Mostrando postagens com marcador Masculinidade e Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Masculinidade e Vida. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de abril de 2016

"Homem não chora": Uma palavra sobre masculinidade e sofrimento


O senso comum nos diz que homem de verdade não chora. Isso pode ser entendido ao pé da letra, como dizer que homens fortes nunca derramam lágrimas, mas também que um homem de verdade não permite que seus sofrimentos o enfraqueçam.

A primeira possibilidade é equivocada. Chorar é uma forma de expressão natural, não pode ser ela mesma uma forma de fraqueza. Choramos quando perdemos alguém, assim como quando lemos uma história emocionante, mas essa mesma atitude pode ser tomada quando cortamos o dedo mindinho. 

A segunda possibilidade de interpretação de "homem não chora" é mais acertada. Quando o choro indica fraqueza, homens não choram. A questão é onde está o limite entre a fraqueza e a expressão legítima de sofrimento. Como um homem lida com o sofrimento?


1. Todo homem sofre, ainda que sem lágrimas

A verdade é que o sofrimento é parte da condição humana. Todo mundo nasceu para saber disso, ainda que tenha se esquecido. "Nós já nascemos chorando", dirá alguém. E não é à toa, pois nascer é nosso primeiro grande sofrimento físico. Nossa história pode ser contada como uma narrativa de nossos sofrimentos. Crianças devem passar por provações físicas e frustrações, adolescentes sofrem com rejeições, adultos sofrem com o peso das responsabilidades, etc. Esperar por uma vida sem sofrimentos nesse mundo é uma ilusão que é fonte de mais sofrimentos. Antes de mais nada, aceite a sua condição e aprenda a viver com ela.


2. O que é sofrer?

O que muitas pessoas não percebem é que sofrimento é um sentimento. Isso quer dizer que ele pode não condizer com a realidade daquilo que vivemos. Se sofremos com algo, isso não é necessariamente ruim, assim como podemos sofrer pouco por algo terrível. 

Isso pode ser um impedimento para resolução de problemas. Existe, então, uma necessidade de domar nossos sentimentos para reagir de forma proporcional às necessidades. Um homem que não faz isso está condenado a ser domado por suas dores, perdendo em vontade, força e até mesmo em sua independência.

Um homem que perde a mulher, por exemplo, pode sofrer de forma normal e compreensível. Mas se esse sofrimento persiste e se sustenta, há ali algo errado que impede a continuidade natural da vida dele. Ele deve domar esse sentimento para viver a própria vida sem deixar de amar e honrar sua mulher, absorvendo a perda em sua biografia.


3. Aprendendo a sofrer

Se uma criança cai e rala o joelho pela primeira vez, vai gritar, chorar e chamar a mãe. Um homem adulto fazendo a mesma coisa seria no mínimo ridículo. Por que as duas reações são tão diferentes? O que muda com o passar dos anos?

Quando a criança se machuca, não sabe calcular o tamanho de seu problema. Ela espera que o conforto de não sofrer permaneça constante e se sente frustrada quando essa expectativa é quebrada. Sua reação é encarar aquilo como um problema maior do que é e clamar pela a ajuda dos pais, dos quais ainda depende. 

Crescendo, lidamos com diversos sofrimentos e aprendemos o que esperar quando algo ruim ocorre. Isso nos faz reagir com mais calma e de maneira independente nessas situações. 

Apesar de esse ser um processo natural, isso pode ser boicotado pela ação dos pais e pela intenção do indivíduo. Um garoto mimado e super-protegido não conhece o sofrimento o suficiente para, na idade adulta, saber o que esperar e como lidar com ele. Isso explica reações infantis diante de sofrimentos bobos e o pavor de algumas pessoas em sofrer, evitando qualquer desconforto. 

O grande problema disso é que, após a infância, precisamos lidar com sofrimentos mais complexos e difíceis. É nessa época que requisitamos atenção e amor de outras pessoas, tentamos nos enquadrar em grupos, assumimos grandes responsabilidades, criamos vínculos e outras mudanças que trazem consigo a possibilidade de grandes sofrimentos desse tipo. Aí a exigência de adaptação é enorme e nos leva a uma situação próxima a das quedas na infância.

Isso significa que devemos continuar aprendendo com sofrimentos avassaladores, o que pede de nós uma forte intenção de enfrentar os problemas ao invés de buscar conforto, fugindo deles.

Se acumulamos experiências desse tipo, vencendo-as, grandes sofrimentos se tornam para nós como um joelho ralado. Dói, mas não importa tanto. A boa notícia é que isso ainda funciona muito bem se as experiências de sofrimento são imaginativas, como se compadecer do sofrimento de alguém ou ler uma história dramática.

Ao final, tudo compensa, pois você ganhará resiliência. Todo homem precisa de uma grande resiliência para resolver problemas, ajudar pessoas e exercer seus papéis.



Aqui podemos responder nossa pergunta: A diferença entre a fraqueza e um choro legítimo é que somos fracos quando o sofrimento nos faz desmoronar e perder a cabeça. O choro legítimo é só uma expressão simples de alguma emoção inevitável, que acontece apesar das nossas forças.


4. Lidando com os sofrimentos como um homem

Ao enfrentar um sofrimento, você pode precisar saber que:

  • Num primeiro momento, o problema assusta, pois não conhecemos suas proporções. Muito das reações exageradas diante de algo ruim vêm desse susto inicial. 
  • Precisamos encarar a situação de forma consciente, sem a intenção de evitar sofrer, mas compreendendo as medidas dos problemas e dando nomes às nossas dores. 
  • Não podemos nos deixar levar pela melancolia, raiva ou tristeza. Essas são visões deturpadas da realidade frutos dos sentimentos negativos que super-valorizamos.
  • É necessário atenção para não se perder a noção do sentido da vida. Nossos motivos para viver, nossas ambições e objetivos estão acima das nossas dores. Saber disso é a maior força contra o sofrimento.


5. "Um mundo sem sofrimentos"

Não é novidade para nós que nossa sociedade é um ambiente de homens fracos e emasculados. Um dos sintomas disso é a falta de capacidade para lidar com a dor. Não há mais a preocupação de enfrentar os problemas, aprender a sofrer e superar as dores. Há, antes, a reivindicação de que não hajam mais sofrimentos.

É com esse espírito que surgiram aberrações como a valorização da vitimização, a punição excessiva por ofensas, a preocupação desproporcional com o bullying, etc. 

Um homem de verdade não compartilha disso pois conhece o sofrimento de perto, como condição humana incontornável. Ele sabe que, antes de pedir ajuda aos pais (ou qualquer outra autoridade) ou cair nas garras do choro fraco, deve estar acordado para o sentido da vida e consciente de sua situação; e assim é forte. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Preocupe-se com a sua masculinidade

Talvez por algum tipo de orgulho, existe uma tendência entre os homens de pensar que a virilidade acontece quando se afirma que já a tem. Comente com algum homem sobre a crise da masculinidade e ele começará a falar como se estivesse livre disso, como se o resquício de masculinidade que ainda resta no mundo estivesse nele, enfatizando que foi educado na vara de marmelo, que gosta de jogar futebol ou que não é homossexual de modo algum.

