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terça-feira, 12 de abril de 2016

Preocupe-se com a sua masculinidade

Talvez por algum tipo de orgulho, existe uma tendência entre os homens de pensar que a virilidade acontece quando se afirma que já a tem. Comente com algum homem sobre a crise da masculinidade e ele começará a falar como se estivesse livre disso, como se o resquício de masculinidade que ainda resta no mundo estivesse nele, enfatizando que foi educado na vara de marmelo, que gosta de jogar futebol ou que não é homossexual de modo algum.

Essa reação comum demonstra duas coisas:

  1. Muitos homens andam achando que crescimento em masculinidade ocorre por declaração. Que é algo externo que deve ser demonstrado à terceiros.
  2. Precisamos compreender melhor a crise da masculinidade e que já estamos sendo afetados por ela.

Em algumas postagens iniciais eu tentei definir um parâmetro de masculinidade que estava se perdendo e que iria ser o objeto da busca do Oficina do Homem. Alguns pontos da conhecida "crise da masculinidade" já estavam descritos ali. Mas precisamos falar um pouco mais sobre a importância de identificar e reagir às consequências disso. 

Acontece que quando nós acreditamos que não estamos sendo afetados só por que nos afirmamos muito machos, estamos sendo puramente ingênuos. A destruição de valores masculinos das últimas décadas, no Brasil, deixou poucos tijolos no lugar. A falta de referências viris, o desprezo pelo homem, a quebra das diferenças de gênero e as distorções sobre hombridade deixaram marcas tão profundas que já nem podemos perceber sem um nível maior de atenção e consciência.

Nós estamos vivendo num lixão imaginando que o problema seja a falta de banho de algumas pessoas. 

Se você tomou consciência de que já está sendo atingido, é hora de saber de onde vem os tiros. Só aí você poderá ter qualquer reação efetiva para o próprio crescimento.

1. O desprezo pelo homem

Sem vitimismo. Reconheçamos apenas que após décadas de discursos feministas que classificam homens como opressores, estupradores em potencial e agressores, a dignidade da natureza masculina sofreu. A impressão geral, hoje, é que as características masculinas são negativas, perigosas e até mesmo maldosas. 

Um exemplo de como esse pensamento afeta a vida dos homens são as leis que facilmente afastam homens de suas famílias, como se a presença de um pai numa família fosse uma espécie de risco.

De maneira geral, percebe-se também uma feminilização da sociedade. Isso não significa "imposição feminina", "empoderamento", nem mesmo "valorização feminina". É mais uma força negativa. Condenamos os objetos de interesse e práticas puramente masculinos, forçando homens a viverem como mulheres.

Caçar? Proibido. Comer bem? Faz mal. Cortejar uma pretendente? Assédio. Atirar? Crime. Fumar? Nem cigarrinho de palha. Buscar independência e autonomia? Depende do que o governo acha disso. Vestir-se como um homem? Careta. Exercitar-se? Apenas por estética, se não, violento. Administrar uma família? Machismo.


2. "Gêneros são construções sociais"

Parece algum tipo de brincadeira ou algo absurdo demais para ser uma brincadeira, mas a idéia de que homens e mulheres só são homens ou mulheres na sua parte biológica sexual vem ganhando muito volume nas últimas décadas. Mais e mais gente acredita que a diferença entre os sexos simplesmente não existe, a não ser como uma disposição sexual.

Países inteiros vêm adotando políticas baseadas nessa nova forma de pensar, inclusive o Brasil. Nada resta ao cidadão comum senão perguntar-se se há algo de errado no mundo ou nele mesmo.

A verdade é que isso nunca teve fundamento científico e pode ser desmentido por qualquer percepção realista. Você pode conhecer um pouco mais sobre essa discussão pelo documentário norueguês O paradoxo da igualdade, no qual o comediante com formação em ciências sociais, Harald Eia, investiga o porquê de seus conterrâneos continuarem escolhendo profissões de maneira tradicional apesar de tantas ações governamentais que deram à Noruega o título de país com maior igualdade de gênero.

