sintoma de simples preguiça e moleza. Quando alguém age nesse espírito, o faz de maneira ativa e muitas vezes irascível. O homem de atitude servil está constantemente a espera de estímulos e ordens externas de grupos e autoridades, mesmo que elas cheguem na forma de pressão social. Respeito humano, bajulação, covardia e atitude defensiva são as formas clássicas de manifestação dessa atitude emasculada.

Esse é certamente o pior sintoma da falta da paternidade. O crescimento do servilismo é a morte da paternidade e a paternidade é o remédio ao servilismo. 


5. Conclusão

Fugir do seu dever de estar preparado para a paternidade e de ser um pai quando necessário, te leva ao servilismo, inação ou egoísmo. Todo homem é chamado a contribuir com a liderança, acrescentando coisas boas ao mundo através de mobilizações e decisões, ou ainda com grandiosos pequenos feitos, como ter um filho.





Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Os três deveres de todo homem 1: Os deveres que vêm com a masculinidade

Trabalho (1896) - Charles Sprague Pearce

Imagine que alguém está isolado da civilização vivendo em alguma floresta. Essa pessoa tem que tomar decisões para si mesmo, visando a própria sobrevivência e alguma qualidade de vida. Nessas condições, ela possui algum dever de trabalhar? A resposta é sim. Sem o trabalho de caçar, plantar, colher, construir ou se proteger, essa pessoa não poderia mais contar essa história em alguns dias. Na verdade, o mesmo se aplica a nós, civilizados. Sim! Em sociedade o trabalho é dividido e somos poupados de muitos riscos, mas ainda precisamos trabalhar para que possamos receber esses benefícios. Caso contrário, alguém terá que trabalhar por nós.

O trabalho é um ótimo exemplo de um dever que temos de cumprir. Após uma idade, somos obrigados a nos sustentar e contribuir para a sociedade com algum serviço. No contrário, só restam dois destinos: dependência ou morte. Assim é com qualquer dever natural: Nós os ganhamos ao nascer. Não é necessário que nos obriguem a cumpri-los, mas é de senso comum que qualquer negligência a eles significa passar adiante uma obrigação que é só nossa. Ignorar o dever do trabalho, por exemplo, não é livrar-se dele, mas passar seu peso para outra pessoa por puro egoísmo. Isso não é, nem de longe, justo.


Dever masculino

Alguns dos deveres naturais (esses que vêm com o nascimento) são determinados pelo gênero. Toda mulher possuí deveres femininos, assim como os homens possuem deveres que são de homens. Para nós, varões, essas obrigações podem ser colocadas em 3 palavras, os "3 P's": paternidade, proteção e provisão.

Sem cumprir esses três deveres não há vivência de masculinidade. Isso não significa que você não é um homem o suficiente se, por exemplo, nunca protegeu alguém. Ninguém precisa buscar oportunidades para preencher os 3 P's, como num check list da vida. O que importa é buscar por capacitação e ação nesses três pontos. Homens tem o dever de serem provedores, protetores ou pais no momento oportuno. Isso envolve atenção e preparação, e essa é uma boa parte do que se chama boa vivência da masculinidade.

Vivendo os 3 P's 

Nas próximas postagens abordaremos cada um destes deveres aprofundadamente. Além disso, quase todas as postagens desse blog passam por eles. É ideal que você considere cada um nas suas escolhas, objetivos e motivações, de forma a contribuir para o bem-comum e para o próprio crescimento com virilidade. 



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Entre o Intelectual e o Brutamontes: O que buscar para a verdadeira masculinidade

Para o senso comum, alguém é mais viril quanto mais se parece com um bruto, estúpido, agressivo, rude e grandalhão. As pessoas costumam identificar como mais masculinos os homens mais predispostos ao combate cego, à violência gratuita e à raiva descontrolada. Sendo assim, a busca pelo conhecimento, a boa postura e até mesmo o cavalheirismo são taxados de "maricas". Essa visão errada exclui a possibilidade da verdadeira masculinidade, reduzindo tudo à uma caricatura odiosa.

Ainda assim, há o erro oposto. O homem que, fugindo dos estereótipos do "machão", cai no extremo oposto, está em constante risco de perder em virtudes de verdadeira masculinidade.

Ficamos entre intelectuais e brutamontes. Qual desses dois "tipos" representam melhor o homem que devemos buscar ser?

Sherlock Holmes: Um personagem "puramente intelectual". Ou quase isso.


