quarta-feira, 4 de maio de 2016

[GPC66] O Perigo dos Animais Peçonhentos


Em quatro páginas distribuídas dentro do Guia (são elas: 18, 25, 32 e 30), encontramos uma reunião de informações importantes sobre acidentes com animais peçonhentos. 

Estas partes do antigo guia de 1966 trazem diversos exemplos das diferenças e peculiaridades de linguagem, cultura e grafia da época.



Esses procedimentos não são 100% corretos. Podemos rever o assunto em uma outra postagem.



terça-feira, 26 de abril de 2016

"Homem não chora": Uma palavra sobre masculinidade e sofrimento


O senso comum nos diz que homem de verdade não chora. Isso pode ser entendido ao pé da letra, como dizer que homens fortes nunca derramam lágrimas, mas também que um homem de verdade não permite que seus sofrimentos o enfraqueçam.

A primeira possibilidade é equivocada. Chorar é uma forma de expressão natural, não pode ser ela mesma uma forma de fraqueza. Choramos quando perdemos alguém, assim como quando lemos uma história emocionante, mas essa mesma atitude pode ser tomada quando cortamos o dedo mindinho. 

A segunda possibilidade de interpretação de "homem não chora" é mais acertada. Quando o choro indica fraqueza, homens não choram. A questão é onde está o limite entre a fraqueza e a expressão legítima de sofrimento. Como um homem lida com o sofrimento?


1. Todo homem sofre, ainda que sem lágrimas

A verdade é que o sofrimento é parte da condição humana. Todo mundo nasceu para saber disso, ainda que tenha se esquecido. "Nós já nascemos chorando", dirá alguém. E não é à toa, pois nascer é nosso primeiro grande sofrimento físico. Nossa história pode ser contada como uma narrativa de nossos sofrimentos. Crianças devem passar por provações físicas e frustrações, adolescentes sofrem com rejeições, adultos sofrem com o peso das responsabilidades, etc. Esperar por uma vida sem sofrimentos nesse mundo é uma ilusão que é fonte de mais sofrimentos. Antes de mais nada, aceite a sua condição e aprenda a viver com ela.


2. O que é sofrer?

O que muitas pessoas não percebem é que sofrimento é um sentimento. Isso quer dizer que ele pode não condizer com a realidade daquilo que vivemos. Se sofremos com algo, isso não é necessariamente ruim, assim como podemos sofrer pouco por algo terrível. 

Isso pode ser um impedimento para resolução de problemas. Existe, então, uma necessidade de domar nossos sentimentos para reagir de forma proporcional às necessidades. Um homem que não faz isso está condenado a ser domado por suas dores, perdendo em vontade, força e até mesmo em sua independência.

Um homem que perde a mulher, por exemplo, pode sofrer de forma normal e compreensível. Mas se esse sofrimento persiste e se sustenta, há ali algo errado que impede a continuidade natural da vida dele. Ele deve domar esse sentimento para viver a própria vida sem deixar de amar e honrar sua mulher, absorvendo a perda em sua biografia.


3. Aprendendo a sofrer

Se uma criança cai e rala o joelho pela primeira vez, vai gritar, chorar e chamar a mãe. Um homem adulto fazendo a mesma coisa seria no mínimo ridículo. Por que as duas reações são tão diferentes? O que muda com o passar dos anos?

Quando a criança se machuca, não sabe calcular o tamanho de seu problema. Ela espera que o conforto de não sofrer permaneça constante e se sente frustrada quando essa expectativa é quebrada. Sua reação é encarar aquilo como um problema maior do que é e clamar pela a ajuda dos pais, dos quais ainda depende. 

Crescendo, lidamos com diversos sofrimentos e aprendemos o que esperar quando algo ruim ocorre. Isso nos faz reagir com mais calma e de maneira independente nessas situações. 

Apesar de esse ser um processo natural, isso pode ser boicotado pela ação dos pais e pela intenção do indivíduo. Um garoto mimado e super-protegido não conhece o sofrimento o suficiente para, na idade adulta, saber o que esperar e como lidar com ele. Isso explica reações infantis diante de sofrimentos bobos e o pavor de algumas pessoas em sofrer, evitando qualquer desconforto. 

O grande problema disso é que, após a infância, precisamos lidar com sofrimentos mais complexos e difíceis. É nessa época que requisitamos atenção e amor de outras pessoas, tentamos nos enquadrar em grupos, assumimos grandes responsabilidades, criamos vínculos e outras mudanças que trazem consigo a possibilidade de grandes sofrimentos desse tipo. Aí a exigência de adaptação é enorme e nos leva a uma situação próxima a das quedas na infância.

Isso significa que devemos continuar aprendendo com sofrimentos avassaladores, o que pede de nós uma forte intenção de enfrentar os problemas ao invés de buscar conforto, fugindo deles.

Se acumulamos experiências desse tipo, vencendo-as, grandes sofrimentos se tornam para nós como um joelho ralado. Dói, mas não importa tanto. A boa notícia é que isso ainda funciona muito bem se as experiências de sofrimento são imaginativas, como se compadecer do sofrimento de alguém ou ler uma história dramática.

Ao final, tudo compensa, pois você ganhará resiliência. Todo homem precisa de uma grande resiliência para resolver problemas, ajudar pessoas e exercer seus papéis.



Aqui podemos responder nossa pergunta: A diferença entre a fraqueza e um choro legítimo é que somos fracos quando o sofrimento nos faz desmoronar e perder a cabeça. O choro legítimo é só uma expressão simples de alguma emoção inevitável, que acontece apesar das nossas forças.


4. Lidando com os sofrimentos como um homem

Ao enfrentar um sofrimento, você pode precisar saber que:

  • Num primeiro momento, o problema assusta, pois não conhecemos suas proporções. Muito das reações exageradas diante de algo ruim vêm desse susto inicial. 
  • Precisamos encarar a situação de forma consciente, sem a intenção de evitar sofrer, mas compreendendo as medidas dos problemas e dando nomes às nossas dores. 
  • Não podemos nos deixar levar pela melancolia, raiva ou tristeza. Essas são visões deturpadas da realidade frutos dos sentimentos negativos que super-valorizamos.
  • É necessário atenção para não se perder a noção do sentido da vida. Nossos motivos para viver, nossas ambições e objetivos estão acima das nossas dores. Saber disso é a maior força contra o sofrimento.


5. "Um mundo sem sofrimentos"

Não é novidade para nós que nossa sociedade é um ambiente de homens fracos e emasculados. Um dos sintomas disso é a falta de capacidade para lidar com a dor. Não há mais a preocupação de enfrentar os problemas, aprender a sofrer e superar as dores. Há, antes, a reivindicação de que não hajam mais sofrimentos.

É com esse espírito que surgiram aberrações como a valorização da vitimização, a punição excessiva por ofensas, a preocupação desproporcional com o bullying, etc. 

