terça-feira, 1 de março de 2016

Os três deveres de todo homem 3: Proteção


Não houve tempo em que defesa fosse uma atividade preferencialmente feminina. Quando mulheres trabalharam para proteção, não o fizeram de forma prioritária. Se alguém tem que entrar em um campo de batalha, é um homem. Se alguém pode entrar em um campo de batalha, só às vezes é uma mulher.

Existem explicações biológicas para isso:

  • Homens possuem mais massa muscular, mais células vermelhas por volume de sangue, maior inclinação à agressividade, melhor percepção espacial, ossos mais fortes, entre outras características que nos tornam biologicamente mais capazes de lutar.
  • O número de mulheres de uma espécie é determinante para o sucesso evolutivo desta espécie (que é ligado à reprodução). Isso não se aplica de forma tão direta aos homens. Colocar a vida de um homem em risco é menos prejudicial que a de uma mulher.
Mas não somos gado. Não se pode tratar homens como bois reprodutores, únicos numa fazenda ou prontos para morrer ou matar; tratados com indiferença. Nossa espécie dominou a terra pela cooperação e dedicação ao próximo, manifestadas de forma mais evidente nas famílias. Esse é o caminho pelo qual os homens deram suas vidas. Não há um descarte: há um sacrifício pela vida de seus amigos. 

Nisso se baseia o dever da proteção: se há risco de vida, os homens é que devem carregá-lo e vencê-lo. Somos os mais capazes e mais indicados para isso. 

Encaremos esse dever com a seriedade de um garotinho brincando de super herói: sem medo ou auto-piedade, mas disposição para a grandeza e o bem.


1. A ilusão da segurança

Antigamente havia muito mais medo, o que exigia dos homens mais coragem. Hoje temos uma confortável ilusão de que o perigo é uma exceção, o que nos tornou covardes. A grande diferença entre esses dois tempos é que os nossos antepassados viviam riscos diretos e constantes, com a responsabilidade individual de sobreviver. 

Com o passar do tempo e das civilizações, armamos muros cada vez maiores contra os perigos que nos assombravam. Na idade média a proteção era uma aliança valiosa, base do feudalismo. Com seu fim, foi se tornando responsabilidade do Estado.

Só muito recentemente aceitamos que o papel do cidadão comum diminuísse tanto nessa área, reduzindo-se a quase zero. Uma atitude muito comum é simplesmente confiar em terceiros, imaginando-se totalmente livre de cuidar da própria segurança. Isso não é uma ilusão só por que existem exemplos de falhas graves na segurança estatal (o caso do Brasil é um dos principais), mas também por que essa transferência de deveres é impossível. Homens de bem sempre deverão se responsabilizar pela própria segurança, mesmo com a ação de uma força policial.

Os motivos para isso vão da incapacidade da policia de impedir todos os crimes à instabilidade de qualquer ordem humana. Somos levados a crer que dificilmente estaremos envolvidos em guerras, ataques, surtos ou qualquer outro perigo. Essa é uma mentira paralisante, parte da crise que sofre a masculinidade no mundo.

No Brasil existe reação a isso. O motivo é simples: nosso país é um dos mais violentos do mundo. Estamos sentindo na pele o erro de crer que não há motivos para estarmos preparados. Que isso não nos leve para covardia generalizada, mas para a bravura viril e cumprimento do nosso dever.


2. Homem e natureza

Não só no passado a natureza apresentou riscos de grandes proporções aos humanos. Nem é preciso ir para muito longe das grandes metrópoles brasileiras para confirmar isso. Uma das muitas ações de proteção contra animais, e talvez a mais antiga e importante, é a prática da caça

A caça legal serve ao controle de superpopulações de animais e é uma forma de preservação das espécies. Mas mais do que isso, sua prática traz habilidades necessárias para defesa contra ataques de animais. Para entender como isso pode ser uma necessidade, imagine que moradores do Alasca, região de muitos ursos, não pudessem usar a caça para defesa. É possível que não houvesse mais humanos habitando o lugar em alguns anos.

No Brasil a caça vem sofrendo restrições, mas ainda há seu uso para um controle adequado de espécies e segurança de populações.


3. Pai protetor

O pai é o responsável pela segurança de sua família. É dever dele:
  • Cuidar da casa estruturalmente para que ela seja sempre segura.
  • Determinar rotinas e procedimentos que visem evitar perigos (como um horário para trancar as portas e janelas).
  • Agir no caso de um ataque ou invasão. E para isso, arme-se.


Novamente, assuma esse dever. Não basta instalar um bom alarme e esperar que alguém cuide disso para você. A vida e dignidade da sua família não pode ser terceirizada.

Entretanto, é preciso calma. Medo e preocupação não podem te levar ao desespero. Não transforme a vida de sua família em um inferno sem necessidade para a proteger de sua imaginação. Conheça o perigo, prepare-se e aja. Não é momento para atitudes extremas que vão contra o bem-estar de quem você quer bem.

Cabem aqui os 8 conselhos para melhorar sua presença de espírito, já postados nesse blog.


4. Protetor na sociedade

Capacitar-se serve também para a defesa de pessoas dentro da sociedade. Isso se dá tanto pela participação em guerras visando a defesa de seus conterrâneos, como na ação de forças contra o crime - como a polícia -, mas também em ações individuais de proteção. Um exemplo recente dessa última foi o ato heroico de Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, nas escadarias da Catedral da Sé, onde uma mulher era mantida como refém. Francisco colocou sua vida em risco atacando o sequestrador, que atirou nele e foi morto pela polícia. Esse é um grande exemplo de masculinidade vindo de um morador de rua que morreu pela vida de alguém que não conhecia.

Há ainda um combate que não pode ser ignorado e que se faz obrigatório em certos casos: a resistência contra a tirania. Quando o Estado, que deve servir ao povo, faz do povo seus servos, há tirania. O resultado desse abuso é frequentemente perseguição e morte. Ninguém mais pode agir contra essa situação, se não os homens de bem, dispostos a lutar pela liberdade de seu povo. 


5. Conclusão

É dever de cada homem se sentir responsável, mesmo que de maneira limitada, pela própria vida e segurança, pela de nossas famílias e de inocentes. Nós quase sabemos disso quando escolhemos nossas brincadeiras infantis. Poucos meninos não gostam de brincar com armas, encenando guerras e se fazendo de super heróis. Preparar-se, capacitar-se e estar atento para agir na hora certa são atitudes inspiradoras. Esse dever, como os outros, toca na nossa natureza. Mesmo assim, isso é largamente ignorado nos dias de hoje, o que
exige mais ainda de nós.



Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:

2 comentários:

  1. Parabéns pelo blog encontrei buscando artigos traduzidos do Art of Manliness e estou gostando muito dos textos.

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    1. Que bom, Eran! O AoM foi uma grande inspiração para esse blog. Obrigado!

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