1. O homem intelectual


Antes de mais nada, é importante quebrar a noção de masculinidade como algo ligado ao mundo físico, à força bruta e à atitude irracional ligada ao aqui e agora. Existe um motivo justo e simples para isso: qualquer um que leve isso a sério, tomando o hulk ou um gorila como modelo, está destinado a se tornar um inútil idiota. A vida de um homem precisa ir além de lutas, trabalho manual e prazeres compensatórios para ser mais plena. Lembre-se de que a masculinidade abrange também papéis sociais e exigências morais. Isso quer dizer que para que você possa se realizar como um homem, deve considerar também melhorar sua capacidade de tomar decisões, adequar-se socialmente, compreender o mundo a sua volta e se dedicar fielmente aos seus estudos. Tudo isso melhora não só seu ego e seu status, mas também os trabalhos manuais e as responsabilidades. 

"Homem intelectual" é como estamos chamando os estereótipos de homens que se dedicam à busca de conhecimento, ao bom comportamento e às virtudes. Isso está mais para "homens que usam o intelecto", que para a intelectualidade como classe e modalidade. Um bom exemplo de um desses homens é o homem de negócios, que procura capacitar-se mentalmente, aplicar técnicas e estratégias, basear-se em bons princípios e se portar de uma forma adequada em seu meio. 

Outro exemplo de homem que lida com o intelecto é o filósofo, o poeta ou o cientista. Todos estes estereótipos são marcados com características que se distanciam do modelo grosseiro e agressivo do brutamontes. 

No senso comum, muito da subjetividade e detalhismo buscado por esses homens é pura "veadagem". Vestir-se bem, ter bom gosto ou amar uma mulher - por exemplo -, seriam coisas para maricas. Essa concepção contradiz os grandes exemplos de masculinidade da humanidade e desconsidera mesmo que um homem seja capaz de buscar coisas elevadas e boas, como a beleza e o amor, o que é um erro infantil, e só se pode conceber sinceramente quando a ignorância e a cegueira são tidas como alto valor.

É claro que alguns problemas podem surgir se um homem se fecha em um mundo composto exclusivamente de posturas, detalhes e subjetividades. Ignorando a fortaleza, a necessidade de sacrifícios e outros valores masculinos, um homem pode tornar-se melindroso, materialista, covarde e/ou fútil. A existência de casos de homens assim justificam os preconceitos que se tem pelos tipos "intelectuais".


2. O homem brutamontes


Chamamos aqui de "Homem brutamontes" aqueles estereótipos de homens dedicados apenas às atividades e valores ligados aos objetos físicos, aos impulsos e à trabalhos manuais. Um exemplo de estereótipo assim é o típico sertanejo nordestino, com seu facão em punho, bravo como ninguém e considerado muito macho pela sua coragem e auto-sacrifício. 

Aí com certeza está muito da verdadeira masculinidade. É certamente viril o exercício das capacidades físicas masculinas e o desenvolvimento da coragem, força e resistência para situações adversas e para os papéis desempenhados por homens verdadeiros. Também se encaixam nesse modelo os trabalhadores manuais, guerreiros e bandeirantes.

Como já vimos, levar esse modelo ao extremo é uma verdadeira burrice. Desconsiderando o intelecto, a subjetividade, o espírito e os valores, um homem é podado de seu próprio crescimento. A agressividade insana, promovida por quem se acha muito másculo para não ter hombridade nenhuma, leva ao senso comum a imagem do "homem real" como um cego, violento, descontrolado e machista. Nos acostumamos a enxergar a masculinidade como algo baixo, vil, longe da civilidade.


3. O homem de verdade


Para ser um homem de verdade fuja de extremismos e comodismos. O primeiro passo a ser dado para se alcançar esse equilíbrio é em direção ao reconhecimento de si mesmo. Todo homem pode tender ao tipo "brutamontes" ou o "intelectual" e isso não é um problema, mas também devemos guardar na mente que não há um motivo para se buscar ser uma metade. Possuímos a disposição para as duas coisas, simplesmente por que uma não exclui a outra, como muitos fazem parecer. É seu dever reconhecer também o que te liga ao "outro lado" e fortalecer-se nisso. É parte da busca pela verdadeira masculinidade buscar ser um homem completo. Quando você se abrir a isso, entenderá que pode ser muito mais do que se limitava a ser.

Nesse momento se faz necessário observar também o seu meio, sua situação e o que te é exigido. Questionar-se "o que posso oferecer ao mundo?" e "quais são meus deveres?" te levará a exigir de si muito mais do que modelos que se encaixam em "brutamontes" ou "intelectual". Novamente: Você precisa ser um homem completo. 

Se você conseguir perceber o que é ser um homem completo, poderá concluir que essas divisões abstratas não te levam a ser mais homem. Na verdade, elas só te limitam. Seus interesses e exigências poderão, assim, ser complementados pelo "lado desprezado" e você será mais capaz do que antes.