Mesmo errada, essa concepção traz estragos terríveis:


3. A falta de compreensão da masculinidade

Esse problema é especial no caso brasileiro. Nós apagamos nossas referências e nossos valores de forma tão profunda, que não sabemos sequer para que lado fica essa tal "virilidade". Ser mais masculino, no senso comum brasileiro, tem mais a ver com o verdadeiro oposto da masculinidade.

Poucas pessoas sabem admitir facilmente a idéia de um "homem mais masculino" como alguém compromissado, responsável, disposto ao sacrifício e a defesa. 

Poderíamos classificar algumas das visões do que é masculinidade para os brasileiros em geral:
  • O Crianção. Ser mais homem é gostar de coisas que garotos de 12 anos gostariam. "Homem gosta de video game", "Quadrinho é coisa de homem", "Homem passa o dia jogando e comendo sanduíche" etc.
  • O Gordo. Fazer coisas de homem, para alguns, não é algo muito próximo do que é mostrado no filme Gran Torino, de Clint Eastwood. Seria, na verdade, algo mais próximo do Homer Simpson. "Homem bebe cerveja e assiste futebol". 
  • O Cretino. O espantalho feminista é assumido por alguns homens. São eles que criam discursos vitimistas, odeiam mulheres e imaginam que são mais másculos quanto mais maliciosos, mentirosos, vingativos e agressivos são. "Homem de verdade pega mulher e bate punheta", "Vou te levar para um puteiro para você ser mais homem", "Mulher nenhuma presta".
  • O Efeminado Ideal. Parece até inverossímil, mas muitos dos ícones de masculinidade são reconhecidos assim por que agradam as mulheres, mesmo que sejam efeminados em muitos sentidos. Cabelos e pele bem cuidados, corpo depilado, traços infantis e movimentos delicados. Esses são os mesmos que "servem" às mulheres, não por que são cavalheiros, mas como uma espécie de "amiga útil". Eles pintam as unhas da namorada, fazem brincadeiras fofinhas, etc. "Homem de verdade ajuda a escolher a roupa da namorada".
  • O Musculoso. Com a moda da academia, surgiu a noção de que músculos e virilidade são equivalentes, ainda que isso seja conquistado com hormônios femininos. "Homem de verdade não é frango".
  • O Barbudinho. Na onda dos lumbersexuais, são homens que se vestem como um protótipo de lenhador que não deu certo. A barba voltou a ser um sinal de masculinidade. Basta que você seja barbudo, beba umas brejas e use couro, você pode até beijar outros homens de forma máscula. "Homem de verdade não faz a barba".

Todas essas visões de masculinidade tem algo em comum: elas guardam algo de verdadeiro sobre a masculinidade, mas deturpam isso até o seu oposto. Por exemplo: o macho "musculoso" parte do princípio verdadeiro de que homens tem que cuidar de seu corpo e de suas capacidades, mas esvazia essa atitude, chegando à idéia de aumentar os músculos por futilidades, como para agradar outros homens.

É até previsível que tomemos as coisas assim. Quando se perde o sentido verdadeiro de algo, os detalhes são enfatizados e preenchidos de novos sentidos diferentes.


4. Falta testosterona

É normal que o nível de testosterona caia com a idade de um homem. Mas estudos mostram que o nível de testosterona  em homens vêm reduzindo de maneira generalizada há décadas, chegando hoje a números preocupantes. 

Entre as muitas causas, considera-se o uso de aparelhos celulares (cuidado com eles) e a alimentação. Numa época em que comer carne é quase um crime, não poderia ser muito diferente.

Além disso, a testosterona é muitas vezes relacionada ao comportamento antissocial e ao machismo, o que vêm prejudicando a conscientização dos homens sobre essa queda. 

Ignora-se que o hormônio é essencial para uma boa qualidade de vida e saúde masculina. Considere, por exemplo, que a dificuldade de criar músculos e pelos, depressão, falta de concentração e impotência sexual estão entre algumas consequências da deficiência de testosterona.


5. Consequências

As consequências disso tudo, de maneira geral, é uma geração de homens perdidos em relação a si mesmos, seus papéis e até seus próprios corpos. Não é à toa que o número de suicídios entre homens se tornou uma epidemia mundial. No Brasil, um dos países de maior taxa de suicídios do mundo, o número de casos entre homens superam os entre mulheres. 