Um homem de verdade não compartilha disso pois conhece o sofrimento de perto, como condição humana incontornável. Ele sabe que, antes de pedir ajuda aos pais (ou qualquer outra autoridade) ou cair nas garras do choro fraco, deve estar acordado para o sentido da vida e consciente de sua situação; e assim é forte. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Preocupe-se com a sua masculinidade

Talvez por algum tipo de orgulho, existe uma tendência entre os homens de pensar que a virilidade acontece quando se afirma que já a tem. Comente com algum homem sobre a crise da masculinidade e ele começará a falar como se estivesse livre disso, como se o resquício de masculinidade que ainda resta no mundo estivesse nele, enfatizando que foi educado na vara de marmelo, que gosta de jogar futebol ou que não é homossexual de modo algum.

Essa reação comum demonstra duas coisas:

  1. Muitos homens andam achando que crescimento em masculinidade ocorre por declaração. Que é algo externo que deve ser demonstrado à terceiros.
  2. Precisamos compreender melhor a crise da masculinidade e que já estamos sendo afetados por ela.

Em algumas postagens iniciais eu tentei definir um parâmetro de masculinidade que estava se perdendo e que iria ser o objeto da busca do Oficina do Homem. Alguns pontos da conhecida "crise da masculinidade" já estavam descritos ali. Mas precisamos falar um pouco mais sobre a importância de identificar e reagir às consequências disso. 

Acontece que quando nós acreditamos que não estamos sendo afetados só por que nos afirmamos muito machos, estamos sendo puramente ingênuos. A destruição de valores masculinos das últimas décadas, no Brasil, deixou poucos tijolos no lugar. A falta de referências viris, o desprezo pelo homem, a quebra das diferenças de gênero e as distorções sobre hombridade deixaram marcas tão profundas que já nem podemos perceber sem um nível maior de atenção e consciência.

Nós estamos vivendo num lixão imaginando que o problema seja a falta de banho de algumas pessoas. 

Se você tomou consciência de que já está sendo atingido, é hora de saber de onde vem os tiros. Só aí você poderá ter qualquer reação efetiva para o próprio crescimento.

1. O desprezo pelo homem

Sem vitimismo. Reconheçamos apenas que após décadas de discursos feministas que classificam homens como opressores, estupradores em potencial e agressores, a dignidade da natureza masculina sofreu. A impressão geral, hoje, é que as características masculinas são negativas, perigosas e até mesmo maldosas. 

Um exemplo de como esse pensamento afeta a vida dos homens são as leis que facilmente afastam homens de suas famílias, como se a presença de um pai numa família fosse uma espécie de risco.

De maneira geral, percebe-se também uma feminilização da sociedade. Isso não significa "imposição feminina", "empoderamento", nem mesmo "valorização feminina". É mais uma força negativa. Condenamos os objetos de interesse e práticas puramente masculinos, forçando homens a viverem como mulheres.

Caçar? Proibido. Comer bem? Faz mal. Cortejar uma pretendente? Assédio. Atirar? Crime. Fumar? Nem cigarrinho de palha. Buscar independência e autonomia? Depende do que o governo acha disso. Vestir-se como um homem? Careta. Exercitar-se? Apenas por estética, se não, violento. Administrar uma família? Machismo.


2. "Gêneros são construções sociais"

Parece algum tipo de brincadeira ou algo absurdo demais para ser uma brincadeira, mas a idéia de que homens e mulheres só são homens ou mulheres na sua parte biológica sexual vem ganhando muito volume nas últimas décadas. Mais e mais gente acredita que a diferença entre os sexos simplesmente não existe, a não ser como uma disposição sexual.

Países inteiros vêm adotando políticas baseadas nessa nova forma de pensar, inclusive o Brasil. Nada resta ao cidadão comum senão perguntar-se se há algo de errado no mundo ou nele mesmo.

A verdade é que isso nunca teve fundamento científico e pode ser desmentido por qualquer percepção realista. Você pode conhecer um pouco mais sobre essa discussão pelo documentário norueguês O paradoxo da igualdade, no qual o comediante com formação em ciências sociais, Harald Eia, investiga o porquê de seus conterrâneos continuarem escolhendo profissões de maneira tradicional apesar de tantas ações governamentais que deram à Noruega o título de país com maior igualdade de gênero.

Mesmo errada, essa concepção traz estragos terríveis:


3. A falta de compreensão da masculinidade

Esse problema é especial no caso brasileiro. Nós apagamos nossas referências e nossos valores de forma tão profunda, que não sabemos sequer para que lado fica essa tal "virilidade". Ser mais masculino, no senso comum brasileiro, tem mais a ver com o verdadeiro oposto da masculinidade.

Poucas pessoas sabem admitir facilmente a idéia de um "homem mais masculino" como alguém compromissado, responsável, disposto ao sacrifício e a defesa. 

Poderíamos classificar algumas das visões do que é masculinidade para os brasileiros em geral:
  • O Crianção. Ser mais homem é gostar de coisas que garotos de 12 anos gostariam. "Homem gosta de video game", "Quadrinho é coisa de homem", "Homem passa o dia jogando e comendo sanduíche" etc.
  • O Gordo. Fazer coisas de homem, para alguns, não é algo muito próximo do que é mostrado no filme Gran Torino, de Clint Eastwood. Seria, na verdade, algo mais próximo do Homer Simpson. "Homem bebe cerveja e assiste futebol". 
  • O Cretino. O espantalho feminista é assumido por alguns homens. São eles que criam discursos vitimistas, odeiam mulheres e imaginam que são mais másculos quanto mais maliciosos, mentirosos, vingativos e agressivos são. "Homem de verdade pega mulher e bate punheta", "Vou te levar para um puteiro para você ser mais homem", "Mulher nenhuma presta".
  • O Efeminado Ideal. Parece até inverossímil, mas muitos dos ícones de masculinidade são reconhecidos assim por que agradam as mulheres, mesmo que sejam efeminados em muitos sentidos. Cabelos e pele bem cuidados, corpo depilado, traços infantis e movimentos delicados. Esses são os mesmos que "servem" às mulheres, não por que são cavalheiros, mas como uma espécie de "amiga útil". Eles pintam as unhas da namorada, fazem brincadeiras fofinhas, etc. "Homem de verdade ajuda a escolher a roupa da namorada".
  • O Musculoso. Com a moda da academia, surgiu a noção de que músculos e virilidade são equivalentes, ainda que isso seja conquistado com hormônios femininos. "Homem de verdade não é frango".
  • O Barbudinho. Na onda dos lumbersexuais, são homens que se vestem como um protótipo de lenhador que não deu certo. A barba voltou a ser um sinal de masculinidade. Basta que você seja barbudo, beba umas brejas e use couro, você pode até beijar outros homens de forma máscula. "Homem de verdade não faz a barba".