4. Os dois homens 


Um símbolo que pode clarear essa questão é o selo da Ordem dos Templários. Neste selo se vê dois homens que montam em um mesmo cavalo. Uma interpretação relevante, entre diversas, é a da historiadora Barbara Frale, do Arquivo Secreto do Vaticano. Segundo ela, os dois homens são personagens do poema La Chanson de Roland (A Canção de Rolando) e representam virtudes necessárias à um templário: A ousadia, coragem e bravura; e a prudência, controle e equilíbrio. Nenhum grande homem na história desprezou esse objetivo duplo em nome de preconceitos e orgulhos infantis. Também não se permita desprezar.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

8 conselhos para melhorar sua presença de espírito



Um dos papéis mais evidentes de um homem é se sacrificar pela vida de outros. Isso significa que, em muitas situações, é exigido não só a coragem de enfrentar perigos, mas também atenção e ação. Não é um pedido para que morramos, por exemplo, em um incêndio. É pedido a capacidade de salvar e ajudar o máximo de pessoas que podemos, sem colocar nossas próprias vidas como prioridade. Morrer assim é o que muitos homens chamaram de "morrer com honra". Uma morte que faz sentido, que teve um porquê. Esse princípio vale para qualquer sacrifício: Em meio às nossas dificuldades, devemos buscar a honra de dar sentido às nossas dores.

Não caiamos no erro de imaginar que essa capacidade de agir pelo bem do próximo em nosso próprio sofrimento é uma simples escolha. Não basta dar um sinal positivo quando alguém perguntar se você iria ter coragem de tomar um sacrifício. Para que isso ocorra da melhor forma, você precisa se preparar. Esse é um dos motivos pelo qual a masculinidade está sempre ligada a obtenção de força física, habilidades motoras, esperteza e tomada de decisões. Você precisa garantir previamente que fará alguma diferença em um momento em que você seja necessário.

Um desses pontos que precisam ser desenvolvidos é a presença de espírito. Diferente da coragem, a presença de espirito é a capacidade de se manter focado na resolução de um problema em uma situação de extrema gravidade ou perigo. Um covarde não enfrenta seus temores, mas foge deles. Alguém que não tem presença de espirito no momento certo, perde a cabeça e não pode tomar as decisões corretas para o sucesso da resolução do problema.

Já é possível perceber o quanto essa capacidade é essencial para um homem: Precisamos de presença de espírito para agir da maneira certa na hora certa.

Para que você possa exercitar sua presença de espirito, aqui vão algumas dicas:


  • Reflita sobre a morte e sofrimento. Através de filmes, livros, quadros, músicas, e outros meios, busque não se distrair do fato de que a morte chegará a você e de que o sofrimento faz parte de sua condição. Enfrente esse fato sem medo, com aceitação. Faz parte dessa reflexão dar um sentido a tudo isso. Sua morte e sofrimento, como a de muitos heróis, pode e deve ser algo bom. Se você aceitar sua condição mortal estará livre de um temor exagerado, absurdo, paralisante.
  • Conheça casos de urgência e perigo. Procure conhecer bem as situações que você pode passar na vida e como agir nelas. Esse conhecimento é importante para que você saiba o que esperar, sem que sua imaginação te traia com medos enormes. Isso também pode te dar tempo, saltando sobre a tentativa e erro e te livrando de surpresas. Para você entender a importância disso, saiba que em 2004 uma garota inglesa, de apenas 10 anos, salvou quase 100 pessoas na Tailândia. Ela aprendeu na aula de geografia como prever tsunamis e pode se antecipar, tomando decisões sábias quando isso aconteceu de verdade. É esse conhecimento que você deve valorizar, e para isso é válido virar as costas para quem diz que se precaver para situações graves é um exagero. E se dissessem que saber prever uma tsunami para uma garota inglesa é "exagero"?
  • Melhore sua atenção e seu raciocínio. Jogos, desafios, meditações e exercícios podem melhorar sua capacidade de tomar boas decisões e estar atento em situações de urgências. Sem a atenção você não pode se antecipar. Sem a decisão é fácil cair no desespero e na fraqueza.
  • Entenda o que está acontecendo. É essencial que você busque não se alienar dentro de situações complicadas. Isso se faz com uma atenção constante. Por exemplo: Um pai sempre deve estar atento para o que está acontecendo com seu filho. Isso não significa um estresse exaustivo, como vamos ver no próximo ponto, mas um olhar atento para cada situação que o filho se insere. O comportamento de massa, que é comum em casos graves, é uma dessas alienações e deve ser abominado. É nele que ocorrem casos de pisoteamento causados por fugas de multidões, por exemplo. Isso acontece por que todos passam a agir segundo o clima de desespero geral e não podem entender o que está acontecendo e como devem agir.
  • Controle seu estresse. O estresse é uma ferramenta que deve ser dominada. Em falta, você se torna inerte e alienado. Em excesso, causa desespero e inação. Use seu estresse conscientemente em casos de médio risco, sem permitir que ele te canse ou desespere (como aquelas pessoas que não saem na rua com medo de assaltos). Se o risco se tornar real, permita-se dominar pela adrenalina e agir. Nunca permita um gasto de energia mental desnecessário e exaustivo. Use exercícios de respiração e tomada de consciência ("O que está acontecendo aqui realmente?") para não entrar em estágios de estresses altos, que imobilizam e desesperam.
  • Não escute as vozes medrosas. Lembre-se de que você vive no Brasil, o que te coloca em maior risco do que a maioria dos outros países quando o assunto é criminalidade. Mas isso não significa que todas as pessoas estão certas sobre as precauções e proporções dos acontecimentos. Muitos de nós, brasileiros, passamos a aceitar um estado de reféns, de ovelhas inertes e desesperadas. Nos acostumamos a tomar precauções absurdas e supor perigos horrendos e improváveis. Fuja das pessoas que tentam te levar a esse estado. Você precisa estar consciente da realidade das suas situações, temendo e agindo proporcionalmente e adequadamente. Prudência e sensatez não significam fugir sempre e considerar que todo medo é válido. O nome disso é covardia. Essa posição de reféns é uma amarra que te impede de agir, uma paralisia de desespero de nível social. Se você der atenção a isso, não irá cumprir o segundo ponto desta lista, mas vai se alienar dele. Ao invés disso, dê ouvidos a quem realmente entende disso.
  • Pule para a conclusão. Sua atenção e suas decisões devem estar voltadas para a resolução dos problemas. Não gaste tempo e energia com complicações, considerações sobre culpa ou pensando no que pode acontecer de pior. Não há nada de bom em colocar isso em prioridade.
  • Conheça exemplos de heróis. Conheça como agiram os heróis de todos os tempos. Imite seus exemplos e se espelhe em suas atitudes. Eles certamente buscaram, de algum modo, a sensatez e a coragem, e usaram essas virtudes para garantir a liberdade e a vida de outras pessoas. Sem a presença de espirito o que faria, por exemplo, Lucas Vezzaro, o garoto de 14 anos que morreu salvando seus colegas de um ônibus caído em uma represa?