6. Conclusão 


São muitos pontos que convergem contra a masculinidade, o que nos trouxe a uma situação insuportável. Preocupar-se com isso e fazer algo para mudar é um benefício para si mesmo e para a sociedade.

Para começar, aceite que essa é a nossa situação. Reconheça os pontos onde está prejudicado. Isso não diminui sua honra ou dignidade, pelo contrário. Só assim você poderá adquirir os meios para se tornar um homem como já quase não se pode ser: um homem de verdade. Este, por acaso, é o propósito desse blog. Conte conosco!




segunda-feira, 4 de maio de 2015

Masculinidade é sacrifício

É possível diferenciar um homem de verdade de um emasculado pela sua disponibilidade de se sacrificar por algo. Com sacrifício, leia-se tanto aqueles que levam à morte, em casos graves, quanto aqueles menores, que podem ser pequenos desconfortos. Um homem de verdade deve estar preparado para se submeter a tudo isso quando necessário.

Brasileiros em Monte Castelo lutando pela liberdade.

Se você conhecer um pouco mais das sociedades em todo o mundo, verá que onde há a necessidade de sacrifício, ali estão os homens: para caças e buscas arriscadas de alimentos, grandes esforços em construções, na defesa de uma unidade familiar, nas atividades políticas (que nunca foram atividades seguras), nas guerras e em muitos outros casos, nos quais mulheres não estavam envolvidas ou não tinham a obrigação de estar.

Esse fenômeno tem por princípio a sobrevivência da espécie humana. Numa sociedade, a perda de mulheres significa menos filhos. O mesmo não se aplica de forma tão grave para os homens. Isso também se manifesta na nossa estrutura corporal, que é muito mais voltada para grandes esforços físicos que em mulheres. A presença do hormônio testosterona nos machos também determina que sejamos mais voltados à estratégia, tomada de riscos e agressividade. Tudo isso é uma prova de que somos, digamos dessa maneira, "programados" para o sacrífico.

Imagine como ilustração que uma tribo é atacada por outra tribo inimiga. As pessoas dali precisam decidir entre quem deve ser protegido e quem deve proteger. Ou seja, devem escolher quem se dará em sacrifício pelos seus amigos, família e compatriotas. Seriam os idosos? Poderiam ser as crianças, meninos e meninas? Que consequência teriam se fossem as mulheres? A decisão mais sensata (tomada por todos os povos com um bom número de homens), é recrutar os membros do sexo masculino. 

Esse princípio está implícito em muitos povos, principalmente os sujeitos a grandes adversidades. Podemos identificá-lo em muitos costumes e tradições da nossa sociedade. Quando se diz em situações de fuga que "mulheres e crianças devem ir primeiro", o fundamento está exatamente nisso. Outros pequenos exemplos são as antigas práticas de cavalheirismo.

É também o sacrifício que fundamenta outras virtudes masculinas. O que é da liderança, coragem, humildade, disciplina ou força; sem ele? Os papéis masculinos, virtudes e honra tem a doação como base. Um homem "maricas" é exatamente aquele que nega isso, fugindo para o conforto, preocupando-se com o próprio ego e vacilando frente a qualquer adversidade.

Nada disso indica que homens são inúteis e descartáveis. Pelo contrário. Isso significa que sempre tiveram uma importante função dentro da sociedade. Somos aqueles que por obrigação se esforçam pelo bem comum. Não é um sacrifício vão, mas uma responsabilidade. A formação e estilo de vida dos homens sempre seguiu isso e buscou nos preparar para assumir os desafios e dificuldades, protegendo aqueles a quem se ama. 

As mulheres, por sua vez, praticam importantes sacrifícios, mas precisam ser preservadas através da ação masculina, como forças vivas atuantes na sociedade. Sua função está menos em se colocar em risco e mais em cuidar e manter. 