Todas essas visões de masculinidade tem algo em comum: elas guardam algo de verdadeiro sobre a masculinidade, mas deturpam isso até o seu oposto. Por exemplo: o macho "musculoso" parte do princípio verdadeiro de que homens tem que cuidar de seu corpo e de suas capacidades, mas esvazia essa atitude, chegando à idéia de aumentar os músculos por futilidades, como para agradar outros homens.

É até previsível que tomemos as coisas assim. Quando se perde o sentido verdadeiro de algo, os detalhes são enfatizados e preenchidos de novos sentidos diferentes.


4. Falta testosterona

É normal que o nível de testosterona caia com a idade de um homem. Mas estudos mostram que o nível de testosterona  em homens vêm reduzindo de maneira generalizada há décadas, chegando hoje a números preocupantes. 

Entre as muitas causas, considera-se o uso de aparelhos celulares (cuidado com eles) e a alimentação. Numa época em que comer carne é quase um crime, não poderia ser muito diferente.

Além disso, a testosterona é muitas vezes relacionada ao comportamento antissocial e ao machismo, o que vêm prejudicando a conscientização dos homens sobre essa queda. 

Ignora-se que o hormônio é essencial para uma boa qualidade de vida e saúde masculina. Considere, por exemplo, que a dificuldade de criar músculos e pelos, depressão, falta de concentração e impotência sexual estão entre algumas consequências da deficiência de testosterona.


5. Consequências

As consequências disso tudo, de maneira geral, é uma geração de homens perdidos em relação a si mesmos, seus papéis e até seus próprios corpos. Não é à toa que o número de suicídios entre homens se tornou uma epidemia mundial. No Brasil, um dos países de maior taxa de suicídios do mundo, o número de casos entre homens superam os entre mulheres. 


6. Conclusão 


São muitos pontos que convergem contra a masculinidade, o que nos trouxe a uma situação insuportável. Preocupar-se com isso e fazer algo para mudar é um benefício para si mesmo e para a sociedade.

Para começar, aceite que essa é a nossa situação. Reconheça os pontos onde está prejudicado. Isso não diminui sua honra ou dignidade, pelo contrário. Só assim você poderá adquirir os meios para se tornar um homem como já quase não se pode ser: um homem de verdade. Este, por acaso, é o propósito desse blog. Conte conosco!




quarta-feira, 6 de abril de 2016

[GPC66] Caléndário de pesca e Náutica


As páginas 20, 21 e 29 do Guia do Pescador e Caçador para o ano de 1966 trazem mais informações  interessantes para pescadores. 

Na página 20, um calendário prático que mostra a influência da lua para a pesca. Na página 21, informações gerais sobre a náutica e algumas denominações que continuam na página 29, abaixo de uma propaganda de artigos marítimos da Ascot.

É interessante como o guia trata de diversos assuntos ao redor da pesca e da caça, o que deixa suas páginas bem inspiradoras.

Atenção para a "Nota!" no fim da página.





terça-feira, 29 de março de 2016

O que são medo, covardia e coragem?


O vídeo acima faz rir pela reação de pavor do homem que pensa encontrar um urso real. Perceba que logo após perceber a presença do "urso", ele tem uma reação súbita: virar e correr. A obstinação com que corre e o fato de nem mesmo olhar para trás indicam que esse homem está com muito medo. Não houve tempo para pensar em nada por que ele foi tomado por um instinto de sobrevivência.

Depois de algumas risadas, podemos ser mais justos: Como você reagiria nessa situação? Para responder isso, considere que em algumas regiões do mundo (provavelmente a que acontece a pegadinha está inclusa) a presença de ursos é um risco constante. No Brasil estamos acostumados a vê-los como bichos fofinhos e brincalhões, mas esses animais podem ser extremamente agressivos. Os ataques de ursos são relativamente raros, mas frequentes o suficiente para preocupar pessoas em áreas de risco. 

Alguém tentou se esconder de um urso dentro de um carro.
Parece que isso não impediu o bichinho.
Existe pouco conteúdo sobre esse assunto em português, mas uma busca rápida sobre ataques de ursos em sites na língua inglesa revela uma forte preocupação com a redução desses ataques. Veja, por exemplo, que há uma lista de ataques na Wikipédia em inglês, e diversas páginas ensinando como se proteger desses animais. Não é uma preocupação vã. Ursos em geral não precisam de bons motivos para atacar. São enormes, muito rápidos, muito fortes e estão constantemente mudando de território. Ou seja: Se você morasse em um lugar de risco, uma criatura cheia de instinto e capacidade para matar poderia estar a qualquer momento no seu quintal. 

Sabendo disso, é mais fácil compreender a reação do homem ao encarar um amigo sacana vestido de urso. A preocupação em encontrar um urso negro já deve ser constante naquele ambiente. O medo foi causa de um comportamento quase irracional que pode ocorrer em qualquer um de nós. 

Isso é assim simplesmente por que somos humanos.

É claro que diferentes homens lidariam com isso de diferentes formas. Mas, em geral, todos estamos susceptíveis ao medo. Pode ser desmoralizante, mas correr como o homem do vídeo não pode ser um motivo para taxá-lo de covarde. 

É isso aí: Medo e covardia são coisas diferentes. Mas o que é medo? E covardia? E onde entra a coragem?


1. Medo

O medo é uma reação do corpo ao perigo ou a alguns estímulos que imitam uma situação perigosa (como assistir um filme de terror). Quando você tem medo, libera adrenalina, cortisol e outros hormônios que te preparam para uma luta ou uma fuga. O cérebro humano está sempre "rastreando" o risco de morte no ambiente. Quando ele interpreta uma situação como perigosa, quer que nos sintamos estressados. Esse é o nosso "modo de sobrevivência".

Esses instintos são uma faca de dois gumes.

Eles são úteis em situações de perigo real. Imagine, para exemplificar, que aquele urso fosse real e o homem não reagisse da mesma maneira. Foi o medo que garantiu a sobrevivência humana num passado repleto de perigos reais.

O estresse em exagero, porém, pode ser um problema. Considere como exemplo que você paralise de medo numa situação em que seu filho precisa de ajuda. Esse é o caso em que medo se torna pavor e nos leva a reações irracionais que podem atrapalhar muito mais do que ajudar.

O remédio para isso é domar o medo ao nosso favor, investindo na presença de espírito. Isso reduz os efeitos negativos trazidos pelo pavor. Além disso, te permitirá tomar decisões baseadas na atuação do estresse em doses saudáveis.


Vamos ilustrar isso com um exemplo: 

Se alguém invadir a sua casa, você pode se apavorar e literalmente defecar nas calças. Isso realmente acontece. Nesse caso, você e sua família estariam em risco, e você não poderia reagir adequadamente. Com uma boa presença de espírito, você não sofreria com a irracionalidade do pavor, mas ainda poderia ser beneficiado pelo estresse. Você poderia contar com um alto nível de atenção para o perigo, distribuição de energia e respiração adequados para o combate, etc.


Mas o que me levaria a colocar minha própria vida em risco dessa forma? A resposta para isso está na definição da coragem e da covardia.