Com a presença de espírito você diminui o risco de agir como uma ovelha desesperada, e passa a agir como um homem ativo, que cumpre seu dever.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Masculinidade é sacrifício

É possível diferenciar um homem de verdade de um emasculado pela sua disponibilidade de se sacrificar por algo. Com sacrifício, leia-se tanto aqueles que levam à morte, em casos graves, quanto aqueles menores, que podem ser pequenos desconfortos. Um homem de verdade deve estar preparado para se submeter a tudo isso quando necessário.

Brasileiros em Monte Castelo lutando pela liberdade.

Se você conhecer um pouco mais das sociedades em todo o mundo, verá que onde há a necessidade de sacrifício, ali estão os homens: para caças e buscas arriscadas de alimentos, grandes esforços em construções, na defesa de uma unidade familiar, nas atividades políticas (que nunca foram atividades seguras), nas guerras e em muitos outros casos, nos quais mulheres não estavam envolvidas ou não tinham a obrigação de estar.

Esse fenômeno tem por princípio a sobrevivência da espécie humana. Numa sociedade, a perda de mulheres significa menos filhos. O mesmo não se aplica de forma tão grave para os homens. Isso também se manifesta na nossa estrutura corporal, que é muito mais voltada para grandes esforços físicos que em mulheres. A presença do hormônio testosterona nos machos também determina que sejamos mais voltados à estratégia, tomada de riscos e agressividade. Tudo isso é uma prova de que somos, digamos dessa maneira, "programados" para o sacrífico.

Imagine como ilustração que uma tribo é atacada por outra tribo inimiga. As pessoas dali precisam decidir entre quem deve ser protegido e quem deve proteger. Ou seja, devem escolher quem se dará em sacrifício pelos seus amigos, família e compatriotas. Seriam os idosos? Poderiam ser as crianças, meninos e meninas? Que consequência teriam se fossem as mulheres? A decisão mais sensata (tomada por todos os povos com um bom número de homens), é recrutar os membros do sexo masculino. 

Esse princípio está implícito em muitos povos, principalmente os sujeitos a grandes adversidades. Podemos identificá-lo em muitos costumes e tradições da nossa sociedade. Quando se diz em situações de fuga que "mulheres e crianças devem ir primeiro", o fundamento está exatamente nisso. Outros pequenos exemplos são as antigas práticas de cavalheirismo.

É também o sacrifício que fundamenta outras virtudes masculinas. O que é da liderança, coragem, humildade, disciplina ou força; sem ele? Os papéis masculinos, virtudes e honra tem a doação como base. Um homem "maricas" é exatamente aquele que nega isso, fugindo para o conforto, preocupando-se com o próprio ego e vacilando frente a qualquer adversidade.