Beside Them Stood the Women Quietly Loading the Guns, J.r. skelton (1888-1927)

Tudo isso não nos atinge como regras imutáveis, mas como importantes lições. É exigido de cada homem que se preocupe mais com sua obrigação ao sacrifício, mesmo que nos mais pequenos. Se você não é um soldado, operário, e vive uma vida confortável, pode descobrir, ainda assim, que sua vida está repleta de oportunidades de sacrifícios pelos seus próximos. Existem muitas doações que não tem aparência de uma, mas são tão importantes quanto as mais evidentes. Encontre sua área e atue. Vá ainda além: esteja sempre preparado. Aceite seu papel, treine, forme-se, integre-se. Não ame a própria vida ou conforto ao ponto de agir com egoísmo.

Mas não se esqueça de que nenhuma lição de sacrifício vale sem verdadeiro amor ao próximo. G. K. Chesterton, um dos homens de verdade do século passado, disse: "O bom soldado não luta porque odeia o que está na frente, mas sim porque ama o que está atrás". Essa é uma grande verdade, sem a qual não há sacrifício, mas vanidade. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Homens, assumam seus papéis!



Você já reparou como muitos homens da sociedade brasileira atual parecem viver somente de acidentes? Repare que o comum, hoje, é que desde muito novos estejamos na escola. Como sequência disso, somos pressionados (e quem vive isso sabe que a pressão não é pouca) a entrar em uma universidade, o que nos leva a um emprego. Mesmo que seja muito difícil decidir uma carreira na idade em que a maioria dos jovens decidem, muitas vezes terminamos os cursos e até seguimos a carreira sentindo que não deveríamos. Isso por que sair de um curso não é algo simples, e é comum que não haja nada melhor. Só resta contentar-se com o que tem. 

A falta de conhecimento, capacidade de decisão e a pressão familiar e social nos levam a viver como barquinhos de papel na enxurrada: sem ação. Isso vale para outras áreas: Com um namoro, chega-se sem muito discernimento a um casamento, muitas vezes motivado por uma gravidez indesejada. E como consequência de uma péssima avaliação durante o namoro, muitos destes laços são quebrados num divórcio. 

O que está faltando para os homens, nesse sentido, é que saibam que papéis precisam desempenhar, como assumir, e o que isso significa. Falta também livrar-se do medo irracional de assumi-los e da aura negativa de que fazer isso é algo pesado e negativo, quando, na maioria das vezes, é uma verdadeira libertação, um motivo que estava faltando.

Esses papéis devem ser ensinados durante toda a formação, mas não só isso. Eles exigem certas habilidades e capacidades que precisam ser aprendidas durante a vida. Veja bem: Se um homem que assume o papel de esposo não sabe lidar com uma mulher de forma respeitosa, vendo as mulheres como objetos para seu prazer, ou pessoas burras e inferiores, não é capaz de cumprir esse papel de marido. Essa formação ausente - sobre lidar com mulheres com respeito e compreensão - deveria ter sido dada desde sua infância. Mas, o que vemos hoje é muita exigência para papéis que os homens nem podem prever que deverão passar (exigência que já vem do mesmo costume pelos pais de nossos pais), e uma rasa, se não vazia, preparação para elas.

Além da falta de modelos, que incentivariam a preparação e conhecimento das possibilidades de papéis a se assumir, o próprio conceito de "masculinidade" está deficiente. Quando se fala de "homem de verdade", hoje, falamos de garotões irresponsáveis, mulherengos, violentos, egoístas e, no fundo, infantis. Nada remete as responsabilidades que precisamos assumir, nem ao que precisamos aprender.

Ser um homem é também trabalhar duro e honrar nossos papéis. Como mudar em nós o que é preciso para que isso seja levado à prática?

1. "Responsabilidades" e "Papéis" não são pesos terríveis. Ao contrário: Podem ser a sua solução.


Precisamos rever o que significam estas palavras e o sentido que elas tem quando passam por nossos ouvidos. É certo que a impressão que causam é como algo que nos frustra, atrapalha, uma exigência maligna que não considera quem você é ou quer ser. Mas o que elas realmente querem dizer é diferente disso.

Uma responsabilidade é um compromisso que você assume com algo ou alguém. Se você, por exemplo, monta uma escola de futebol no seu bairro, ganha com isso uma responsabilidade. Somente você pode fazer o que faz por esta escola, e mesmo que você passe este dever para outra pessoa, você o faz como o responsável.