Essa reação comum demonstra duas coisas:

  1. Muitos homens andam achando que crescimento em masculinidade ocorre por declaração. Que é algo externo que deve ser demonstrado à terceiros.
  2. Precisamos compreender melhor a crise da masculinidade e que já estamos sendo afetados por ela.

Em algumas postagens iniciais eu tentei definir um parâmetro de masculinidade que estava se perdendo e que iria ser o objeto da busca do Oficina do Homem. Alguns pontos da conhecida "crise da masculinidade" já estavam descritos ali. Mas precisamos falar um pouco mais sobre a importância de identificar e reagir às consequências disso. 

Acontece que quando nós acreditamos que não estamos sendo afetados só por que nos afirmamos muito machos, estamos sendo puramente ingênuos. A destruição de valores masculinos das últimas décadas, no Brasil, deixou poucos tijolos no lugar. A falta de referências viris, o desprezo pelo homem, a quebra das diferenças de gênero e as distorções sobre hombridade deixaram marcas tão profundas que já nem podemos perceber sem um nível maior de atenção e consciência.

Nós estamos vivendo num lixão imaginando que o problema seja a falta de banho de algumas pessoas. 

Se você tomou consciência de que já está sendo atingido, é hora de saber de onde vem os tiros. Só aí você poderá ter qualquer reação efetiva para o próprio crescimento.

1. O desprezo pelo homem

Sem vitimismo. Reconheçamos apenas que após décadas de discursos feministas que classificam homens como opressores, estupradores em potencial e agressores, a dignidade da natureza masculina sofreu. A impressão geral, hoje, é que as características masculinas são negativas, perigosas e até mesmo maldosas. 

Um exemplo de como esse pensamento afeta a vida dos homens são as leis que facilmente afastam homens de suas famílias, como se a presença de um pai numa família fosse uma espécie de risco.

De maneira geral, percebe-se também uma feminilização da sociedade. Isso não significa "imposição feminina", "empoderamento", nem mesmo "valorização feminina". É mais uma força negativa. Condenamos os objetos de interesse e práticas puramente masculinos, forçando homens a viverem como mulheres.

Caçar? Proibido. Comer bem? Faz mal. Cortejar uma pretendente? Assédio. Atirar? Crime. Fumar? Nem cigarrinho de palha. Buscar independência e autonomia? Depende do que o governo acha disso. Vestir-se como um homem? Careta. Exercitar-se? Apenas por estética, se não, violento. Administrar uma família? Machismo.


2. "Gêneros são construções sociais"

Parece algum tipo de brincadeira ou algo absurdo demais para ser uma brincadeira, mas a idéia de que homens e mulheres só são homens ou mulheres na sua parte biológica sexual vem ganhando muito volume nas últimas décadas. Mais e mais gente acredita que a diferença entre os sexos simplesmente não existe, a não ser como uma disposição sexual.

Países inteiros vêm adotando políticas baseadas nessa nova forma de pensar, inclusive o Brasil. Nada resta ao cidadão comum senão perguntar-se se há algo de errado no mundo ou nele mesmo.

A verdade é que isso nunca teve fundamento científico e pode ser desmentido por qualquer percepção realista. Você pode conhecer um pouco mais sobre essa discussão pelo documentário norueguês O paradoxo da igualdade, no qual o comediante com formação em ciências sociais, Harald Eia, investiga o porquê de seus conterrâneos continuarem escolhendo profissões de maneira tradicional apesar de tantas ações governamentais que deram à Noruega o título de país com maior igualdade de gênero.

Mesmo errada, essa concepção traz estragos terríveis:


3. A falta de compreensão da masculinidade

Esse problema é especial no caso brasileiro. Nós apagamos nossas referências e nossos valores de forma tão profunda, que não sabemos sequer para que lado fica essa tal "virilidade". Ser mais masculino, no senso comum brasileiro, tem mais a ver com o verdadeiro oposto da masculinidade.

Poucas pessoas sabem admitir facilmente a idéia de um "homem mais masculino" como alguém compromissado, responsável, disposto ao sacrifício e a defesa. 

Poderíamos classificar algumas das visões do que é masculinidade para os brasileiros em geral:
  • O Crianção. Ser mais homem é gostar de coisas que garotos de 12 anos gostariam. "Homem gosta de video game", "Quadrinho é coisa de homem", "Homem passa o dia jogando e comendo sanduíche" etc.
  • O Gordo. Fazer coisas de homem, para alguns, não é algo muito próximo do que é mostrado no filme Gran Torino, de Clint Eastwood. Seria, na verdade, algo mais próximo do Homer Simpson. "Homem bebe cerveja e assiste futebol". 
  • O Cretino. O espantalho feminista é assumido por alguns homens. São eles que criam discursos vitimistas, odeiam mulheres e imaginam que são mais másculos quanto mais maliciosos, mentirosos, vingativos e agressivos são. "Homem de verdade pega mulher e bate punheta", "Vou te levar para um puteiro para você ser mais homem", "Mulher nenhuma presta".
  • O Efeminado Ideal. Parece até inverossímil, mas muitos dos ícones de masculinidade são reconhecidos assim por que agradam as mulheres, mesmo que sejam efeminados em muitos sentidos. Cabelos e pele bem cuidados, corpo depilado, traços infantis e movimentos delicados. Esses são os mesmos que "servem" às mulheres, não por que são cavalheiros, mas como uma espécie de "amiga útil". Eles pintam as unhas da namorada, fazem brincadeiras fofinhas, etc. "Homem de verdade ajuda a escolher a roupa da namorada".
  • O Musculoso. Com a moda da academia, surgiu a noção de que músculos e virilidade são equivalentes, ainda que isso seja conquistado com hormônios femininos. "Homem de verdade não é frango".
  • O Barbudinho. Na onda dos lumbersexuais, são homens que se vestem como um protótipo de lenhador que não deu certo. A barba voltou a ser um sinal de masculinidade. Basta que você seja barbudo, beba umas brejas e use couro, você pode até beijar outros homens de forma máscula. "Homem de verdade não faz a barba".

Todas essas visões de masculinidade tem algo em comum: elas guardam algo de verdadeiro sobre a masculinidade, mas deturpam isso até o seu oposto. Por exemplo: o macho "musculoso" parte do princípio verdadeiro de que homens tem que cuidar de seu corpo e de suas capacidades, mas esvazia essa atitude, chegando à idéia de aumentar os músculos por futilidades, como para agradar outros homens.

É até previsível que tomemos as coisas assim. Quando se perde o sentido verdadeiro de algo, os detalhes são enfatizados e preenchidos de novos sentidos diferentes.