Nada disso indica que homens são inúteis e descartáveis. Pelo contrário. Isso significa que sempre tiveram uma importante função dentro da sociedade. Somos aqueles que por obrigação se esforçam pelo bem comum. Não é um sacrifício vão, mas uma responsabilidade. A formação e estilo de vida dos homens sempre seguiu isso e buscou nos preparar para assumir os desafios e dificuldades, protegendo aqueles a quem se ama. 

As mulheres, por sua vez, praticam importantes sacrifícios, mas precisam ser preservadas através da ação masculina, como forças vivas atuantes na sociedade. Sua função está menos em se colocar em risco e mais em cuidar e manter. 

Beside Them Stood the Women Quietly Loading the Guns, J.r. skelton (1888-1927)

Tudo isso não nos atinge como regras imutáveis, mas como importantes lições. É exigido de cada homem que se preocupe mais com sua obrigação ao sacrifício, mesmo que nos mais pequenos. Se você não é um soldado, operário, e vive uma vida confortável, pode descobrir, ainda assim, que sua vida está repleta de oportunidades de sacrifícios pelos seus próximos. Existem muitas doações que não tem aparência de uma, mas são tão importantes quanto as mais evidentes. Encontre sua área e atue. Vá ainda além: esteja sempre preparado. Aceite seu papel, treine, forme-se, integre-se. Não ame a própria vida ou conforto ao ponto de agir com egoísmo.

Mas não se esqueça de que nenhuma lição de sacrifício vale sem verdadeiro amor ao próximo. G. K. Chesterton, um dos homens de verdade do século passado, disse: "O bom soldado não luta porque odeia o que está na frente, mas sim porque ama o que está atrás". Essa é uma grande verdade, sem a qual não há sacrifício, mas vanidade. 

sábado, 2 de maio de 2015

A Saúde dos Homens Antigos 2: Uma reflexão sobre comer



Você já viu o café da manhã tipicamente nordestino? Já ouviu falar em um café da manhã britânico? Já conferiu em que quantidades alguns europeus comem queijo? Conhece de perto a ligação do gaúcho com o churrasco? Esses são exemplos resistentes de como se alimentavam nossos ancestrais. Se você reparar bem, muita coisa mudou. A maioria daquilo que era comum há 30, 40 anos atrás é hoje quase um pecado, aceito somente como "bem cultural". 

Mas qual é exatamente a diferença entre nós e nossos antepassados? Como comiam antigamente? Quais os critérios para se comer algo? O que podemos resgatar disso?

Essas são as perguntas que vamos tentar responder nessa postagem. Mas já é bom adiantar: Não vamos criar uma lista de alimentos saudáveis, nem uma dieta. Queremos aqui observar os hábitos alimentares do passado para que possamos melhorar os nossos, através de uma reflexão pessoal.

1. O que mudou


O que mais mudou para a nossa alimentação foi a maneira de escolher os alimentos. Recentemente deixamos de nos preocupar em comer o que nos é acessível, e passamos a poder escolher pratos e ingredientes mais e mais variados. Isso, unido à febre por "comidas saudáveis", resultou em uma atitude cada vez mais preocupada com a escolha dos ingredientes. Como critério de grande importância para essa escolha (quase acima dos gostos pessoais em relação ao sabor da comida), está um "coeficiente de saúde" virtual, atribuído a cada parte de um alimento. Assim, selecionamos meticulosamente nossas refeições, em vista do que é mais saudável.

As informações que determinam o que é saudável, ou não, são recolhidas do senso comum sobre o que a ciência diz sobre o assunto. Em geral, o meio de acesso a essa informação é a mídia de saúde. Nós comemos porque uma revista/programa/documentário/livro nos diz que é saudável. 

Essa ciência, por sua vez, é também, de certa forma, de senso comum. Há um Senso Comum Científico, que é a aprovação ou desaprovação de um conhecimento pela comunidade cientifica. Enfim: Nós nos baseamos quase que exclusivamente em hipóteses de grupos que não compreendemos inteiramente, transmitida por grupos de gente que não conhece o assunto de forma aprofundada. Essas informações são ainda recebidas por grupos dos quais nós fazemos parte, e nos influenciam dramaticamente.


2. Como os homens antigos escolhiam o que comiam


Não esqueça: O hábito de selecionar severamente os alimentos de uma refeição é bastante moderno. As condições em que vivíamos antigamente não nos permitiam comprar alimentos de origem distante ou cultivar qualquer vegetal. Nem mesmo nossos conhecimentos sobre as formas de alimentação ao redor do mundo não era tão vasta para que pudéssemos escolher entre comida  japonesa ou mexicana, por exemplo.

Também lembre que não havia tantos centros urbanos como hoje, em que qualquer um pudesse escolher restaurantes e trocar informações sobre hábitos. Especialmente no Brasil, a cultura rural era muito forte. Em alguns lugares, a variedade ainda está, por exemplo, em que parte do bode comemos. 