O papel é aquilo que se espera de você como membro de uma sociedade. Se você não assume um papel, pode-se afirmar que você ganha da sociedade, mas não contribui em nada com ela, pois não atua para sua evolução. Mas o papel não é algo que vem da sociedade unicamente para ela: ganhamos com isso, e oferecemos aquilo que temos de melhor, realizando o que somos.

Ou seja, se você realiza seus papéis e assume suas responsabilidades, luta e faz pelo que ama. Ser um homem livre e feliz passa por tomar consciência disso. Se você não conhece os papéis que desempenha e que pode desempenhar, estará limitado no campo de possibilidade de realizações, podado de fazer o que ama de forma responsável.

Além disso, estará vulnerável para que decidam e façam por você, sem capacidade de ação e decisão verdadeiras. Um homem de verdade não é um preguiçoso egoísta, é, sim, alguém que constrói seu próprio destino, lidando sabiamente com suas situações.

Fazer algo que ama é uma verdadeira solução para uma vida. Algo oposto a qualquer impressão superficial e egoísta de que assumir responsavelmente seus papeis é uma imposição limitadora.

2. Rastreando meus papéis: Quais são os papéis de um homem?


Uma pergunta que pode surgir é se existem papéis exclusivamente masculinos. A resposta é que sim. Mesmo que algumas possibilidades de papéis sejam semelhantes ou possíveis para homens e mulheres (ambos podem ter filhos, ser filhos, assumir empregos, etc.), as formas que um papel toma para os dois é muito diferente. 

O seu foco deve estar em explorar as especificidades que os papéis tem para os homens. A paternidade, por exemplo, exige a função de provedor e protetor, o que não vale com tanto peso para as mulheres. Como filho, você pode ser mais exigido para conseguir um emprego excelente, o que não é (ou não era) comum para filhas mulheres.

Os papéis de um homem não são inacessíveis às mulheres, mas um homem de verdade deve deve estar preparado para eles. De forma geral, os principais papéis assumidos por um homem são o de Pai, Profissional, Marido, Intelectual e Sacerdote. Se você explorar estas opções, suas variações e exigências, terá um leque para começar a entender suas possibilidades.

3. Menos exigências e mais preparo


Estamos sendo sempre exigidos por acidentes e expectativas de nossos responsáveis, mas muito pouco de nós sabe como lidar com um papel que a vida nos impõe ou que assumimos livremente. Isso nos leva a uma situação conflitante e desanimadora. Por exemplo: se você, como pai de família, é colocado numa situação em que deve agir independentemente pela proteção de sua família, pode estar tão carente das habilidades e conhecimentos sobre armas, estratégias de segurança e habilidades de luta, que isso se torna impraticável. 

Para que suas escolhas e sua posição sejam melhores, é importante que você adquira uma base de habilidades e conhecimentos, que vão te levar a bons resultados nas suas escolhas. Como eu expliquei no artigo Uma palavra sobre as carências e libertações, você deve encontrar modelos adequados de masculinidade e se educar para suprir o que te faltou na infância. Isso passa as mais simples brincadeiras infantis e sobe até os valores de verdadeira masculinidade.

Agora, recuperando nossa masculinidade, isso é mais importante do que exigir resultados imediatos. É para isso que esse blog funciona. Estamos  juntos buscando essa base e crescimento.

4. Sem pieguices, mas "siga seu coração"


Quando se tem testosterona nas veias, os interesses masculinos chegam. Isso não é uma frase bonita, e sim uma verdade, como mostra o documentário O Paradoxo da Igualdade de Gênero. Eu mesmo comprovo isso quando vejo que mesmo incentivado a situações de repressão de um comportamento e interesses masculinos, mantive esses interesses, vendo neles, hoje, uma libertação. 

Muitas das bases para os papéis que você deve assumir podem vir de interesses simples, como marcenaria, história das guerras, tecnologia, política, etc. Na prática e aprendizado para satisfação destes interesses nos tornamos aptos para a masculinidade, então siga seus interesses genuínos e busque aprender com eles. É este o motivo para que estas atividades e interesses sejam tão masculinas. Elas correspondem aos papéis de um homem.