2. Coragem e covardia

O medo não é exatamente um oposto da coragem. As reações corporais ao perigo e o estresse podem conviver com um espírito verdadeiramente corajoso. O verdadeiro oposto da coragem é a covardia.

As reações corporais ao perigo não envolvem valores e questões morais. São causadas por hormônios. Mas como comportamentos de motivação biológica, elas podem ser controladas. A coragem e a covardia são posturas diante do medo.

Ilustração de Davi e Golias


A coragem não é ausência de medo, mas um enfrentamento da situação de risco. Certos momentos exigem que aprendamos a nos colocar em risco, mesmo que o corpo vacile. Em alguns casos, a motivação para isso tem a ver com proteção. Lembre-se de que é dever masculino proteger nossas propriedades, famílias e nos sacrificarmos por aquilo que amamos. Se homens não arriscam as próprias vidas por isso, ninguém mais pode fazer em seus lugares.

A covardia é o apego às reações do medo que encobrem os valores em questão - como a vida de outras pessoas e os compromissos de sacrifício e defesa -, o que nos leva à autoproteção irracional. O covarde não sente mais ou menos medo que o corajoso. Ele só coloca as sensações negativas do medo e a própria vida acima de tudo mais. Essa atitude é obviamente egoísta e, em homens, é digna de desprezo.


Um exemplo para ilustrar essa diferença é o caso do Costa Concordia, cruzeiro que naufragou deixando mortos e feridos na costa da Itália. O capitão abandonou o navio antes de todos os viajantes. Como alguém nessa posição tem um compromisso com a sobrevivência dos passageiros, o homem foi condenado a 16 anos de prisão. O "capitão covarde", como ficou conhecido, priorizou a própria vida, deixando incapazes morrerem.


3. Conclusão


Buscar a verdadeira masculinidade é também aprender a domar os instintos pelo bem daqueles que amamos e nos compromissamos. Um homem honra seus compromissos e busca proteger quem precisa. A coragem é, por isso, um importante valor masculino. 

Mas reagir com coragem também é necessário nos pequenos riscos que medrosamente tomamos como situações de vida ou morte. Conquistar uma garota, falar em público, conseguir um emprego e outras situações desse tipo podem nos despertar as mesmas sensações físicas de estar diante de um falso urso negro. Aí também precisamos desprezar a covardia e buscar a presença de espírito.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Como achar a princesa da torre


Falamos muito sobre famílias, mas começar uma não parece tão fácil. Isso presume que o homem tenha uma parceira que seja boa, que ele ame e - impossível! - ela precisa amá-lo também. 

Todo homem pode chegar a temer que nunca vá encontrar alguém assim. Isso é tão marcante para uma vida que muitas histórias buscaram representar esse problema de forma idealizada e romântica, afim de nos ensinar através dos símbolos. A história de Rapunzel é uma delas.

Veja:
Rapunzel mora em uma torre, é solitária e vive esperando que seu amor chegue para resgatá-la. 

Para uma moça, tradicionalmente, o amor vem com a espera. A torre representa sua situação: Ela está presa. Não há portas, só uma janela que lhe traz esperança. 

O cavaleiro, seu grande amor, precisa subir em uma torre alta, sofrer nas mãos de uma bruxa e quase morre para conseguir ficar com a princesa.

O homem virtuoso age para conseguir seu amor. É ele quem enfrenta as dificuldades e toma para si os esforços necessários para resgatar a princesa.


A dinâmica da conquista de um grande amor é exatamente essa: Dela se exige a virtude da paciência. Dele, a coragem. 

Quer um exemplo de como o conto se relaciona com a realidade? Normalmente, quem tem papel ativo para início de uma relação amorosa, senão o homem? De que parte se cobra presentes, sacrifícios e até mesmo as contas dos restaurantes? É o garoto ou a garota que normalmente dá seu jeito de andar, pedalar ou pegar um ônibus para a casa do seu amor?

É evidente que é do homem que se espera que venham atitudes de conquista e sacrifício. Podem tentar mudar isso, mas não para um homem de verdade.

Para o homem, começar uma família significa procurar e agir. Isso significa que, para casar-se com a princesa da torre, é você quem precisa encontrá-la! Com essa postagem espero te ajudar nessa busca.


1. Qualidades e compatibilidade


Não há problemas em estabelecer qualidades e características mínimas desejadas para a pessoa que você quer ter como parceira. Mas esteja atento aos próprios critérios. Por exemplo: você pode procurar uma moça que seja compreensível, mas isso é mau se você quer, com isso, uma carta branca para não se preocupar em acertar nunca. Não há nada de errado em escolher uma garota pela sua beleza, mas é errado escolhê-la para mostrar aos outros que consegue namorar uma gata.

Selecionar essas características é bom para que, na busca por uma boa pessoa para se ter ao lado, você consiga focar e avaliar. Mas não seja exigente demais. Não seja romântico ao ponto de esperar encontrar a moça perfeita, imaculada, sem defeito algum; e não se engane idealizando mulheres e ignorando defeitos sérios.

Assim como um mínimo de qualidades desejadas, estabeleça defeitos indesejáveis. Certamente você não quer, por exemplo, mulheres que você sabe que costumam meter galhos em outros homens. Sinta-se no direito de não aceitar mulheres assim. Mas novamente, não seja mesquinho. Coloque critérios verdadeiros. Não dispense uma boa mulher por causa de um defeito que você não suporta por preguiça, frescura ou covardia.

Fora as qualidades, não deixe de notar aquilo que é compatível entre você e a moça. Isso importa de verdade. Mas aqui também pode haver mesquinharia. Não exija compatibilidade em tudo e principalmente naquilo que não precisa ser compartilhado. Não exija que ela goste de rugby, por exemplo, se você busca uma moça delicada. Por que essa compatibilidade importaria realmente?

Se fosse necessário hierarquizar isso tudo, aconselharia que você busque primeiro a compatibilidade - principalmente de valores - e em segundo lugar as qualidades mínimas.



2. As princesas não estão nos pântanos

Procure alguém para você nos ambientes que correspondem às qualidades que você procura. É claro que um lugar vulgar, como uma festa, pode ser frequentado por garotas boas de verdade, mas é melhor procurar em um lugar onde elas estão via de regra. 

Isso nos leva a concluir o óbvio: não procure seu amor em um lugar que vai contra o que você espera de uma garota. 

Também não há problema em buscar uma boa mulher nos lugares menos óbvios, mas se você quer fechar o funil, vá aonde elas certamente estão. 




3. Conheça a família

Se você pode conhecer a família dela, faça isso. Entre seus pais e irmãos e na relação dela com os familiares, você pode conhecer mais daquilo que ela levará ao altar.

Isso não quer dizer que, por exemplo, se o pai dela for um canalha, ela será igualmente canalha. É necessário avaliar como ela encara a própria família e o que ela toma disso para a própria vida. Apesar disso, é possível garantir que uma família boa e estruturada é um ponto positivo. Não é a determinação da escolha, mas é um ponto positivo.