4. Falta testosterona

É normal que o nível de testosterona caia com a idade de um homem. Mas estudos mostram que o nível de testosterona  em homens vêm reduzindo de maneira generalizada há décadas, chegando hoje a números preocupantes. 

Entre as muitas causas, considera-se o uso de aparelhos celulares (cuidado com eles) e a alimentação. Numa época em que comer carne é quase um crime, não poderia ser muito diferente.

Além disso, a testosterona é muitas vezes relacionada ao comportamento antissocial e ao machismo, o que vêm prejudicando a conscientização dos homens sobre essa queda. 

Ignora-se que o hormônio é essencial para uma boa qualidade de vida e saúde masculina. Considere, por exemplo, que a dificuldade de criar músculos e pelos, depressão, falta de concentração e impotência sexual estão entre algumas consequências da deficiência de testosterona.


5. Consequências

As consequências disso tudo, de maneira geral, é uma geração de homens perdidos em relação a si mesmos, seus papéis e até seus próprios corpos. Não é à toa que o número de suicídios entre homens se tornou uma epidemia mundial. No Brasil, um dos países de maior taxa de suicídios do mundo, o número de casos entre homens superam os entre mulheres. 


6. Conclusão 


São muitos pontos que convergem contra a masculinidade, o que nos trouxe a uma situação insuportável. Preocupar-se com isso e fazer algo para mudar é um benefício para si mesmo e para a sociedade.

Para começar, aceite que essa é a nossa situação. Reconheça os pontos onde está prejudicado. Isso não diminui sua honra ou dignidade, pelo contrário. Só assim você poderá adquirir os meios para se tornar um homem como já quase não se pode ser: um homem de verdade. Este, por acaso, é o propósito desse blog. Conte conosco!




terça-feira, 29 de março de 2016

O que são medo, covardia e coragem?


O vídeo acima faz rir pela reação de pavor do homem que pensa encontrar um urso real. Perceba que logo após perceber a presença do "urso", ele tem uma reação súbita: virar e correr. A obstinação com que corre e o fato de nem mesmo olhar para trás indicam que esse homem está com muito medo. Não houve tempo para pensar em nada por que ele foi tomado por um instinto de sobrevivência.

Depois de algumas risadas, podemos ser mais justos: Como você reagiria nessa situação? Para responder isso, considere que em algumas regiões do mundo (provavelmente a que acontece a pegadinha está inclusa) a presença de ursos é um risco constante. No Brasil estamos acostumados a vê-los como bichos fofinhos e brincalhões, mas esses animais podem ser extremamente agressivos. Os ataques de ursos são relativamente raros, mas frequentes o suficiente para preocupar pessoas em áreas de risco. 

Alguém tentou se esconder de um urso dentro de um carro.
Parece que isso não impediu o bichinho.
Existe pouco conteúdo sobre esse assunto em português, mas uma busca rápida sobre ataques de ursos em sites na língua inglesa revela uma forte preocupação com a redução desses ataques. Veja, por exemplo, que há uma lista de ataques na Wikipédia em inglês, e diversas páginas ensinando como se proteger desses animais. Não é uma preocupação vã. Ursos em geral não precisam de bons motivos para atacar. São enormes, muito rápidos, muito fortes e estão constantemente mudando de território. Ou seja: Se você morasse em um lugar de risco, uma criatura cheia de instinto e capacidade para matar poderia estar a qualquer momento no seu quintal. 

Sabendo disso, é mais fácil compreender a reação do homem ao encarar um amigo sacana vestido de urso. A preocupação em encontrar um urso negro já deve ser constante naquele ambiente. O medo foi causa de um comportamento quase irracional que pode ocorrer em qualquer um de nós

Isso é assim simplesmente por que somos humanos.

É claro que diferentes homens lidariam com isso de diferentes formas. Mas, em geral, todos estamos susceptíveis ao medo. Pode ser desmoralizante, mas correr como o homem do vídeo não pode ser um motivo para taxá-lo de covarde. 

É isso aí: Medo e covardia são coisas diferentes. Mas o que é medo? E covardia? E onde entra a coragem?


1. Medo

O medo é uma reação do corpo ao perigo ou a alguns estímulos que imitam uma situação perigosa (como assistir um filme de terror). Quando você tem medo, libera adrenalina, cortisol e outros hormônios que te preparam para uma luta ou uma fuga. O cérebro humano está sempre "rastreando" o risco de morte no ambiente. Quando ele interpreta uma situação como perigosa, quer que nos sintamos estressados. Esse é o nosso "modo de sobrevivência".

Esses instintos são uma faca de dois gumes.

Eles são úteis em situações de perigo real. Imagine, para exemplificar, que aquele urso fosse real e o homem não reagisse da mesma maneira. Foi o medo que garantiu a sobrevivência humana num passado repleto de perigos reais.

O estresse em exagero, porém, pode ser um problema. Considere como exemplo que você paralise de medo numa situação em que seu filho precisa de ajuda. Esse é o caso em que medo se torna pavor e nos leva a reações irracionais que podem atrapalhar muito mais do que ajudar.

O remédio para isso é domar o medo ao nosso favor, investindo na presença de espírito. Isso reduz os efeitos negativos trazidos pelo pavor. Além disso, te permitirá tomar decisões baseadas na atuação do estresse em doses saudáveis.


Vamos ilustrar isso com um exemplo: 

Se alguém invadir a sua casa, você pode se apavorar e literalmente defecar nas calças. Isso realmente acontece. Nesse caso, você e sua família estariam em risco, e você não poderia reagir adequadamente. Com uma boa presença de espírito, você não sofreria com a irracionalidade do pavor, mas ainda poderia ser beneficiado pelo estresse. Você poderia contar com um alto nível de atenção para o perigo, distribuição de energia e respiração adequados para o combate, etc.


Mas o que me levaria a colocar minha própria vida em risco dessa forma? A resposta para isso está na definição da coragem e da covardia.


2. Coragem e covardia

O medo não é exatamente um oposto da coragem. As reações corporais ao perigo e o estresse podem conviver com um espírito verdadeiramente corajoso. O verdadeiro oposto da coragem é a covardia.

As reações corporais ao perigo não envolvem valores e questões morais. São causadas por hormônios. Mas como comportamentos de motivação biológica, elas podem ser controladas. A coragem e a covardia são posturas diante do medo.

Ilustração de Davi e Golias


A coragem não é ausência de medo, mas um enfrentamento da situação de risco. Certos momentos exigem que aprendamos a nos colocar em risco, mesmo que o corpo vacile. Em alguns casos, a motivação para isso tem a ver com proteção. Lembre-se de que é dever masculino proteger nossas propriedades, famílias e nos sacrificarmos por aquilo que amamos. Se homens não arriscam as próprias vidas por isso, ninguém mais pode fazer em seus lugares.