5. Ame.



Pode parecer uma nova pieguice, mas só se você considerar o amor um sentimento bobo. Visto como doação e ação para o bem do outro, não é tão fútil assim. 

Amor para seus iguais na sociedade é a motivação para nossas ações e construções. Sem amor, amor evangélico, não há responsabilidade a se tomar, e os papéis se fundamentam unicamente numa convenção social, essa sim, fútil.

Ame sua família para assumir o papel de pai. Ame seus pacientes, como um médico. Ame seus pais, como um filho, e assim cumprirá seus deveres da maneira correta e verdadeiramente livre. Não são mais acidentes de percurso, mas decisões para o bem da sociedade e de seus próximos. Não há mais peso ou dificuldade, mas estímulo e motivação.

sábado, 28 de março de 2015

Uma palavra sobre as carências e libertações

Já falei aqui sobre o fato de que os garotos e homens de hoje se encontram em uma situação difícil, sem uma cultura que os ajude a viver e se orientar considerando sua situação real. As raízes desta desorientação já foram também exploradas, mas faltam pontos a ser tocados sobre isso.




1. O que me falta?


As gerações anteriores à nossa sofreram um processo de perda da cultura masculina e isso chegou até nós de uma forma muito confusa. Se nossos pais esperavam que aprendêssemos o que precisávamos em nossa formação masculina pela vivência, como provavelmente aconteceu com eles, estavam enganados. Se houve um esforço deles para passar o que é preciso, é improvável que fizeram considerando a situação em que estamos inseridos hoje e as deficiências que já tinham. Só recentemente esta situação nos obrigou a uma resistência consciente e direta. Isso quer dizer que durante nosso desenvolvimento não sabíamos ao certo o que fazer, a quem recorrer e nem mesmo se o problema era nosso. Muitos nem sabem se temos algum problema.

Para sair desta confusão precisamos reavaliar nossas prioridades, abandonar velhos costumes adquiridos sem atenção e dar ouvidos as pessoas certas. 

Precisamos nos perguntar seriamente e conscientemente o que é a masculinidade e como buscá-la. Não podemos mais agir como se fossemos adquiri-la naturalmente, simplesmente por que assim queremos.


2. Quem são meus modelos?


O aprendizado de qualquer coisa se dá através da imitação, absorvendo e integrando, para no fim evoluir para o aperfeiçoamento na própria personalidade. As crianças imitam automaticamente os pais e pessoas próximas, e passam a modelos externos com uma certa idade. Quem foram os seus modelos, da sua infância até hoje?

Boa parte dos problemas de amadurecimento e consciência que temos está no fato de que a sociedade não oferece mais bons modelos masculinos. Se os homens em evidência não são emasculados, alegando serem "muitos machos", são geralmente canalhas, machistas (no sentido de desprezar a dignidade das mulheres), infantis e egoístas. Não é que não existam bons homens a se imitar. Existem muitos. O problema é que encontra-los é um trabalho de garimpo.

Para encontrar bons modelos masculinos, foque nestas dicas:

  • Não procure homens em evidência. Há anos a mídia não dá bons motivos de que merece alguma credibilidade neste sentido.
  • Não procure feministas de sinal invertido. Fuja de masculinistas, "da real", ou qualquer outro que queira te convencer que mulheres são inimigas controladoras, ou que homens podem ser superiores a elas.
  • Escute seu avô. Isso é muito importante. O melhor exemplo de bom homem está no passado. Isso não quer dizer que tudo que é antigo é bom, mas que há alguns anos a masculinidade era muito melhor representada que hoje. Não tenha vergonha de se basear nos antigos, e não se prenda a épocas especificas.
  • Não seja superficial. Não basta avaliar se o grupo ou pessoa se veste bem, é educado ou aparenta ser um "bom moço". Seja crítico acerca do caráter e personalidade das pessoas. Antes seguir  um santo fracote que um trambiqueiro machão e elegante. 
  • Mesmo assim, não despreze as características exteriores. Lembre-se: Você quer ser alguém melhor, e isso te chama também para esses pontos externos que refletem a sua personalidade. Ser atento para dentro e desleixado para fora pode ser mediocridade, e isso vale para seus modelos.
  • Olhe para fora do Brasil. Ótimos exemplos de homens são mais abundantes lá fora, pois a cultura de masculinidade é mais desenvolvida em alguns países. Isso não é nenhuma falta de patriotismo, é um fato muito sério ao qual pretendo dedicar um artigo posteriormente. 
  • Aprenda a compreender e converter os exemplos. Se exemplos de boa masculinidade são mais frequentes em outros lugares e tempos, não podemos considera-los de forma fechada e definitiva. Compare as diferentes situações e contextos, converta os costumes ao que é importante aqui e agora e não se permita se deslocar de sua própria cultura e identidade. Comece a compreender bem o que admira nos outros, e separe aquilo que precisa, como precisa.

