segunda-feira, 14 de março de 2016

Os três deveres de todo homem 4: A Provisão



Estamos acostumados com algumas facilidades que nos fazem esquecer por que as coisas são como são. Uma dessas facilidades é ter muitas coisas disponíveis a qualquer momento. É daí que vêm algumas piadas para crianças mimadas, como "você acha que o leite vem do supermercado?". O fato de muitos bens estarem acessíveis nos fazem, às vezes, achar que as coisas são assim naturalmente.

Não são. Se há carne na geladeira do açougue, é por que ela já passou por um processo complexo que envolve muita gente diferente. Isso, obviamente, nem sempre foi assim, e em alguns lugares continua não sendo. Em outras épocas e em outros lugares do planeta, pessoas precisam ir atrás do próprio alimento e fabricar aquilo que precisam para sobreviver.

Esse não costuma ser um trabalho simples. Imagine ter de sair de casa quando se é vizinho de animais perigosos e se mora num lugar de clima hostil. Não é raro que a fonte de alimentos e materiais estejam em lugares extremamente perigosos. Não é raro também que conseguir isso seja uma atividade perigosa e trabalhosa.

Quando desenvolvemos a agricultura e a criação de animais, melhoramos nossa situação, mas não sanamos todos esses problemas. Um agricultor ou criador ainda precisa lidar com animais, pestes e ladrões; e trabalhar duro.

Todas essas dificuldades sempre nos empurraram para a uma configuração natural de deveres: o trabalho de provisão é um dever masculino.


1. Caçar e colher

A caça, agricultura e coleta são as práticas mais antigas de provisão de alimentos. É interessante perceber que a caça, apesar de todas as inovações na aquisição de alimentos, continua servindo a essa função.

O motivo para isso vai além da sua necessidade para proteção de espécies e defesa, que contribuem para que continue sendo praticada. Uma caçada ensina - e qualquer caçador pode confirmar isso - o verdadeiro sentido da provisão, como o homem colocando em prática sua disposição para predador e estabelecendo uma relação com a natureza na qual ele vive.

Isso quer dizer que se nós perdemos o fio da realidade da provisão, enterrando-o sob várias camadas de diferentes processos, com a caçada e a colheita voltamos ao seu estado puro e essencial.


2. Trabalho

Isso quer dizer que o trabalho como temos atualmente é algo ruim? Devemos voltar todos para a caça e agricultura?

Não. Não há mal em trabalhar de forma "indireta" e conseguir dinheiro servindo a uma empresa ou organização. Mesmo que isso ofusque o primeiro sentido de provisão, não quer dizer que não haja provisão verdadeira dentro disso tudo. Só não podemos perder esse sentido tão facilmente.

Trabalhos e serviços para organizações e terceiros são, então, uma forma legítima e máscula de provisão. Através disso estamos servindo à sociedade, provendo também aos nossos iguais. Isso deve ser sempre uma boa motivação para que estejamos ativos, além da necessidade de sobreviver, é claro.



3. Papel de provedor na família
Dentro de uma família, o dever da provisão é compartilhado com a esposa, visando a sobrevivência do casal e dos filhos. É importante reafirmar o óbvio: mesmo que crianças façam pequenos trabalhos, elas não possuem obrigação nem estrutura para garantir o próprio sustento. Ninguém mais é responsável por essa garantia além dos pais.

A dinâmica familiar para conseguir alimentos sempre incluiu o casal no dever da provisão, mas dividiu homem e mulher para diferentes papéis.

Ao homem sempre coube conseguir os bens. Roupas ou couro; geladeiras ou lenha; carne de caça ou de açougue; peixe fresco ou da feira; móveis feitos ou comprados; qualquer bem que uma casa precise deveria ser conquistado pelo trabalho do homem.

A mulher, parceira, sempre cuidou da administração dos bens da casa. Cozinhando, lavando, limpando, distribuindo, preparando ou armazenando, a mulher participa na provisão dos bens.

O homem precisa sair da casa e trabalhar para adquirir bens. A mulher, na casa, cuida para que esses bens sirvam da melhor forma para a família inteira. É claro que a mulher pode, e às vezes precisa, trabalhar, mas isso não modifica, necessariamente, a divisão de papéis e obrigações aqui descrita.

Essa dinâmica sofreu mudanças profundas recentemente, mas os últimos 50 anos não podem sobrepor a forma como as coisas sempre foram feitas em uma família. Se hoje as coisas estão diferentes, ainda não é errado afirmar que essa é a dinâmica familiar para provisão que nos levou aonde estamos.


4. A acomodação 

Negligenciar a obrigação à provisão é mal visto pela sociedade, e há um motivo para isso.

Quando um homem nega a provisão para si, obriga que outros o sustentem, o que muitas vezes acontece por intermediação estatal. Se um homem tem uma fonte justa de sustento sem trabalho, está usufruindo de bens que a sociedade lhe oferece sem contribuir em nada para ela. Quem despreza o dever da provisão se acomoda nos benefícios de outros. 

Nem é necessário comentar os casos de descumprimento desse dever dentro de uma família, não é?

É claro que existem casos nos quais um homem é impedido de trabalhar. Isso não é o mesmo acomodamento, e é sempre viril ajudar pessoas assim. 


5. Conclusão

Prover para si mesmo e para a própria família faz parte de ser um homem. Ao contrário do que alguns dizem, esse não é um fardo ou desgraça, mas é simplesmente garantir a nossa sobrevivência nesse mundo. Voltar às raízes da provisão nos ensina como isso é necessário e como é insustentável que nos acomodemos na ilusão de que sem serviço poderemos sobreviver de forma justa.



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


2 comentários:

  1. Acabei de ler a série e mais alguns textos novos do blog, havia parado de visitar o blog depois de um tempo sem postagens, depois de novembro, fique feliz pelas novas postagens!
    A série sobre os deveres do homem retratou muito bem aspectos da masculinidade ideal, levando em consideração uma sociedade baseada nos antigos costumes. Apesar de os fundamentos estarem bem explicados, exige do leitor que queira praticá-los, uma adaptação para o estilo de vida moderno, tendo também que contar com certos golpes de sorte para não ser feito de bobo e realmente construir uma família sadia e respeitável.

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    1. É isso mesmo, Mateus! Bem captado.

      Obrigado pela fidelidade! O blog está mesmo de volta.

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