4. Beleza? Tem certeza?

Ela é a garota mais bonita da escola? Ela é feia? De onde você tirou a imagem para julgá-la?

As mulheres, mais que os homens, fazem verdadeiras transformações para parecerem mais bonitas. Isso é bom para uma situação de conquista, onde as qualidades devem estar evidentes, mas você quer alguém que fique com você para sempre.

Acostume-se a dar o segundo passo: conheça a moça atrás da maquiagem. Isso vale para a beleza, mas não só para isso. 

O contrário também vale. Pessoas realmente bonitas podem estar feias e desfavorecidas no momento que você as conhece. Nesse caso, conheça a garota fora do trabalho ou vestindo outra coisa além daquele uniforme.

No fim das contas, você estará prestando atenção naquilo que vai permanecer no "para sempre". É isso que importa.


5. Valores

Nunca escolha aquela garota bonita e legal que não compartilha dos teus valores. Sem uma sintonia de valores, vocês não só vão entrar em conflitos constantes, mas provavelmente nunca vão entrar em sintonia em mais nada que realmente importa.

Sua parceira deve criar um projeto de vida que te inclua e vice-versa. Se não há isso, não há casamento. Então em que você estaria investindo?


6. Sobre ela te amar

Uma das coisas que podem matar as chances de alguém te amar é se vitimizar e se prender a um complexo de inferioridade. Sempre escutamos cretinos dizendo que "mulheres não gostam de tipos como você", "para conquistar uma mulher você vai precisar de mais 20cm de braço" ou "nenhuma mulher é tão certinha como você quer". Essa é a versão masculina do clássico "nenhum homem presta", que sempre ouvimos de mulheres que escolhem péssimos homens para se relacionar. 

Procurando uma moça certa para você, esqueça tudo isso. Mulheres não "gostam disso" ou "preferem aquilo", por que existem muitas mulheres diferentes com objetivos diferentes e referências de muitos tipos. É claro que existe alguém para você. 

É normal que elas aceitem conhecer um homem melhor, e é muito possível que elas se apaixonem pelo seu tipo. A única condição é que você não seja uma farsa. Ser um "tipo interessante para as mulheres" geralmente é tomado como ser um tipo genérico para mulheres genéricas. Ninguém pode ser interessante assim! Ser interessante presume ser alguma coisa de verdade. É o seu objetivo mostrar o que você é.

Mas se ainda há algo que você deve buscar ser para as mulheres (não parecer), é um homem. Mesmo atualmente, quando o que importa é a dissolução dos gêneros, agir como um bom homem favorece sua "atratividade". Mulheres heterossexuais não buscam mulheres ou meninos no corpo de homens barbados. Se alguma delas faz isso (existem muitas mulheres diferentes...), meu conselho é que você não vá atrás dela. É normal que avançando na masculinidade você se torne mais atraente, por que estará sendo aquilo que uma mulher busca basicamente em um homem. É parecido com nossa atração por características femininas em uma mulher, e o fator repelente de características masculinas nelas.

Se você age com sinceridade e se abre para uma boa mulher, só duas coisas podem acontecer: ela vai amar você, e isso não é um acontecimento raro, ou ela não vai amar. No último caso, siga adiante. 


7. Namore


Busque namorar quem você quer junto de você. Dedique um tempo da sua vida nesse relacionamento. Isso é muito importante por alguns motivos:


  • Você não pode conhecer alguém sem entrar numa relação com essa pessoa. E você não pode casar com alguém que não conhece minimamente bem.
  • O namoro modifica as duas partes, alinhando os projetos de vida e culminando no casamento. Se isso não ocorrer, algo está errado. 
  • Namorando, ficam evidentes os defeitos e as qualidades dela. 
  • Namorando, ela pode gostar ou não de você e deixar isso claro.
  • No namoro você busca compromisso com a outra parte, mas não está compromissado o suficiente para que nada possa dar errado. 

Quando você casar, deve conhecer bem a sua parceira para lidar com seus defeitos (que vão sempre existir), mas o processo de conhecimento e modificação continua. Se você pular a fase do namoro, o compromisso pesará sobre esse processo, o que dificulta muito as coisas.


8. Enfim

Deixei por último o mais importante. Aqui está o que não deve ser observado primeiramente, mas que no frigir dos ovos será o essencial:

Você está disposto a amá-la pelo resto de sua vida?

Família não é um projeto pessoal, mas de um casal que se ama. Se uma parte do casal ama a outra, está disposto a sacrificar-se e se modificar pela felicidade do outro. Se as duas partes se amam, constroem um projeto em comum. Como pode haver uma família saudável sem isso? Que homem não se sacrifica pela sua mulher e filhos? Que esposa não dá tudo que tem para a felicidade da casa? 

Como você pode cumprir apenas uma parte desse "acordo", procure uma mulher a quem você ame e conquiste-a sempre. Todo o resto do que foi dito importa, é verdade. Mas nada é mais importante que isso.

Escolha pelos critérios certos, invista de maneira saudável e, por fim, ame. Não há pieguismos aqui, só aquela prática normal de entregar-se ao outro pelo casamento e formar uma família comum. Isso não te parece improvável, parece?

sábado, 19 de março de 2016

Por que todo homem deve lutar pela liberdade de seu país?


Às vezes a situação política de um país está claramente desfavorável à liberdade dos seus cidadãos. Quando isso acontece, negar o problema ou deformá-lo é agir com cumplicidade. Mas não fazer nada pode ser ainda pior, pois é omissão. 

Nosso país está nessa situação.

A história está cheia de momentos assim. Muitas pessoas perceberam que há uma relação direta entre a ação defensiva de homens bons e as tentativas malignas de tiranos e bandidos:

"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que os bons homens não façam nada." - Edmund Burke

"A audácia do maus, se alimenta da covardia e da omissão do bons" - Papa Leão XIII

"Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos." - Martin Luther King

Mas se você ainda precisa de motivos para lutar a favor da liberdade brasileira, aqui estão alguns.


  • Você faz parte disso. Estamos tão acostumados a imaginar que as coisas acontecem por cima de nós, que achamos que não temos participação nos acontecimentos de nosso país, por que não somos políticos. A verdade é que qualquer situação de paz e liberdade sempre é garantida pela participação e influência da nação, algo do qual você faz parte. 
  • É da sua conta. Os acontecimentos de seu país pesam sobre você, mesmo que de maneira indireta. Se você não sente isso, não vai querer esperar até que a situação se torne insuportável. Sob um regime de maior opressão, a dor é sempre pior, e não estou falando somente da parte financeira. 
  • Faz parte de seus deveres. Todo homem deve se sentir responsável pela segurança daqueles que lhes são próximos, todo homem deve ser solidário com a pobreza e todo homem deve ser um bom administrador de sua família e, como consequência, representá-la em meio aos problemas que lhes cercam.  
  • Não há sociedade com "o problema não é meu". Se uma crise como esta não te afeta diretamente, o que te faz se sentir livre do problema, a caridade prestada aos seus cidadãos é o que garante seus benefícios em participar daquela sociedade. Então o problema é seu.
  • Alguém precisa se sacrificar, e precisa ser um homem de verdade. Ou você espera que mães, mulheres e crianças façam isso por você? Ou você não quer ser um homem de verdade?
  • Situações assim chamam os poucos homens corajosos. Você se inclui nesse grupo?