Mesmo que seus modelos sejam bons e suas idéias estejam mais conscientes atualmente, você ainda é influenciado por aqueles que você imitou no passado. Para que as mudanças positivas que você deseja em ti sejam efetivas, você deve avaliar em você mesmo seus antigos modelos e se libertar daquilo  que te causa contradição.


3. Quem te ajuda?


A masculinidade pode ser buscada de forma solitária. As provas disso são os inúmeros casos de isolamento que tornaram garotos verdadeiros homens, seja no cárcere, seja na exclusão da sociedade, seja ainda em isolamentos intencionais, como certos eremitas.

Mas essa busca se torna mais leve e enriquecedora na maioria dos casos em que é feita acompanhada de amigos e grupos. Isso é assim não só pela base emocional que o apoio externo pode trazer, mas também pela natureza da masculinidade, que é algo que se dá em grupo. Em sociedades que prezam pela masculinidade as coisas de homem são sempre atividades sociais e compartilhadas, que incluem a camaradagem e amizade. 

Nem é preciso dizer que a masculinidade em um grupo é mais difícil para nós, que estamos nos tornando exceções. Essa é uma dificuldade esmagadora para este processo, mas pode ser enfrentada e ensinar mais do que esperamos. Em muitos momentos precismos aprender a ser mais lobos solitários, cavaleiros errantes.

Esse blog é também uma tentativa de reunir homens e trazer esse bom costume de volta.


4. A masculinidade é uma construção.


Precisamos parar de ver a masculinidade como uma fantasia de carnaval que podemos vestir em minutos e exibir como uma realidade, sem muitas preocupações além de que pode coçar. A verdadeira virilidade é um processo de construção constante, que em sua forma ideal começa na infância e só acaba com a vida. Ser um homem viril é nunca desviar o olhar da evolução, achando-se pronto e perfeito. Por mais prejudicados que estejamos, não é o momento de assumir uma auto-imagem de homem, ou lamentar-se por estar longe disso. É o momento de separar os tijolos e empilha-los, com dedicação e paciência. E que se foda o que pensam os outros.

(Mais) Um blog para homens - Esclarecimentos

No tempo e lugar em que este texto está sendo escrito existem certos assuntos que só podem ser abordados com opiniões prontas, reações fingidas e uma preocupação de aparecer como um bonzinho sem ódio. O tema "masculinidade" é um deles, sem sombra de dúvida. O tema masculinidade tratado como algo bom e desejável, então, é uma dessas loucuras de quem está fora de seu tempo, em desacordo com as idéias seu lugar, já que isto é, aqui e agora, o oposto do senso comum. 

Essa foi uma questão bem considerada por mim antes da decisão de começar esse blog, e ainda assim desejei realizá-lo. O processo natural da abordagem deste tema é, hoje, o de um furo em um bloqueio de falso consenso racional. 

A masculinidade aqui abordada é o conjunto de valores, costumes e vivências de um homem, que se preocupa em ser melhor (uma pessoa melhor) dentro de sua condição de homem. A masculinidade pode ser passada por gerações, guiando os novos homens a lidar com os problemas, capacidades e papéis que aparecem a eles, e não comumente a elas. 

Agora vejamos: Que há de tão terrível em defender a masculinidade como virtude e crescimento? 
A resposta está no tratamento deste tema nas últimas décadas. Salvo alguns grupos e crenças, a palavra masculinidade foi e é severamente relacionada a um espantalho doentio. A palavra não significa mais o que realmente é, mas um conjunto de preconceitos e más impressões que bastam para odiar qualquer defesa deste valor como virtude.  