A covardia é o apego às reações do medo que encobrem os valores em questão - como a vida de outras pessoas e os compromissos de sacrifício e defesa -, o que nos leva à autoproteção irracional. O covarde não sente mais ou menos medo que o corajoso. Ele só coloca as sensações negativas do medo e a própria vida acima de tudo mais. Essa atitude é obviamente egoísta e, em homens, é digna de desprezo.


Um exemplo para ilustrar essa diferença é o caso do Costa Concordia, cruzeiro que naufragou deixando mortos e feridos na costa da Itália. O capitão abandonou o navio antes de todos os viajantes. Como alguém nessa posição tem um compromisso com a sobrevivência dos passageiros, o homem foi condenado a 16 anos de prisão. O "capitão covarde", como ficou conhecido, priorizou a própria vida, deixando incapazes morrerem.


3. Conclusão


Buscar a verdadeira masculinidade é também aprender a domar os instintos pelo bem daqueles que amamos e nos compromissamos. Um homem honra seus compromissos e busca proteger quem precisa. A coragem é, por isso, um importante valor masculino. 

Mas reagir com coragem também é necessário nos pequenos riscos que medrosamente tomamos como situações de vida ou morte. Conquistar uma garota, falar em público, conseguir um emprego e outras situações desse tipo podem nos despertar as mesmas sensações físicas de estar diante de um falso urso negro. Aí também precisamos desprezar a covardia e buscar a presença de espírito.

sábado, 19 de março de 2016

Por que todo homem deve lutar pela liberdade de seu país?


Às vezes a situação política de um país está claramente desfavorável à liberdade dos seus cidadãos. Quando isso acontece, negar o problema ou deformá-lo é agir com cumplicidade. Mas não fazer nada pode ser ainda pior, pois é omissão. 

Nosso país está nessa situação.

A história está cheia de momentos assim. Muitas pessoas perceberam que há uma relação direta entre a ação defensiva de homens bons e as tentativas malignas de tiranos e bandidos:

"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que os bons homens não façam nada." - Edmund Burke

"A audácia do maus, se alimenta da covardia e da omissão do bons" - Papa Leão XIII

"Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos." - Martin Luther King

Mas se você ainda precisa de motivos para lutar a favor da liberdade brasileira, aqui estão alguns.


  • Você faz parte disso. Estamos tão acostumados a imaginar que as coisas acontecem por cima de nós, que achamos que não temos participação nos acontecimentos de nosso país, por que não somos políticos. A verdade é que qualquer situação de paz e liberdade sempre é garantida pela participação e influência da nação, algo do qual você faz parte. 
  • É da sua conta. Os acontecimentos de seu país pesam sobre você, mesmo que de maneira indireta. Se você não sente isso, não vai querer esperar até que a situação se torne insuportável. Sob um regime de maior opressão, a dor é sempre pior, e não estou falando somente da parte financeira. 
  • Faz parte de seus deveres. Todo homem deve se sentir responsável pela segurança daqueles que lhes são próximos, todo homem deve ser solidário com a pobreza e todo homem deve ser um bom administrador de sua família e, como consequência, representá-la em meio aos problemas que lhes cercam.  
  • Não há sociedade com "o problema não é meu". Se uma crise como esta não te afeta diretamente, o que te faz se sentir livre do problema, a caridade prestada aos seus cidadãos é o que garante seus benefícios em participar daquela sociedade. Então o problema é seu.
  • Alguém precisa se sacrificar, e precisa ser um homem de verdade. Ou você espera que mães, mulheres e crianças façam isso por você? Ou você não quer ser um homem de verdade?
  • Situações assim chamam os poucos homens corajosos. Você se inclui nesse grupo?

Podemos terminar com um trecho do nosso hino, fonte de inspiração para todo homem brasileiro:

Brava gente brasileira! 
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Os três deveres de todo homem 4: A Provisão



Estamos acostumados com algumas facilidades que nos fazem esquecer por que as coisas são como são. Uma dessas facilidades é ter muitas coisas disponíveis a qualquer momento. É daí que vêm algumas piadas para crianças mimadas, como "você acha que o leite vem do supermercado?". O fato de muitos bens estarem acessíveis nos fazem, às vezes, achar que as coisas são assim naturalmente.

Não são. Se há carne na geladeira do açougue, é por que ela já passou por um processo complexo que envolve muita gente diferente. Isso, obviamente, nem sempre foi assim, e em alguns lugares continua não sendo. Em outras épocas e em outros lugares do planeta, pessoas precisam ir atrás do próprio alimento e fabricar aquilo que precisam para sobreviver.

Esse não costuma ser um trabalho simples. Imagine ter de sair de casa quando se é vizinho de animais perigosos e se mora num lugar de clima hostil. Não é raro que a fonte de alimentos e materiais estejam em lugares extremamente perigosos. Não é raro também que conseguir isso seja uma atividade perigosa e trabalhosa.

Quando desenvolvemos a agricultura e a criação de animais, melhoramos nossa situação, mas não sanamos todos esses problemas. Um agricultor ou criador ainda precisa lidar com animais, pestes e ladrões; e trabalhar duro.

Todas essas dificuldades sempre nos empurraram para a uma configuração natural de deveres: o trabalho de provisão é um dever masculino.


1. Caçar e colher

A caça, agricultura e coleta são as práticas mais antigas de provisão de alimentos. É interessante perceber que a caça, apesar de todas as inovações na aquisição de alimentos, continua servindo a essa função.

O motivo para isso vai além da sua necessidade para proteção de espécies e defesa, que contribuem para que continue sendo praticada. Uma caçada ensina - e qualquer caçador pode confirmar isso - o verdadeiro sentido da provisão, como o homem colocando em prática sua disposição para predador e estabelecendo uma relação com a natureza na qual ele vive.

Isso quer dizer que se nós perdemos o fio da realidade da provisão, enterrando-o sob várias camadas de diferentes processos, com a caçada e a colheita voltamos ao seu estado puro e essencial.


2. Trabalho

Isso quer dizer que o trabalho como temos atualmente é algo ruim? Devemos voltar todos para a caça e agricultura?

Não. Não há mal em trabalhar de forma "indireta" e conseguir dinheiro servindo a uma empresa ou organização. Mesmo que isso ofusque o primeiro sentido de provisão, não quer dizer que não haja provisão verdadeira dentro disso tudo. Só não podemos perder esse sentido tão facilmente.

Trabalhos e serviços para organizações e terceiros são, então, uma forma legítima e máscula de provisão. Através disso estamos servindo à sociedade, provendo também aos nossos iguais. Isso deve ser sempre uma boa motivação para que estejamos ativos, além da necessidade de sobreviver, é claro.