Podemos terminar com um trecho do nosso hino, fonte de inspiração para todo homem brasileiro:

Brava gente brasileira! 
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

quinta-feira, 17 de março de 2016

[GPC66] Socorro de emergência, nós de pescaria e juramento de proteção


Ainda focado na pesca, o antigo guia do pescador e caçador, na página 13, passa algumas informações bem úteis sobre socorro em casos de acidentes. A página seguinte apresenta graficamente alguns nós para pescadores. Na mesma página há também um belo juramento para proteção dos animais e da natureza do país.



segunda-feira, 14 de março de 2016

Os três deveres de todo homem 4: A Provisão



Estamos acostumados com algumas facilidades que nos fazem esquecer por que as coisas são como são. Uma dessas facilidades é ter muitas coisas disponíveis a qualquer momento. É daí que vêm algumas piadas para crianças mimadas, como "você acha que o leite vem do supermercado?". O fato de muitos bens estarem acessíveis nos fazem, às vezes, achar que as coisas são assim naturalmente.

Não são. Se há carne na geladeira do açougue, é por que ela já passou por um processo complexo que envolve muita gente diferente. Isso, obviamente, nem sempre foi assim, e em alguns lugares continua não sendo. Em outras épocas e em outros lugares do planeta, pessoas precisam ir atrás do próprio alimento e fabricar aquilo que precisam para sobreviver.

Esse não costuma ser um trabalho simples. Imagine ter de sair de casa quando se é vizinho de animais perigosos e se mora num lugar de clima hostil. Não é raro que a fonte de alimentos e materiais estejam em lugares extremamente perigosos. Não é raro também que conseguir isso seja uma atividade perigosa e trabalhosa.

Quando desenvolvemos a agricultura e a criação de animais, melhoramos nossa situação, mas não sanamos todos esses problemas. Um agricultor ou criador ainda precisa lidar com animais, pestes e ladrões; e trabalhar duro.

Todas essas dificuldades sempre nos empurraram para a uma configuração natural de deveres: o trabalho de provisão é um dever masculino.


1. Caçar e colher

A caça, agricultura e coleta são as práticas mais antigas de provisão de alimentos. É interessante perceber que a caça, apesar de todas as inovações na aquisição de alimentos, continua servindo a essa função.

O motivo para isso vai além da sua necessidade para proteção de espécies e defesa, que contribuem para que continue sendo praticada. Uma caçada ensina - e qualquer caçador pode confirmar isso - o verdadeiro sentido da provisão, como o homem colocando em prática sua disposição para predador e estabelecendo uma relação com a natureza na qual ele vive.

Isso quer dizer que se nós perdemos o fio da realidade da provisão, enterrando-o sob várias camadas de diferentes processos, com a caçada e a colheita voltamos ao seu estado puro e essencial.


2. Trabalho

Isso quer dizer que o trabalho como temos atualmente é algo ruim? Devemos voltar todos para a caça e agricultura?

Não. Não há mal em trabalhar de forma "indireta" e conseguir dinheiro servindo a uma empresa ou organização. Mesmo que isso ofusque o primeiro sentido de provisão, não quer dizer que não haja provisão verdadeira dentro disso tudo. Só não podemos perder esse sentido tão facilmente.

Trabalhos e serviços para organizações e terceiros são, então, uma forma legítima e máscula de provisão. Através disso estamos servindo à sociedade, provendo também aos nossos iguais. Isso deve ser sempre uma boa motivação para que estejamos ativos, além da necessidade de sobreviver, é claro.



3. Papel de provedor na família
Dentro de uma família, o dever da provisão é compartilhado com a esposa, visando a sobrevivência do casal e dos filhos. É importante reafirmar o óbvio: mesmo que crianças façam pequenos trabalhos, elas não possuem obrigação nem estrutura para garantir o próprio sustento. Ninguém mais é responsável por essa garantia além dos pais.

A dinâmica familiar para conseguir alimentos sempre incluiu o casal no dever da provisão, mas dividiu homem e mulher para diferentes papéis.

Ao homem sempre coube conseguir os bens. Roupas ou couro; geladeiras ou lenha; carne de caça ou de açougue; peixe fresco ou da feira; móveis feitos ou comprados; qualquer bem que uma casa precise deveria ser conquistado pelo trabalho do homem.

A mulher, parceira, sempre cuidou da administração dos bens da casa. Cozinhando, lavando, limpando, distribuindo, preparando ou armazenando, a mulher participa na provisão dos bens.

O homem precisa sair da casa e trabalhar para adquirir bens. A mulher, na casa, cuida para que esses bens sirvam da melhor forma para a família inteira. É claro que a mulher pode, e às vezes precisa, trabalhar, mas isso não modifica, necessariamente, a divisão de papéis e obrigações aqui descrita.

Essa dinâmica sofreu mudanças profundas recentemente, mas os últimos 50 anos não podem sobrepor a forma como as coisas sempre foram feitas em uma família. Se hoje as coisas estão diferentes, ainda não é errado afirmar que essa é a dinâmica familiar para provisão que nos levou aonde estamos.


4. A acomodação 

Negligenciar a obrigação à provisão é mal visto pela sociedade, e há um motivo para isso.

Quando um homem nega a provisão para si, obriga que outros o sustentem, o que muitas vezes acontece por intermediação estatal. Se um homem tem uma fonte justa de sustento sem trabalho, está usufruindo de bens que a sociedade lhe oferece sem contribuir em nada para ela. Quem despreza o dever da provisão se acomoda nos benefícios de outros. 

Nem é necessário comentar os casos de descumprimento desse dever dentro de uma família, não é?

É claro que existem casos nos quais um homem é impedido de trabalhar. Isso não é o mesmo acomodamento, e é sempre viril ajudar pessoas assim. 


5. Conclusão

Prover para si mesmo e para a própria família faz parte de ser um homem. Ao contrário do que alguns dizem, esse não é um fardo ou desgraça, mas é simplesmente garantir a nossa sobrevivência nesse mundo. Voltar às raízes da provisão nos ensina como isso é necessário e como é insustentável que nos acomodemos na ilusão de que sem serviço poderemos sobreviver de forma justa.



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


quinta-feira, 10 de março de 2016

[GPC66] Regras de segurança do mergulhador, equipamentos de pesca e mais espécies de peixes.


O Guia do Pescador e Caçador para 1966 reúne um monte de informações úteis para pescadores e caçadores da época. Essas três páginas exemplificam como seu conteúdo pode variar. 

