quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Os três deveres de todo homem 2: Paternidade

A primeira coisa que você deve saber sobre o dever da paternidade é que ele não é cumprido somente quando se tem filhos. Existem pais de muitos filhos que não cumprem esse dever e homens sem filhos que o cumprem. Quando nos referimos à paternidade, falamos de uma parte da condição masculina que envolve a capacidade para o papel de tutor, educador, guia e líder.


Todo homem tem a necessidade de liderar, guiar e tutorar; como um pai para um filho. Isso significa que um padre, que não pode formar uma família, ainda pode exercer a paternidade quando é um bom pároco. Significa também que o envolvimento de homens com a liderança - seja em empresas, comunidades ou instituições - está intimamente ligado a esse dever masculino.

Disso não se implica que todos os homens devem ser líderes comunitários, presidentes de empresas ou presidentes da república. Pelo contrário: Todo homem é chamado a guiar, liderar e tutorar - como um pai - mesmo um pequeno grupo, como uma família, sem que se perca em nobreza e responsabilidade.


1. Paternidade na família

A paternidade na família é grave por que essa é a comunidade por excelência. Todas as outras organizações e instituições humanas são formas de gerir as relações entre famílias e garantir a liberdade delas. Isso faz esse tipo de agrupamento o mais importante de todos. 

Qualquer família só pode ser reduzida aos indivíduos que a compõe. Estes têm entre si uma relação de hierarquia: Os pais regem a si e aos filhos, enquanto os filhos se submetem aos pais. Ao contrário do que parece pelo espantalho que fazem disto, a divisão de papéis na família não coloca a mulher em um plano inferior ao homem, mas sim num plano de parceria. Ao homem cabe assumir riscos, decidir e mobilizar; a mulher é sua auxiliar, colaboradora e beneficiária; uma sócia discreta atuando para o sucesso da família. Ela precisa estar submissa a ele e não criar conflito com suas decisões se quer ver qualquer sucesso. Digamos, para esclarecer melhor, que numa família o homem toma as decisões que envolvem a todos, mas não pode fazer isso sem a participação de sua esposa. Já a esposa, auxilia seu marido em suas decisões e não pode agir como "não colaboradora", o que significa cumprir as decisões feitas pelo homem com a sua participação. Isso nem se parece com uma relação de "senhor e escrava".

Pais também não são senhores de seus filhos. Ao contrário, seu dever é cuidar deles para que possam crescer como boas pessoas. Para isso os homens devem lhes prover bens materiais (dever que vamos falar na próxima postagem da série) e os educar da melhor forma.

Essa educação é essencial para a paternidade. Pais esperam que a escola eduque seus filhos. Na verdade a escola só existe para formar crianças em conteúdos básicos. Educação, que é o desenvolvimento de um ser humano, é papel exclusivo dos pais e das mães. Para os pais, pesam mais a atuação na imposição de limites, correção e transmissão da verdadeira masculinidade aos filhos homens. Repare: se seu filho precisa ouvir um "seja homem", deve ser de você, homem.

Mas entre pais e filhos também deve haver colaboração. Pais devem administrar a família visando também o crescimento saudável de seus filhos, enquanto os últimos devem aceitar as decisões de  seus pais, compreendendo que, antes de sua maioridade, são os seus responsáveis por decidir pelo seu bem.


2. Paternidade e autoridade

Ser pai de família é uma forma especial de paternidade, mas esse dever também se relaciona à administração e liderança de comunidades e instituições. O motivo da preferência de homens para serem os que se envolvem em questões políticas e administrativas está muito próximo ao motivo pelo qual homens são sempre os pais de uma família.

Estar em um cargo de liderança é se colocar em exposição para mobilizar pessoas a algum tipo de sucesso comunitário. Um líder deve ter voz firme (assim como um pai) e sabedoria para que isso ocorra. É necessário também que quem assuma essa responsabilidade esteja pronto para colocar sua vida em risco pelo bem do grupo. Os líderes entram na linha de frente, e isso é que faz com que mereçam respeito e obediência.

Esse papel pode ser deturpado, é óbvio, como  constantemente acontece. Homens de verdade que assumam um determinado poder para se sacrificar pelo bem de grupos e instituições sempre são necessários. Hoje, em meio a uma crise da masculinidade, sentimos que essa necessidade se faz ainda maior.

Assumir essa responsabilidade, entretanto, exige algo mais que ser um homem. É uma questão de vocação. Se política ou liderança de grupos não é para você, assuma sua família e trabalhe para ela.


3. Paternidade e indivíduo

O dever da paternidade também envolve uma atitude masculina de independência e autossuficiência. Ser capaz de tomar suas próprias decisões, segurança, capacidade de ficar sozinho e coragem capacitam você a viver uma "liderança de si", que é condição para liderança de qualquer outra coisa.

Essa independência também envolve educação. O processo de educação nunca ocorre sem a ação do indivíduo. Ela sempre é, de certa maneira, uma "auto-educação". Isso quer dizer que, esteja você em um curso, escola ou faculdade; nunca deixe sua educação nas mãos de alguém. Você deve ter as rédias desse processo em suas mãos.


4. Servilismo

Toda a idéia do dever de paternidade vai de encontro a ambição de alguns homens de viverem como se não fossem chamados a tomar decisões e atitudes, mesmo que em relação a própria vida. Isso é chamado de servilismo, um comportamento covarde que leva a uma forma dependente de viver.

Mesmo alguns homens em guerras, que eram submissos e estavam prontos para morrer pela vitória a qualquer hora, lutavam pela própria liberdade e de suas famílias ativamente. Isso mostra que o espírito servil não é apenas um ato de submissão qualquer, pois participar de uma hierarquia é natural. Esse espírito se define pela ausência de decisão e liderança de forma generalizada.

O servilismo também não é um sintoma de simples preguiça e moleza. Quando alguém age nesse espírito, o faz de maneira ativa e muitas vezes irascível. O homem de atitude servil está constantemente a espera de estímulos e ordens externas de grupos e autoridades, mesmo que elas cheguem na forma de pressão social. Respeito humano, bajulação, covardia e atitude defensiva são as formas clássicas de manifestação dessa atitude emasculada.

Esse é certamente o pior sintoma da falta da paternidade. O crescimento do servilismo é a morte da paternidade e a paternidade é o remédio ao servilismo. 


5. Conclusão

Fugir do seu dever de estar preparado para a paternidade e de ser um pai quando necessário, te leva ao servilismo, inação ou egoísmo. Todo homem é chamado a contribuir com a liderança, acrescentando coisas boas ao mundo através de mobilizações e decisões, ou ainda com grandiosos pequenos feitos, como ter um filho.





Essa postagem faz parte da uma série sobre os três deveres de todo homem. Veja as outras postagens:


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