quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Solidão: força ou fraqueza?

"Um homem tem de estar livre de toda fiscalização externa para ter a certeza de que olha para si mesmo e não para um papel social - e só então ele pode fazer um julgamento totalmente sincero. Somente aquele que é senhor de si é livre - e ninguém é senhor de si se não agüenta nem olhar, sozinho, para dentro de seu próprio coração." (Olavo de carvalho. "Sem Testemunhas", O Globo, 22 de julho de 2000)


É inquestionável que sentir-se sozinho pode ser algo doloroso. Somos seres comunitários e sempre buscamos nos expressar; sentimos prazer e evoluímos compartilhando experiências, dores e conhecimentos com outras pessoas. A solidão, por que nos priva disso e nos mostra a nós mesmos, pesa como um castigo. Alguns seguem o instinto e procuram pessoas para fugirem dessa condição, evitando a dor e buscando o prazer do grupo. Não percebem que, assim, negam outra parte da nossa natureza: nós somos sozinhos e vamos nos sentir assim por muitas vezes, mesmo entre muitas pessoas. 

Como indivíduos, somos mais do que nosso exterior. Se alguém pergunta "quem é você?", obterá uma resposta baseada em características externas e distinções sociais, como "o padeiro", "o filho do pedro" ou "alguém que gosta de assistir filmes". Se a pergunta for "quem sou eu?", é normal  que a pessoa saiba que quem se é vai além das características externas. Quer dizer que nós somos muito mais do que apresentamos aos outros e sabemos disso, mas alguns de nós não lidam bem com essa parte mais profunda e pessoal, e isso leva à fuga da solidão.

Esses esquecem que homens em todas as épocas e lugares precisaram encarar as mais duras solidões. Soldados em guerras abandonaram suas famílias, pastores se calaram em horas de trabalho, viajantes atravessaram regiões inteiras sem companhia e nada disso foi fraqueza. Ao contrário, a solidão sempre foi uma oportunidade para força. Afinal, se você não pode enfrentar aquilo que é, não pode enfrentar mais nada. Para ser forte, um homem deve saber viver a solidão. Todos necessitamos desse trabalho interior. Não há como fugir disso.

O bom convívio consigo mesmo traz, entre outros benefícios, o silêncio humilde (que é antídoto para conversas vãs como a fofoca), domínio de si, conhecimento interior e resiliência. Além disso mata a dependência de aprovação, o comportamento de grupo e a vaidade.

Encarar a solidão, entretanto, não é o mesmo que desprezar pessoas injustamente ou fugir de responsabilidades com elas. É necessário viver essa condição com caridade ao próximo, compreendendo-se como individuo e não como alguém acima de todos e, por isso mesmo, destacado do resto.

Acrescente silêncio e contemplação à sua vida. Suporte-se, corrija-se e se restrinja. Só assim se pode crescer e vencer os próprios erros e vícios. Ninguém mais pode fazer isso por você. Você deverá conquistar sua liberdade sozinho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será bem vindo!