As fontes destas confusões são variadas. O feminismo, desde seu início, parece a mais influente. O movimento não só pregou abertamente o fim da masculinidade, por considerá-la ódio, raiva, opressão e o valor da classe masculina dominante, mas também quis e quer ensinar que a simples divisão de gêneros como algo real é mentirosa e mal intencionada. 

Os efeitos do movimento feminista, e não só dele, são a demolição da antiga preocupação dos homens de crescer em sua masculinidade verdadeira (tornarem-se homens bons, como vimos). Costumes, idéias, valores e necessidades masculinas foram sendo ignorados e desprezados. 

A perda destas "coisas de homem" (e isso soa extremamente negativo a nós) criou gerações  de homens despreocupados, com consequências que foram se tornando evidentes. Quando se conhece o que é a verdadeira masculinidade, sem preconceitos ou definições de grupos, sabe-se que a sua ausência em um homem está mais para a infantilidade e fraqueza que para homossexualismo, como podemos imaginar. A geração em que vivemos é, em geral, fraca, insegura, mimada e perdida, e isso falo considerando as minhas próprias dificuldades - ou seja, considero isso uma desgraça para as gerações recentes, e não uma desgraça para homens que odeiam gente fraca ou que querem as mulheres longes de seus empregos.

As consequências do desprezo à virilidade foram tão profundas, que hoje é comprovada a infelicidade dos homens. Lideramos os índices de depressão e suicídios. Somos solitários e trabalhistas. Correspondemos à tosca imagem de animais impulsivos que se criou de nós.

Não é de minha intenção usar esta página para defender o reconhecimento da diferenças de gêneros ou me preocupar em defender a masculinidade de feministas, modernistas ou qualquer outro que a considere um mal. Posso fazer isso quando oportuno e necessário, mas não é esse o ponto. O objetivo real deste Blog é resgatar os bons valores da masculinidade, e, mais ainda, auxiliar os homens que empreendem está volta maluca às preocupações hoje desprezadas. É um blog para homens, não para modernistas revoltados, e por isso não pretendo me justificar a cada linha, temendo incompreensão por parte destes grupos.

Como já disse, as carências que percebo nos homens atuais estão também em mim. As inseguranças típicas de nosso tempo, a sensação de se estar perdido no tempo, a dificuldade em se relacionar, a fraqueza física, mental e de caráter, são todos estes problemas que me incomodam a muito tempo, e os quais eu já considerava coisa normal, comum a todos os viventes. Só quando passei a estudar outros exemplos, fora de meu tempo e de meu espaço, é que me dei conta de que algo estava errado comigo. Foi desta maneira que passei a buscar formas de recuperar em mim aquilo que minha criação e minha vida social me tinha privado: Uma boa cultura de masculinidade, que me orientasse para meu verdadeiro papel no mundo, tirando de mim o egoísmo de viver para mim mesmo, e me ensinasse a lidar com os problemas típicos de um homem.

A decisão de criar um blog sobre essa busca por virilidade está intimamente relacionada a isso. Quanto mais conhecimento sobre o assunto eu adquiro, mais acho que ele pode ser compartilhado. Exemplos como o blog americano "The Art of Manliness" me mostraram que o aprendizado de costumes e valores de um homem por esses meios não é uma futilidade, mas uma boa possibilidade. 

Por que não tentar isso para nossos conterrâneos?

É certo que os problemas aqui abordados são hoje universais, mas no Brasil ele vem por cima de uma fraca definição de masculinidade e de uma má formada cultura masculina brasileira. Não bastaria reproduzir as discussões americanas em português, se o problema é outro bem menos americano. Precisamos nos reconhecer em nosso contexto, e mudar aquilo que deve ser mudado, em um processo de construção constante. 

É por isso que não me envergonho de tentar reproduzir aquilo que aprendo e vivo para mais homens. Precisamos interagir, precisamos nos ajudar. Sem ódio, mas com amor. Sem luta, mas com construção. Precisamos recuperar em nós a hombridade verdadeira.