3. Papel de provedor na família
Dentro de uma família, o dever da provisão é compartilhado com a esposa, visando a sobrevivência do casal e dos filhos. É importante reafirmar o óbvio: mesmo que crianças façam pequenos trabalhos, elas não possuem obrigação nem estrutura para garantir o próprio sustento. Ninguém mais é responsável por essa garantia além dos pais.

A dinâmica familiar para conseguir alimentos sempre incluiu o casal no dever da provisão, mas dividiu homem e mulher para diferentes papéis.

Ao homem sempre coube conseguir os bens. Roupas ou couro; geladeiras ou lenha; carne de caça ou de açougue; peixe fresco ou da feira; móveis feitos ou comprados; qualquer bem que uma casa precise deveria ser conquistado pelo trabalho do homem.

A mulher, parceira, sempre cuidou da administração dos bens da casa. Cozinhando, lavando, limpando, distribuindo, preparando ou armazenando, a mulher participa na provisão dos bens.

O homem precisa sair da casa e trabalhar para adquirir bens. A mulher, na casa, cuida para que esses bens sirvam da melhor forma para a família inteira. É claro que a mulher pode, e às vezes precisa, trabalhar, mas isso não modifica, necessariamente, a divisão de papéis e obrigações aqui descrita.

Essa dinâmica sofreu mudanças profundas recentemente, mas os últimos 50 anos não podem sobrepor a forma como as coisas sempre foram feitas em uma família. Se hoje as coisas estão diferentes, ainda não é errado afirmar que essa é a dinâmica familiar para provisão que nos levou aonde estamos.


4. A acomodação 

Negligenciar a obrigação à provisão é mal visto pela sociedade, e há um motivo para isso.

Quando um homem nega a provisão para si, obriga que outros o sustentem, o que muitas vezes acontece por intermediação estatal. Se um homem tem uma fonte justa de sustento sem trabalho, está usufruindo de bens que a sociedade lhe oferece sem contribuir em nada para ela. Quem despreza o dever da provisão se acomoda nos benefícios de outros. 

Nem é necessário comentar os casos de descumprimento desse dever dentro de uma família, não é?

É claro que existem casos nos quais um homem é impedido de trabalhar. Isso não é o mesmo acomodamento, e é sempre viril ajudar pessoas assim. 


5. Conclusão

Prover para si mesmo e para a própria família faz parte de ser um homem. Ao contrário do que alguns dizem, esse não é um fardo ou desgraça, mas é simplesmente garantir a nossa sobrevivência nesse mundo. Voltar às raízes da provisão nos ensina como isso é necessário e como é insustentável que nos acomodemos na ilusão de que sem serviço poderemos sobreviver de forma justa.



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


terça-feira, 1 de março de 2016

Os três deveres de todo homem 3: Proteção


Não houve tempo em que defesa fosse uma atividade preferencialmente feminina. Quando mulheres trabalharam para proteção, não o fizeram de forma prioritária. Se alguém tem que entrar em um campo de batalha, é um homem. Se alguém pode entrar em um campo de batalha, só às vezes é uma mulher.

Existem explicações biológicas para isso:

  • Homens possuem mais massa muscular, mais células vermelhas por volume de sangue, maior inclinação à agressividade, melhor percepção espacial, ossos mais fortes, entre outras características que nos tornam biologicamente mais capazes de lutar.
  • O número de mulheres de uma espécie é determinante para o sucesso evolutivo desta espécie (que é ligado à reprodução). Isso não se aplica de forma tão direta aos homens. Colocar a vida de um homem em risco é menos prejudicial que a de uma mulher.
Mas não somos gado. Não se pode tratar homens como bois reprodutores, únicos numa fazenda ou prontos para morrer ou matar; tratados com indiferença. Nossa espécie dominou a terra pela cooperação e dedicação ao próximo, manifestadas de forma mais evidente nas famílias. Esse é o caminho pelo qual os homens deram suas vidas. Não há um descarte: há um sacrifício pela vida de seus amigos. 

Nisso se baseia o dever da proteção: se há risco de vida, os homens é que devem carregá-lo e vencê-lo. Somos os mais capazes e mais indicados para isso. 

Encaremos esse dever com a seriedade de um garotinho brincando de super herói: sem medo ou auto-piedade, mas disposição para a grandeza e o bem.


1. A ilusão da segurança

Antigamente havia muito mais medo, o que exigia dos homens mais coragem. Hoje temos uma confortável ilusão de que o perigo é uma exceção, o que nos tornou covardes. A grande diferença entre esses dois tempos é que os nossos antepassados viviam riscos diretos e constantes, com a responsabilidade individual de sobreviver. 

Com o passar do tempo e das civilizações, armamos muros cada vez maiores contra os perigos que nos assombravam. Na idade média a proteção era uma aliança valiosa, base do feudalismo. Com seu fim, foi se tornando responsabilidade do Estado.

Só muito recentemente aceitamos que o papel do cidadão comum diminuísse tanto nessa área, reduzindo-se a quase zero. Uma atitude muito comum é simplesmente confiar em terceiros, imaginando-se totalmente livre de cuidar da própria segurança. Isso não é uma ilusão só por que existem exemplos de falhas graves na segurança estatal (o caso do Brasil é um dos principais), mas também por que essa transferência de deveres é impossível. Homens de bem sempre deverão se responsabilizar pela própria segurança, mesmo com a ação de uma força policial.

Os motivos para isso vão da incapacidade da policia de impedir todos os crimes à instabilidade de qualquer ordem humana. Somos levados a crer que dificilmente estaremos envolvidos em guerras, ataques, surtos ou qualquer outro perigo. Essa é uma mentira paralisante, parte da crise que sofre a masculinidade no mundo.

No Brasil existe reação a isso. O motivo é simples: nosso país é um dos mais violentos do mundo. Estamos sentindo na pele o erro de crer que não há motivos para estarmos preparados. Que isso não nos leve para covardia generalizada, mas para a bravura viril e cumprimento do nosso dever.


2. Homem e natureza

Não só no passado a natureza apresentou riscos de grandes proporções aos humanos. Nem é preciso ir para muito longe das grandes metrópoles brasileiras para confirmar isso. Uma das muitas ações de proteção contra animais, e talvez a mais antiga e importante, é a prática da caça

A caça legal serve ao controle de superpopulações de animais e é uma forma de preservação das espécies. Mas mais do que isso, sua prática traz habilidades necessárias para defesa contra ataques de animais. Para entender como isso pode ser uma necessidade, imagine que moradores do Alasca, região de muitos ursos, não pudessem usar a caça para defesa. É possível que não houvesse mais humanos habitando o lugar em alguns anos.

No Brasil a caça vem sofrendo restrições, mas ainda há seu uso para um controle adequado de espécies e segurança de populações.


3. Pai protetor

O pai é o responsável pela segurança de sua família. É dever dele:
  • Cuidar da casa estruturalmente para que ela seja sempre segura.
  • Determinar rotinas e procedimentos que visem evitar perigos (como um horário para trancar as portas e janelas).
  • Agir no caso de um ataque ou invasão. E para isso, arme-se.