Essa limitação é um ponto muito importante: Nossos hábitos alimentares estiveram restritos pelas condições do tempo, espaço e sociedade. A criatividade na combinação de poucos alimentos é uma consequência direta disso. 

Basicamente, escolher o que levar para mesa dependia  de algumas observações:
  • O alimento é venenoso? Considerando que nem todas as comidas eram bem conhecidas, e que não se obtinha tudo em mercados, sempre valia a pena provar, de alguma maneira, que aquilo não traria consequências negativas.
  • O alimento é saboroso? Se sim, valia ainda mais a pena comer. 
  • Quais são os efeitos do alimento? Era essencial conhecer as propriedades das comidas que se levava para a mesa.
Nesse contexto, as receitas e ingredientes eram passados pela tradição. Muitos se mantiveram até os dias de hoje, e muitos deles nós excluímos de nossa dieta em nome da "redução de calorias".

Mas será que isso era saudável para aquelas pessoas? Dentro do significado de saúde para os antigos (que já vimos na primeira parte dessa série), sim. A sabedoria antiga soube, na maioria dos casos, definir os alimentos mais importantes que podiam adquirir, e consumi-los de forma adequada. Sabiam, por exemplo, quais eram as comidas adequadas para aumento da libido sexual, quais eram corretas para se dar a um doente, quais deveriam ser consumidas para manter as forças de uma tropa, etc. 

Diferente dos tempos recentes, não havia uma grande preocupação com as substâncias de um alimento, suas composições químicas, atuação no aparelho digestivo, etc. A preocupação estava, prioritariamente, nos efeitos reais obtidos pelos que consumiam, a curto, médio e longo prazo. 

Comparando melhor a escolha dos alimentos de antigamente e de hoje: Antigamente o consumo dos alimentos dependia dos benefícios ou malefícios reais que eles traziam. Hoje, há um estudo empírico para conhecer as substâncias de cada alimento, sua atuação no organismo e as consequências disso. Esse estudo toma a importância dos efeitos reais, e determinam os pratos do mundo inteiro.

Damos, hoje, uma enorme importância para as hipóteses científicas sobre nossa alimentação, chegando às vezes ao absurdo de colocar isso acima das experiências de efeitos reais para nós. Não há mal em conhecer o que a ciência pode nos dizer sobre nosso consumo de alimentos, mas é uma enorme confusão inverter a ordem das coisas, colocando elaborações teóricas acima dos efeitos constatados pela tradição. Esse quadro piora quando lembramos a fonte de informações que usamos para compreender a "voz da ciência".


3. A ciência e o seu lugar


Não há porquê chegarmos a ser "anti-científicos", jogando fora pesquisas importantes para entendermos nossos hábitos alimentares e seus efeitos. Mas é necessário que entendamos o papel real da ciência nisso tudo, e como ela não pode cobrir a função da tradição na seleção de alimentos.

A ciência nos dá teorias sobre recortes de fenômenos. Podemos , por exemplo, abrir um link na internet que diz que homens que gostam de comida apimentada têm maiores níveis de testosterona. Na matéria, lemos que instituições cientificas usaram amostras de homens com  níveis diferentes de testosteronas para analisar suas preferencias alimentares. Vê? A pesquisa científica recorta um grupo, no caso de pessoas, para analisar seu comportamento em situações específicas, tirando daí constantes. A constante, nesse caso, é a de que mais testosterona "determina" o gosto de homens por pimenta. 

É claro que algumas questões surgem. Uma delas, muito importante, é: O que isso significa?  A ciência é incapaz de nos informar, por exemplo, se a conclusão das pesquisas é boa ou má. Afinal, experimentos científicos não lidam com valores ou com significados, mas com constantes perceptíveis sensorialmente. 

A matéria (que se baseia em outra matéria) arrisca interpretar o fenômeno, e chega, para exemplo, a dizer que grandes quantidades de testosterona em homens deixam eles mais "Imprudentes". A palavra "imprudência" é fortemente valorativa. Indica atitudes impulsivas e desconsideração das consequências. Assumir riscos, sabemos, é agir consciente de que as consequências podem ser ruins. Imprudência é ignorância ou desprezo pelos riscos. Há uma sutil tomada de valores, que atribuem à testosterona uma aura negativa. Por mais científica que a matéria pretenda ser, acaba transbordando suas opiniões e mau caratismo.

Como  não somos cientistas "imparciais" ou péssimos jornalistas, que fique claro: Tomar riscos pode ser uma virtude. Se, por exemplo, precisamos ajudar alguém, mas isso nos apresenta risco de morte, assumir esse risco é um heroísmo. Imprudência, bem diferente, é não considerar risco nenhum, agir de forma burra. Quem escreveu essa matéria disse que a primeira coisa era a segunda, e pretendia falar de algo científico.