Na página 10, "Algums espécimens de peixes do mundo" (atenção para a grafia da época). Na seguinte, uma propaganda de equipamentos de pesca da Az de Espadas, seguida de uma lista de regras de segurança para mergulhadores.




"Lojas Az de Espadas: Só não tem o peixe"

terça-feira, 8 de março de 2016

Trabalho em couro: Ferramentas Básicas

Logo você estará guardando suas ferramentas em algo feito por você mesmo.
Trabalhar com couro é uma prática comum entre homens que gostam de trabalhos manuais. Mas mais do que um divertido hobby, essa atividade pode trazer mais dinheiro para sua renda. Além disso, você que gosta de carteiras, porta cartões e outros objetos de couro, pode adquirir suas peças pelo próprio trabalho, de maneira personalizada e inovadora. Essa autossuficiência já é bem compensadora.

Se você quer começar a trabalhar com couro, comece sabendo que:
  1. Ferramentas para essa prática não fáceis de encontrar no Brasil. Mas felizmente você não precisa de muitas delas para começar o seu trabalho. Um trabalho satisfatório pode ser feito com poucas ferramentas. Além disso sempre é possível improvisar sem perder em qualidade. 
  2. Não é necessário adquirir todas as ferramentas possíveis na fase inicial. Para trabalhos simples você só precisa reunir um grupo de ferramentas básicas essenciais. De acordo com a sua evolução, o que possibilita maior exploração das possibilidades do couro, mais ferramentas podem ir sendo adquiridas. Algumas delas servirão apenas para facilitar e dinamizar o processo.

Reúno aqui nome e descrição das ferramentas básicas para trabalho em couro, afim de situar aqueles que desejam começar a fabricação de itens desse material. Não entramos em detalhes sobre materiais e tintas, mas isso pode ficar para uma próxima postagem.

Os itens com "*" são aqueles realmente necessários a quem não está introduzido nesta prática.

Geral

Clip: Útil tanto para prender a peça a ser trabalhada quanto para manter uma peça dobrada na moldagem.

Cola: Usada para unir peças previamente.

Régua*: Furar, marcar e cortar exigem apoio para que nada saia torto. Esses detalhes são importantes em peças de couro. Para sua segurança, prefira réguas de metal! Réguas de plástico podem ser cortadas ou quebrar com facilidade, fazendo com que o estilete escape.

Martelo*: É usado principalmente para fazer furos, mas pode servir em outras ocasiões. Prefira martelos que tenham uma cabeça de material diferente de metal, já que os vazadores a serem martelados são, em geral, do mesmo material. Isso pode causar problemas às suas ferramentas.

Grampeador: Usado para prender peças na madeira em diversas ocasiões, mas principalmente para moldar. Use um grampeador forte!


Corte

Estilete*: Em muitos casos é necessário cortar o couro. Procure facas e estiletes que danifiquem menos o possível sua peça. Se possível, tenha sempre um para cortes grosseiros e outro para cortes finos, que exijam mais precisão.


Furo

Cinzel*: Ferramenta em formato de "garfo", mas com diferentes números de dentes, tamanhos e espaçamentos entre eles. Servem para criar pequenos furos em uma ou mais peças de couro para que se tenha uma referência no momento de fazer furos maiores para costura. Você pode adaptar um garfo.

Carretilha: Esses discos com pontas dispensam boa parte do uso do cinzel. Com uma carretilha se marca rapidamente o tamanho de couro que for necessário. Existem diferentes tipos de carretilhas que marcam furos de diferentes distâncias. Entretanto, se for necessário criar furos em mais de uma camada de couro, o cinzel se torna indispensável.

Sovela*: Ferramenta para criar os furos para costura. Consiste basicamente numa haste de ferro com uma ponta em forma de losango. As sovelas podem variar em seu formato para diferentes ocasiões. Quem tem muita experiência com couro costuma ter muitas variedades dessa ferramenta.

Groover*: Principalmente para ser furado e costurado, é preciso criar estrias no couro. Essa é a função dessa ferramenta. Existem groovers de formato ideal para criar longas estrias com firmeza e retidão. Mas há  também tipos de groovers mais simples que te permitem trabalhar livremente, inclusive com o auxilio da régua. Essas ferramentas podem variar ainda na profundidade da estria e largura.

Vazadores: Peças cilíndricas que permitem, com o auxilio do martelo, criar furos de diferentes diâmetros.


Moldagem

Espátula: Usada para formar vincos no couro, afim de dar formato à peça.

Costura

Agulha*: Para costurar a peça, use qualquer tipo de agulha com um buraco grande o suficiente para que passe a sua linha. Use sempre linha encerada.


Acabamento

Desquinador*: Ferramenta que corta as quinas da borda de sua peça de couro (chanfrar).

Brunidor*: Ferramenta feita para arredondar e alisar bordas do couro. Pedaços lisos de madeira podem ser usados para essa função, mas brunidores encontrados nas lojas possuem estrias de diferentes tamanhos para encaixe da borda da peça, o que dá um melhor acabamento. Existem diversos formatos e materiais para essa ferramenta.

Cera: Usada para brunir e hidratar o couro.

Desbastador: Ferramenta feita para retirar excessos de volume do couro. Existem diversos tipos de desbastadores. Eles podem ser facas, lâminas presas entre hastes (como um barbeador) e até maquinas com a função de desbastar com precisão.





Existem mais ferramentas que servem para muitas outras necessidades particulares, muitas delas não disponíveis no Brasil. Para o objetivo de introduzir-se nessa prática, as ferramentas aqui listadas e descritas são o suficiente. 

Espero que essa postagem tenha sido útil para que você se familiarize com essa prática masculina. Até a próxima!

sábado, 5 de março de 2016

Cachorros, os melhores amigos do homem: 10 raças ideais para homens brasileiros

Cães acompanham homens desde sempre. Usamo-os para caça, defesa e orientação; mas a verdade é que esses animais são excelentes companheiros, muito além de ferramentas utilitárias.

Algumas raças são mais simpáticas à psicologia e ao temperamento masculinos. Elas podem inclusive servir melhor ao homem nos seus objetivos.  Reúno aqui uma lista com 10 dessas raças.

A lista não segue uma ordem. É uma seleção limitada que considera, além da aproximação com as características masculinas, a presença das raças no Brasil e os benefícios do bicho para muitos tipos de homens (pai de família rural, jovem urbano, etc.). 

Com essas sugestões, sobra a você decidir ter ou não um cachorro, ou qual raça escolher de acordo com sua personalidade e preferências.

Vale ressaltar que esta não é uma lista de cães mais fortes, agressivos ou coisas do tipo. Estamos falando de uma relação de cães e masculinidade por inteiro, o que inclui diversos aspectos.

Mas atenção! Essa postagem descreve diferentes raças de forma superficial com fim de sugerir um aprofundamento maior pela raça de interesse. Não adquira seu cachorro sem o conhecimento necessário.