Novamente, assuma esse dever. Não basta instalar um bom alarme e esperar que alguém cuide disso para você. A vida e dignidade da sua família não pode ser terceirizada.

Entretanto, é preciso calma. Medo e preocupação não podem te levar ao desespero. Não transforme a vida de sua família em um inferno sem necessidade para a proteger de sua imaginação. Conheça o perigo, prepare-se e aja. Não é momento para atitudes extremas que vão contra o bem-estar de quem você quer bem.

Cabem aqui os 8 conselhos para melhorar sua presença de espírito, já postados nesse blog.


4. Protetor na sociedade

Capacitar-se serve também para a defesa de pessoas dentro da sociedade. Isso se dá tanto pela participação em guerras visando a defesa de seus conterrâneos, como na ação de forças contra o crime - como a polícia -, mas também em ações individuais de proteção. Um exemplo recente dessa última foi o ato heroico de Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, nas escadarias da Catedral da Sé, onde uma mulher era mantida como refém. Francisco colocou sua vida em risco atacando o sequestrador, que atirou nele e foi morto pela polícia. Esse é um grande exemplo de masculinidade vindo de um morador de rua que morreu pela vida de alguém que não conhecia.

Há ainda um combate que não pode ser ignorado e que se faz obrigatório em certos casos: a resistência contra a tirania. Quando o Estado, que deve servir ao povo, faz do povo seus servos, há tirania. O resultado desse abuso é frequentemente perseguição e morte. Ninguém mais pode agir contra essa situação, se não os homens de bem, dispostos a lutar pela liberdade de seu povo. 


5. Conclusão

É dever de cada homem se sentir responsável, mesmo que de maneira limitada, pela própria vida e segurança, pela de nossas famílias e de inocentes. Nós quase sabemos disso quando escolhemos nossas brincadeiras infantis. Poucos meninos não gostam de brincar com armas, encenando guerras e se fazendo de super heróis. Preparar-se, capacitar-se e estar atento para agir na hora certa são atitudes inspiradoras. Esse dever, como os outros, toca na nossa natureza. Mesmo assim, isso é largamente ignorado nos dias de hoje, o que
exige mais ainda de nós.



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Fotos do Brasil antigo que servem de inspiração para os homens brasileiros

Nesse blog estamos sempre falando de aprender com nossos avós. Essa postagem foi feita para que nos deixemos inspirar pelos antigos brasileiros, os homens que formaram nosso país. Tomemos suas atitudes e virtudes como modelos!

Olhe essa seleção de fotos com atenção aos seus detalhes.

Amolador
Marc Ferrez, 1899. Rio de Janeiro.

Volta de uma caçada
Curitiba, 1927. (Arquivo Pessoal de Silvia Elena Merlin Plotz‎)

Autorretrato de Vincenzo Pastore
1910. São Paulo.

Homem atirando com arco e flecha
Carlos Dhein, 1890. Rio Grande do Sul

Garrafeiros
Marc Ferrez, 1895. Rio de Janeiro.

Gaúcho 
1890, Rio Grande do Sul.

Homem lendo jornal na porta de estabelecimento comercial 
1910,  São Paulo.

Homens Conversando
Vincenzo Pastore, 1910. São Paulo.

Rali de São Paulo a Montevidéu, na passagem por Itajaí
1940. Itajaí, SC.

Locomotiva
Marc Ferrez, 1880. Estrada de ferro Rio-Minas.

Carroça de cervejaria atolada na lama
Vincenzo Pastore, 1910. São Paulo.

Homens carregando uma tora de imbuia
1941. Três Barras, Santa Catarina.


Pérolas, não? Uma boa amostra da nossa tradição masculina brasileira. Vamos dar continuidade a isso!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Os três deveres de todo homem 2: Paternidade

A primeira coisa que você deve saber sobre o dever da paternidade é que ele não é cumprido somente quando se tem filhos. Existem pais de muitos filhos que não cumprem esse dever e homens sem filhos que o cumprem. Quando nos referimos à paternidade, falamos de uma parte da condição masculina que envolve a capacidade para o papel de tutor, educador, guia e líder.


Todo homem tem a necessidade de liderar, guiar e tutorar; como um pai para um filho. Isso significa que um padre, que não pode formar uma família, ainda pode exercer a paternidade quando é um bom pároco. Significa também que o envolvimento de homens com a liderança - seja em empresas, comunidades ou instituições - está intimamente ligado a esse dever masculino.

Disso não se implica que todos os homens devem ser líderes comunitários, presidentes de empresas ou presidentes da república. Pelo contrário: Todo homem é chamado a guiar, liderar e tutorar - como um pai - mesmo um pequeno grupo, como uma família, sem que se perca em nobreza e responsabilidade.


1. Paternidade na família

A paternidade na família é grave por que essa é a comunidade por excelência. Todas as outras organizações e instituições humanas são formas de gerir as relações entre famílias e garantir a liberdade delas. Isso faz esse tipo de agrupamento o mais importante de todos. 

Qualquer família só pode ser reduzida aos indivíduos que a compõe. Estes têm entre si uma relação de hierarquia: Os pais regem a si e aos filhos, enquanto os filhos se submetem aos pais. Ao contrário do que parece pelo espantalho que fazem disto, a divisão de papéis na família não coloca a mulher em um plano inferior ao homem, mas sim num plano de parceria. Ao homem cabe assumir riscos, decidir e mobilizar; a mulher é sua auxiliar, colaboradora e beneficiária; uma sócia discreta atuando para o sucesso da família. Ela precisa estar submissa a ele e não criar conflito com suas decisões se quer ver qualquer sucesso. Digamos, para esclarecer melhor, que numa família o homem toma as decisões que envolvem a todos, mas não pode fazer isso sem a participação de sua esposa. Já a esposa, auxilia seu marido em suas decisões e não pode agir como "não colaboradora", o que significa cumprir as decisões feitas pelo homem com a sua participação. Isso nem se parece com uma relação de "senhor e escrava".

Pais também não são senhores de seus filhos. Ao contrário, seu dever é cuidar deles para que possam crescer como boas pessoas. Para isso os homens devem lhes prover bens materiais (dever que vamos falar na próxima postagem da série) e os educar da melhor forma.

Essa educação é essencial para a paternidade. Pais esperam que a escola eduque seus filhos. Na verdade a escola só existe para formar crianças em conteúdos básicos. Educação, que é o desenvolvimento de um ser humano, é papel exclusivo dos pais e das mães. Para os pais, pesam mais a atuação na imposição de limites, correção e transmissão da verdadeira masculinidade aos filhos homens. Repare: se seu filho precisa ouvir um "seja homem", deve ser de você, homem.