Não há porquê desprezar a informação das pesquisas, mas ainda assim há incertezas. Afinal, de quanto é essa determinação do comportamento pela testosterona? Não há uma outra causa para preferência dos homens que não seja hormonal? Por que o método escolhido é mais adequado para conclusão? Essas questões, mesmo que respondidas nos relatórios, podem ser problemas maiores do que imaginamos para os cientistas. Afinal, uma nova pesquisa pode facilmente derrubar esta. 

Tudo isso demonstra como a ciência não pode falar sobre tudo, explicando toda a nossa vida e guiando a sociedade, ao contrário do que a mídia passa se aproveitando para tomar posicionamentos.

Há ainda alguns outros motivos para que não fiemos nossas conclusões nas palavras do cientistas de forma insensata, mesmo longe das revistas cientificas. Listo 6 deles, aqui:

  1. A ciência não confia em si mesma. É parte do método cientifico admitir que os resultados e conclusões de um cientista, mesmo que bem comprovado, devem sempre ser encarados como hipóteses. Eles podem sempre ser contraditos no futuro.
  2. Muitas das pesquisas sérias já foram refutadas. Não são poucos os exemplos de pesquisas influentes que foram "desmentidas". A consequência disso no senso comum que se baseia na ciência é uma enorme confusão. Lembre-se de que "o ovo já foi um inimigo".
  3. Fraude científica existe, e não é pouca. Se você conhece um cientista já deve ter ouvido que não é raro que aconteça, nesse meio, fraudes como invenção de dados, falsificação de experimentos, roubo de pesquisas, recebimento de propinas, etc. Como acontece no jornalismo, estamos sempre contando que sejam éticos em ciência, e esquecemos de que não há nada que garanta isso.
  4. Há fortes interesses em resultados de pesquisas. Há gente poderosa no mundo, e o meio cientifico é sempre uma maneira de exercer poder. Como pesquisas não são de graça, os cientistas devem sempre contar com verbas, seja a fonte qual for. Para isso, muitos precisam provar que os resultados obtidos podem ser interessantes para seus investidores. Essas condições são um estímulo para fraudes.
  5. A discussão é maior que imaginamos. Quando vemos uma matéria que exclama que "segundo a pesquisa...", nem imaginamos que há muito mais por trás. A maioria do que nos chega aqui vêm de revistas internacionais de ciência, e tudo é escolhido pela relevância para o jornal que a reproduz. Essas publicações de fora podem escolher o tema de suas matérias de acordo com seus interesses, e podem estar falando de apenas um ponto dentro de uma confusão entre a comunidade cientifica. Para conhecer o debate cientifico sobe um ponto, nos é exigido muitas vezes saber ler em idiomas diferentes, nos termos dos relatórios.
  6. A ciência não pode entender a realidade. Isso pode levar as mãos das moças à boca, mas é um fato. O cientista, como já vimos, recorta um fenômeno para entender suas constantes. Isso não significa que ele fale de um objeto ou ser, mas de comportamentos repetitivos em condições de laboratório. Se sabemos, por exemplo, que certas substâncias evaporam em determinadas condições, não conhecemos algo em si, mas propriedades abstratas destas coisas. O conjunto dessas propriedades nunca resultam em alguma coisa (afinal, são propriedades abstratas), mas podem ser usadas para entender algo pela razão (não pelo empirismo). 
Sabendo de tudo isso, devemos repensar nossos critérios para escolha de alimentos. Colocar a ciência em seu lugar apropriado é essencial. Com as pesquisas nos informamos sobre possíveis aspectos de nossos hábitos alimentares. Isso acima da tradição baseada nos efeitos reais é modernismo insensato.


4. Antes dos industrializados


Uma das principais e óbvias características da alimentação dos antigos é o consumo de alimentos naturais. Já podemos concluir que a dieta deles era mais saudável do que a nossa, em geral, considerando unicamente isso.

A verdade é que alimentos artificiais e processados costumam levar substâncias tóxicas, grandes quantidades de ingredientes que são menos abundantes em alimentos naturais e que fazem verdadeiro mal, e uma limitada quantidade do que realmente importa. Uma simples margarina é, na prática, gordura vegetal que passou por processos para obter uma melhor aparência e gosto. 

Lembre-se também de que os alimentos adequados ao ser humano sempre foram aqueles extraídos diretamente da natureza. Somos feitos para consumir as coisas "prontas" de fora. Esse artificialismo  de laboratório, tentando criar a composição das nossas comidas, tende a ser muito pouco saudável  por causa disso.




5. Como comer

Se antes eramos menos seletivos que hoje, isso significa que comer era um processo mais "tranquilo". Podíamos nos dar ao luxo de comer o que preferíamos daquilo que sabíamos que era bom, e nos regrar muito menos no hábito alimentar.