Vamos à lista!


Mastim Napolitano

País de origem: Itália
Características: Um cachorro enorme, forte e resistente, mas de temperamento equilibrado. Esse cão lida muito bem com sua família e território, mas não com estranhos.
Vantagens: A combinação de seu porte e agressividade na medida certa faz dele um ótimo defensor de sua casa.
Desvantagens: Não é um bom cão para donos inexperientes, pois precisa de treino firme.
Funções: Um guardião eficiente que não precisa de treinamento para ataque, já que cumpre sua função por instinto.
Dono: Esse cão exige experiencia na criação de cachorros grandes. É uma raça muito boa para homens que gostam de cães grandalhões e querem que eles possam conviver com sua família tranquilamente.


Doberman

País de origem: Alemanha
Características: Bem treinado, esse cão se torna submisso e amoroso. Ele pode se dar bem com sua família e conviver bem de perto com vocês. Sempre de orelhas em pé, literalmente.
Vantagens: Um cachorro fiel, adaptável, muito inteligente e amoroso. Fisicamente, o Doberman é elegante e belo.
Desvantagens: Exige atenção, treino e atividade. Pode ser teimoso.
Funções: Foi desenhado para proteção, mas é um ótimo guardião. Seu faro, audição e inteligência, quando bem treinados, fazem do Doberman um cão extremamente perceptivo para o perigo.
Dono: Você quer este cachorro se está disposto a dedicar seu tempo em treinos e atividades constantes. Recomendado para homens que precisam de proteção e pais de família que queiram um guarda fiel e perceptivo.


Bull Terrier

País de origem: Reino Unido
Características: Apesar de lembrar o Pitbull, o temperamento do Bull Terrier é diferente. Ele é dócil, enérgico e um ótimo companheiro para crianças. Tudo isso com num corpo forte e ágil, criado para combates e rixas. 
Vantagens: Combina docilidade e socialidade com a capacidade de agredir se necessário, o que torna esse terrier um bom cão de guarda.
Desvantagens: Sua aparência é considerada "fofa", mas há quem o ache esquisito. Além disso ele exige um treino firme e muita atividade.
Funções: Cão de guarda de família
Dono: Pais de família, homens ativos e que gostem de atividades que exigem força bruta.


Rottweiler

País de origem: Alemanha
Características: Muito fiel ao dono, o Rottweiler bem treinado é dócil, amável e de boa convivência com a família. Entretanto, seu jeito calmo e tranquilo convive com um temperamento territorialista e protetor. Ele vai usar seu corpo robusto e suas mandíbulas (mais fortes que as de um Pitbull) para proteger sua casa quando necessário. Essa raça é, originalmente, de pastores, o que faz do Rottweiler um apaixonado por lugares espaçosos e pelo campo. 
Vantagens: Fiel, tranquilo e protetor.
Desvantagens: Exige treino, atividade e responsabilidade. Pode não se dar bem com estranhos, principalmente longe do dono.
Funções: Cão de guarda e pastor.
Dono: Pais de famílias responsáveis, donos de propriedades rurais.


Pastor Alemão

País de origem: Alemanha
Características: Veloz, forte, corajoso, equilibrado e com um excelente faro; esses cães são pastores natos que se mostraram cães de guardas sem igual. Seu maior diferencial, porém, é sua inteligencia superior (3º lugar entre todas as raças), que torna-o capaz de aprender quase qualquer coisa.
Vantagens: Poucos problemas com treinamento e adestramento. São equilibrados e nada teimosos.
Desvantagens: O Pastor Alemão necessita de exercícios mentais e físicos diários. Queda de pelo é característica dessa raça.
Funções: Esses cães podem cumprir quase qualquer missão que lhes seja dada. Atuam principalmente como cães de guarda, pastores, policiais, farejadores e rastreadores.
Dono: Pais de famílias, donos de propriedades rurais, homens que queiram um companheiro obediente e fiel.



Akita


País de origem: Japão
Características: Esse cão é rápido, forte, silencioso e desenhado para caçar grandes animais na neve. Apesar disso, se tornou um guardião por excelência. Seu instinto protetor e territorialista explicam essa habilidade.
Vantagens: Quando bem treinado o Akita se torna um protetor ativo.
Desvantagens: Pouco resistente ao calor, desconfiado com estranhos, às vezes pode ser agressivo com a intenção de proteger.
Funções: Caçador de grandes animais, guardião e policial.
Dono: Homens que morem em lugares frios e queiram cães mais sérios que brincalhões.










Pointer Inglês


País de origem: Reino Unido
Características: Enérgico, resistente e companheiro, o Pointer é um caçador de pássaros veloz. Ao pressentir uma caça esse cachorro vai literalmente apontar, colocando-se numa posição indicativa.
Vantagens: Dócil, companheiro e resistente.
Desvantagens: O Pointer inglês exige muita atividade em espaço aberto. 
Funções: Caçador de longo alcance, cão de companhia e por vezes cão de guarda.
Dono: Homens interessados em esportes no campo, aventureiros e proprietários de áreas rurais.


Border Collie

País de origem: Reino Unido
Características: A raça mais inteligente do mundo. Um trabalhador dedicado que exige aprendizado e atividade. O Border Collie também é rápido, incansável, dinâmico e nada agressivo. 
Vantagens: Sempre atento aos comandos de seu dono, que aprende com muita facilidade.
Desvantagens: Como um trabalhador ativo, exige espaços abertos e muita atividade para gastar sua energia.
Funções: O melhor cão pastor do mundo é também um excelente esportista.
Dono: Homens interessados em esportes caninos, donos de propriedades rurais.


Dogue Alemão


País de origem: Alemanha
Características: Um cachorro de família. Esse gigante elegante quer ser criado dentro de casa participando dos acontecimentos que envolvem os seus moradores. Ele é dócil e amigável com crianças, mas seu porte e instinto territorialista fazem do Dogue Alemão um ótimo cão de guarda.
Vantagens: Perfeito para se ter numa família, tanto para companhia e brincadeiras quanto para segurança.
Desvantagens: Não gosta muito de espaços grandes.
Funções: Cão de guarda, companhia e caçador de grande animais.
Dono: Pais de família disposto a ter um cachorro grande dentro de casa.


Golden Retriever


País de origem: Reino Unido
Características: Extrovertido, amigo, dócil e brincalhão. O Golden tem necessidade de agradar e é extremamente sociável. Esse cão é ideal como companheiro fiel da família. Mergulhador nato, sua função original era recolher a caça em ambientes difíceis, principalmente dentro da água.
Vantagens: O Golden é adaptável, ativo, sociável e amigável.
Desvantagens: Exige grandes espaços e atividade constante.
Funções: Cão guia, companheiro, recolhedor de caça, esportista, entre muitas outras atividades que essa raça pode exercer.
Dono: Pais de família que procuram cachorros fieis para boas experiências familiares.