Mas entre pais e filhos também deve haver colaboração. Pais devem administrar a família visando também o crescimento saudável de seus filhos, enquanto os últimos devem aceitar as decisões de  seus pais, compreendendo que, antes de sua maioridade, são os seus responsáveis por decidir pelo seu bem.


2. Paternidade e autoridade

Ser pai de família é uma forma especial de paternidade, mas esse dever também se relaciona à administração e liderança de comunidades e instituições. O motivo da preferência de homens para serem os que se envolvem em questões políticas e administrativas está muito próximo ao motivo pelo qual homens são sempre os pais de uma família.

Estar em um cargo de liderança é se colocar em exposição para mobilizar pessoas a algum tipo de sucesso comunitário. Um líder deve ter voz firme (assim como um pai) e sabedoria para que isso ocorra. É necessário também que quem assuma essa responsabilidade esteja pronto para colocar sua vida em risco pelo bem do grupo. Os líderes entram na linha de frente, e isso é que faz com que mereçam respeito e obediência.

Esse papel pode ser deturpado, é óbvio, como  constantemente acontece. Homens de verdade que assumam um determinado poder para se sacrificar pelo bem de grupos e instituições sempre são necessários. Hoje, em meio a uma crise da masculinidade, sentimos que essa necessidade se faz ainda maior.

Assumir essa responsabilidade, entretanto, exige algo mais que ser um homem. É uma questão de vocação. Se política ou liderança de grupos não é para você, assuma sua família e trabalhe para ela.


3. Paternidade e indivíduo

O dever da paternidade também envolve uma atitude masculina de independência e autossuficiência. Ser capaz de tomar suas próprias decisões, segurança, capacidade de ficar sozinho e coragem capacitam você a viver uma "liderança de si", que é condição para liderança de qualquer outra coisa.

Essa independência também envolve educação. O processo de educação nunca ocorre sem a ação do indivíduo. Ela sempre é, de certa maneira, uma "auto-educação". Isso quer dizer que, esteja você em um curso, escola ou faculdade; nunca deixe sua educação nas mãos de alguém. Você deve ter as rédias desse processo em suas mãos.


4. Servilismo

Toda a idéia do dever de paternidade vai de encontro a ambição de alguns homens de viverem como se não fossem chamados a tomar decisões e atitudes, mesmo que em relação a própria vida. Isso é chamado de servilismo, um comportamento covarde que leva a uma forma dependente de viver.

Mesmo alguns homens em guerras, que eram submissos e estavam prontos para morrer pela vitória a qualquer hora, lutavam pela própria liberdade e de suas famílias ativamente. Isso mostra que o espírito servil não é apenas um ato de submissão qualquer, pois participar de uma hierarquia é natural. Esse espírito se define pela ausência de decisão e liderança de forma generalizada.

O servilismo também não é um sintoma de simples preguiça e moleza. Quando alguém age nesse espírito, o faz de maneira ativa e muitas vezes irascível. O homem de atitude servil está constantemente a espera de estímulos e ordens externas de grupos e autoridades, mesmo que elas cheguem na forma de pressão social. Respeito humano, bajulação, covardia e atitude defensiva são as formas clássicas de manifestação dessa atitude emasculada.

Esse é certamente o pior sintoma da falta da paternidade. O crescimento do servilismo é a morte da paternidade e a paternidade é o remédio ao servilismo. 


5. Conclusão

Fugir do seu dever de estar preparado para a paternidade e de ser um pai quando necessário, te leva ao servilismo, inação ou egoísmo. Todo homem é chamado a contribuir com a liderança, acrescentando coisas boas ao mundo através de mobilizações e decisões, ou ainda com grandiosos pequenos feitos, como ter um filho.





Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


sábado, 20 de fevereiro de 2016

"Dê o fora do meu gramado!" - Masculinidade e propriedade

"Dê o fora do meu gramado!"
Precisamos falar de Gran Torino em outra postagem.

Muito provavelmente você teve brinquedos quando criança. Também é provável que você já tenha mostrado um brinquedo para outra criança, seja um amigo, conhecido ou irmão. Isso significa que você deve ter passado por pelo menos uma dessas situações que muitas crianças passam: 
  1.  A outra criança fica interessada no seu brinquedo. Você percebe, fica enciumado e deixa bem claro: "É MEU!". 
  2. A outra criança toma seu brinquedo e não quer te devolver. Depois de muito tempo você fica irritado e grita: "É MEU!"
  3. A outra criança fica interessada no seu brinquedo. Você percebe e diz: "Quer emprestado?".

Quem passa por situações parecidas começa a lidar com situações que envolvem a idéia de propriedade. Noções de propriedade começam a aparecer em crianças de, em média, 2 anos, mas são nas experiências de relacionamentos que se amadurece nesse sentido

A imaturidade da infância leva a erros muito fáceis de perdoar. A masculinidade, por sua vez, é oposta à criancice, o que faz do aprendizado dos valores relacionados à propriedade uma obrigação para qualquer homem. Isso também é assim por que a propriedade está intimamente ligada aos papéis de um homem e suas responsabilidades.

Há, porém, muita confusão nesse sentido. Devemos acreditar na propriedade como um direito? Não quero aqui defender modelos econômicos, mas partiremos do princípio de que a propriedade privada é um ponto indiscutivelmente justo e necessário para a liberdade. Talvez isso fique mais claro a frente. 


1. Propriedade e família

Como mostra o livro "Luz Sobre a Idade Média", de Régine Pernoud, a relação da masculinidade com a família e a propriedade muda de forma dramática com a passagem da Antiguidade para o período que se convencionou chamar de Idade Média. Antes o homem era o verdadeiro cidadão e proprietário exclusivo de todos os bens da família, tendo sobre eles um poder quase ilimitado. A família, nesse período, está toda submetida a figura do pai, o que incluía os rapazes. Ao pater familias cabia até mesmo a escolha sobre a vida e a morte dos seus filhos, tratados também como propriedades negociáveis. Um homem só se via livre da autoridade de seu pai quando ele morria, e ainda assim havia a possibilidade de que o chefe da família não transmitisse herança através do testamento.

Bem diferente é essa relação na Idade Média. O centro da vida social era, agora, a família. Das tradições pagãs vem a idéia de solidariedade familiar, na qual cada parte contribui com o todo. O pai passa a preencher o papel de administrador, não mais "tirano": "Trata-se de um gerente responsável, diretamente interessado na prosperidade da casa, mas que cumpre um dever mais que exerce um direito", escreve Pernoud. 

O pai medieval, diferentemente do pater familias romano, tinha o dever de cuidar dos que eram mais fracos - as crianças, mulheres e servos. A propriedade estava em sua administração e uso, mas era na verdade um bem da família, que deveria ser transmitido para as próximas gerações. Havia um cuidado para se estabelecer as normas justas de herança, quase sempre sendo o mais velho o maior beneficiado. Ao atingirem a maioridade, os filhos já poderiam ser donos de si, apesar de sempre contarem com o auxílio da família.