Esse é, na verdade, o processo natural da alimentação. É uma atitude muito saudável, mas que hoje precisa de algumas adaptações, já que vivemos uma vida muito mais sedentária do que antes, e perdemos a visão da alimentação como sustento.

O prazer de comer também está em compartilhar
Comer bem significa equilibrar o prazer de comer com a necessidade. É necessário fugir da ilusão de comer como um costume, uma rotina. Comer é uma boa necessidade. Muitos de nossos ancestrais sabiam disso por que precisavam conquistar sua comida, suportando períodos de fome, e satisfazendo-se com grande prazer quando obtinham algo. Esse prazer em comer significa que aquele alimento é bom para o seu corpo (você instintivamente deseja o que precisa) se for natural (sem substâncias que aumentam o prazer com consequências negativas). Comer para o sustento é comer com calma, nos limites de sua fisiologia, o que quer dizer que não existe um padrão universal e que você deve conhecer seus limites e necessidades. Quem pratica esportes, por exemplo, sabe disso: Quando se esta em atividade, comer mais é o ideal, não comer como qualquer um.

Mas isso não significa que só precisamos comer o que gostamos. Deixe de lado toda frescura com seus alimentos. Quem só come o que gosta esta pelo caminho errado, pois se arrisca a deixar de lado alimentos importantes. Você precisa aliar a seus gostos com esforços para comer melhor.

Isso nos leva a outro ponto: a necessidade de se estar atento para não cair na gula. Esse é o extremo contrário de comer mecanicamente, sem satisfação. Você é guloso quando come buscando unicamente o  prazer, enxergando no alimento uma fuga ou satisfação que não está lá. Procure não se permitir comer de tudo, a qualquer hora, e pare de comer quando souber que está satisfeito. Assim você obterá prazer na alimentação, mas sem desregramentos ou frescuras.

6. Sobre a gordura

Saudável? Bah!

Recentemente surgiram confusões nos meios de comunicação "científicos" (veja aqui um exemplo), por que alguns estudos apontam o óbvio: A gordura animal e colesterol estavam sendo condenados de forma exagerada. Nesse caso, o exemplo dos antigos é perfeito. 

Lembro-me de assistir uma matéria do Globo Repórter, em que era mostrado um homem de mais de 100 anos que tinha o hábito de comer pedaços de carne de porco fritos na gordura todas as tardes. A reportagem falava, com surpresa, que "o caso surpreendia os cientistas", e que a explicação arranjada por eles era a de que o trabalho no seu sítio era pesado, e isso compensaria o "pecado" do homem. Ou seja: Um homem de mais de 100 anos come algo que se considera veneno todos os dias, tem forças para trabalhar na fazenda, e é necessária uma explicação de como ele sobrevive a esse veneno? Não seria hora de questionar se é mesmo um veneno? Não está claro que esse é só mais um caso (existem outros, como este aqui) de pessoa que vive uma vida saudável comendo gordura? 

Os nossos avós comiam gordura sim, e muita. Gordura na carne, no leite ou onde fosse. Os povos que incluíam (e incluem) alimentos gordurosos não apresentavam altos índices de morte de jovens ou velhos por doenças cardíacas. As mortes relacionadas à saúde vinham, em sua maioria, das péssimas condições de higiene. Um exemplo apresentado por outra matéria tosca é a longevidade do povo de Icaria, na Grécia. Em uma parte do texto, cita-se:

"'A nossa ideia era de que os maiores riscos para o coração, como diabetes, colesterol alto, fumo, e hipertensão arterial, seriam menores em Icaria, mas nós ficamos muito impressionados quando vimos que estes fatores eram os mesmos que em outras regiões da Grécia e do mundo', conta George Lazaros, cardiologista da Universidade de Atenas.

 A melhor explicação para a longevidade da ilha, vem de uma senhorinha:

"Mas dona Ioanna não hesita quando responde o que viemos saber. Como fazer para chegar na idade dela?
'Meninos, vocês têm que guerrear! Não se deixar vencer por qualquer coisa. Quando algo puxar você para atrás, vão em frente. Em tantos anos, eu não passei por um caminho de flores, mas sim de espinhos, medos, fome. Vi poucas e pequenas flores nestes meus 100 anos', conta a tecelã."

7. Fechando


O significado de tudo isso é que mais do que uma preocupação maluca por seleção de tudo o que comemos, acima de comermos unicamente por rotina, e ainda além de todo exagero à mesa,  comermos para  nosso sustento é essencial. Para isso, devemos estar atentos para as descobertas, mas sempre lembrados das tradições. "O que comer" depende de uma reflexão pessoal sobre o assunto. Tudo isso com uma boa rotina, sem moleza ou fraqueza. Não há, realmente, como manter uma boa vida alimentar como nos velhos tempos, com péssimos hábitos fora da mesa, como nos novos tempos.


Veja outras postagens dessa série:
O que saúde já quis dizer;
O corpo em atividade.