Hoje não percebemos regras tão claras, mas elas existem. Com a economia capitalista, a ideia de propriedade privada ganha força, dissolvendo a "propriedade familiar" e a obrigação de a transmitir por herança. Mesmo que ainda se veja muitos filhos herdando casas e bens de seus pais, o normal e esperado é que cada um que se emancipe consiga sua própria moradia e bens através do trabalho. Isso indica que o pai, ainda o proprietário mais comum, guarda a característica de gestor. Ele continua encarregado de manter a prosperidade familiar e proteger os mais fracos de sua família, assim como os medievais. Onde há famílias, há pais que administram as propriedades visando o melhor para sua mulher e filhos, e isso mantém o contraste com o papel do pai romano.

Resumindo, em relação a sua família e propriedades você deve sempre se lembrar que:

1. Sua casa, se é sua propriedade, é sua. Mas ela serve para sua família. É seu dever mantê-la útil e segura para sua mulher e filhos.
2. Edward Coke já disse: A casa de um homem é o seu castelo. Isso significa que ela é o seu refúgio e está submetida a sua administração. Mas isso não te coloca como senhor absoluto de nada. Não há liberdades extremas sem compromissos como no tempo do pater familias.
3. Viver em família significa ter bens só seus e bens compartilhados. Um pai de família provê os bens à sua família, logo é o compartilhador por excelência. Compartilhe com amor e será um exemplo de solidariedade aos seus filhos.


2. Propriedade e solidariedade

A criança da situação 3, do início desse texto, aprendeu que ter algo possibilitava que ele sanasse o desejo e necessidade de outros que não tinham. Não há solidariedade sem que haja propriedade para se abrir mão voluntariamente. Ações como essa foram a base do crescimento de civilizações e estão presentes na estrutura familiar, como comentamos.

É uma possibilidade que suas propriedades sejam usadas e passadas para o bem de outros. Mais ainda, ações desse tipo foram determinantes para que você tenha qualquer coisa que tem hoje. É, portanto, de grande virtude um homem que saiba compartilhar seus bens e praticar a solidariedade. Afinal, masculinidade é sacrifício, não é mesmo?


3. Protegendo o que é seu

"[...] É necessário preservar a propriedade privada; pura e simplesmente por seu outro nome ser liberdade. Por um lado, longe de ser uma mera respeitabilidade convencional, é apenas o homem possuidor de alguma propriedade e privacidade que pode viver sua própria vida livremente." G.K. Chesterton

Ter algo implica responsabilidades. Uma delas é proteção. Ao administrar seus bens tenha em relevo que é seu papel cuidar da segurança deles, o que pode implicar na segurança de sua família. Nunca deixe de se preparar e de se armar para defender aquilo que tem de precioso.

Infelizmente, pela recorrente desvalorização do direito a propriedade privada e o abuso de elites estatais, surge, em nosso tempo, a ação do Estado contra a propriedade, família e indivíduo. Esse cenário desperta a necessidade de combate ao Estado intromissivo, desapropriador e tirânico. Exemplos de homens que verdadeiramente se opuseram a essa situação estão em toda a história do século XX. Sejam em guerras, perseguições políticas ou guerrilhas, nomes de varões que lutaram pela própria liberdade e a de seus familiares brilham na memória comum. Imaginar que vivemos um tempo de segurança democrática permanente, sem risco de ameaças, é um primeiro passo para a derrota e escravidão.

Na defesa do que é seu, lembre-se do que é prioridade: 
  • Nenhum bem material é mais importante que a vida da sua família.
  • Nenhum bem material é mais importante que a sua vida.
  • Alguns bens são mais importante que outros e nem sempre isso se dá pelo valor financeiro.
  • Nem todos os bens valem a vida de um malfeitor.
A Ride for Liberty - The Fugitive Slaves (Eastman Johnson)

4. Conclusão

O homem é frequentemente aquele que administra bens. Seja bens de uma comunidade, Estado ou família, é de sua responsabilidade a prosperidade, bom uso e segurança das propriedades. Homens maduros e que buscam cumprir bem seus papéis tem isso em mente. Esse é o motor de qualquer desenvolvimento material. É essencial, portanto, que nos coloquemos na posição dos grandes homens e trabalhemos pelas nossas famílias, bens e pela nossa liberdade.  

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Os três deveres de todo homem 1: Os deveres que vêm com a masculinidade

Trabalho (1896) - Charles Sprague Pearce

Imagine que alguém está isolado da civilização vivendo em alguma floresta. Essa pessoa tem que tomar decisões para si mesmo, visando a própria sobrevivência e alguma qualidade de vida. Nessas condições, ela possui algum dever de trabalhar? A resposta é sim. Sem o trabalho de caçar, plantar, colher, construir ou se proteger, essa pessoa não poderia mais contar essa história em alguns dias. Na verdade, o mesmo se aplica a nós, civilizados. Sim! Em sociedade o trabalho é dividido e somos poupados de muitos riscos, mas ainda precisamos trabalhar para que possamos receber esses benefícios. Caso contrário, alguém terá que trabalhar por nós.

O trabalho é um ótimo exemplo de um dever que temos de cumprir. Após uma idade, somos obrigados a nos sustentar e contribuir para a sociedade com algum serviço. No contrário, só restam dois destinos: dependência ou morte. Assim é com qualquer dever natural: Nós os ganhamos ao nascer. Não é necessário que nos obriguem a cumpri-los, mas é de senso comum que qualquer negligência a eles significa passar adiante uma obrigação que é só nossa. Ignorar o dever do trabalho, por exemplo, não é livrar-se dele, mas passar seu peso para outra pessoa por puro egoísmo. Isso não é, nem de longe, justo.


Dever masculino

Alguns dos deveres naturais (esses que vêm com o nascimento) são determinados pelo gênero. Toda mulher possuí deveres femininos, assim como os homens possuem deveres que são de homens. Para nós, varões, essas obrigações podem ser colocadas em 3 palavras, os "3 P's": paternidade, proteção e provisão.

Sem cumprir esses três deveres não há vivência de masculinidade. Isso não significa que você não é um homem o suficiente se, por exemplo, nunca protegeu alguém. Ninguém precisa buscar oportunidades para preencher os 3 P's, como num check list da vida. O que importa é buscar por capacitação e ação nesses três pontos. Homens tem o dever de serem provedores, protetores ou pais no momento oportuno. Isso envolve atenção e preparação, e essa é uma boa parte do que se chama boa vivência da masculinidade.

Vivendo os 3 P's 

Nas próximas postagens abordaremos cada um destes deveres aprofundadamente. Além disso, quase todas as postagens desse blog passam por eles. É ideal que você considere cada um nas suas escolhas, objetivos e motivações, de forma a contribuir para o bem-comum e para o próprio crescimento com virilidade. 



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens: