sábado, 18 de abril de 2015

A Saúde dos Homens Antigos 1: O que saúde já quis dizer


"Toddy é gostoso, fortifica e é econômico"

Ao assistir essa antiga propaganda de chocolate em pó de 1958, ficam claras duas coisas: a) As propagandas da época eram muito engraçadas; e b) Os valores sobre alimentação e saúde eram bastante diferente dos nossos atuais.

Qualquer publicitário, mesmo o do fim da década de 50, sabe que deve passar para o público os pontos que lhes interessam. Na propaganda, tudo gira em torno de Economia, Prazer e Saúde. Ao abordar esse último ponto, o comercial deixa em relevo os interesses da época sobre o assunto, os quais usava para convencer seus possíveis compradores. Não importa se o que é dito no vídeo está certo, se o achocolatado realmente era mágico. O fato é que ele prometia algo que as pessoas procuravam. Fica bem claro o que as pessoas buscavam como saúde, o que algo saudável era para eles e que aspectos apresentava alguém que alcançava o ideal nesse sentido. 

Entender essa preocupação com a saúde de outros tempos nos dá algo para pensar: o que mudou, nessa área? Quem esta correto? O que posso aprender com os antigos?

Comecei essa série de artigos sobre o assunto com a intenção de te fazer pensar sobre a sua saúde, como um homem. Não sou um especialista no assunto, mas pesquiso o que posso para buscar uma saúde melhor para mim mesmo. Isso quer dizer que você pode discordar de mim, mas pode também considerar o que é aqui colocado.

Essa série é dividida em 3 postagens, sendo esta mesma a primeira:

- O que saúde já quis dizer;
- Uma reflexão sobre comer;
- O corpo em atividade.

Nesses três artigos espero esclarecer a importância de uma reconsideração sobre o que é saudável para você. Comecemos com nossa introdução.




1. Quem são os antigos?

O pensamento sobre saúde de seus avós, ou mesmo o da propaganda de 1958, é o de outras épocas atrás. Só muito recentemente mudamos nossos referenciais de boa alimentação e saúde. Esta não é uma visão que cada época tem do assunto, é uma única mudança, agora. Então, quando falamos de aprender com os antigos, incluímos diversas épocas que variaram muito pouco a forma de enxergar esse ponto entre si.

É claro que essa é uma visão local. Existem exceções para isso, principalmente fora do ocidente. Mas na sua base, o padrão não sofre mudanças radicais de lugar para lugar. Veja que os ideais de saúde orientais só se diferenciam dos ocidentais em aspectos e prioridades, de forma geral.






2. Quem é e quem era saudável

Como já está certo, o padrão de saúde em outro tempo é estranho para nós. Os pontos que indicavam um homem saudável eram:
  • Força física (não necessariamente músculos).
  • Inteligência.
  • Bom aspecto, beleza.
  • Robustez (não é exatamente ser uma pessoa cheia,  mas certamente era melhor não ser magro).
  • Resistência a doenças.
  • Vida longa

Como comparação, hoje temos como saudável alguém que apresente:
  • Músculos.
  • Magreza (não necessariamente pele e osso, mas não ser gordo).
  • Resistência física.

Sempre de forma geral, a saúde é ainda mais avaliada por ações quase simbólicas. O saudável é aquele que não contradiz os pontos acima e ainda faz academia, não fuma, come comidas leves, participa de corridas, etc.



3. Saúde de ontem e de hoje.




A mudança nessa área, do passado para os dias de hoje, pode ser explicada pela valorização da ciência como critério de verdade, unida a uma preocupação excessiva pelo corpo a partir da segunda metade do século XX. Não é mais necessário ser saudável para viver melhor, trabalhar com mais eficiência e evitar doenças. A busca por saúde se tornou uma busca por um modo de vida ideal, e tinha como fim um culto ao corpo.

Nesses passos, cada vez mais o cuidado com a própria saúde se tornou uma obrigação social, fiscalizada pelos próximos e penalizada com a vergonha pública. É fácil entender isso quando se repara no tratamento da mídia aos famosos "fora de forma".

Todas as formas de alcançar essa saúde "para os outros" estão sendo influenciadas por uma ciência midiatizada. Pesquisas científicas interpretadas por meios de comunicação são criadoras de todo senso comum que rege os indivíduos na busca por uma vida saudável, no sentido moderno do termo.

Não é nem preciso dizer que não é disso que fala a propaganda de achocolatado. No passado os critérios para boa saúde estavam em resultados físicos. Uma pele ruim não poderia ser sinal de saúde, porque uma pele ruim significa que existem problemas no corpo. Um homem fracote não poderisa ser assim tão saudável, porque estava limitado a não cumprir o potencial que seu corpo tem para oferecer. Esses exemplos ilustram como nunca buscávamos cumprir uma meta social, mas aumentar nossas capacidades e possibilidades.

Os critérios para manter a saúde dos nossos antepassados, como já vimos, também mudou dramaticamente. Não havia uma preocupação exagerada por cumprir atividades saudáveis. Ao contrário, muito pouco da rotina dos homens era afetada para manutenção da saúde. Procurava-se viver bem, comer bem e não se destruir. Convenhamos que isso era mais fácil nesses tempos, em que atividades físicas eram normais, comidas de qualidade eram comuns e venenos não eram vendidos em mercearias de bairro como alimentos.



4. Devemos voltar às raízes? Como?

Com dois modelos de saúde que apresentam um abismo entre si, devemos nos perguntar: Que devo buscar? Apesar das futilidades dos dias de hoje, no que acertamos?

Meu conselho é que você aproveite o conhecimento (em pesquisas, não interpretações midiáticas) e os recursos dos dias atuais, mas não se deixe iludir por ideais fúteis e ilusórios. Ao mesmo tempo, conheça e avalie a saúde buscada pelos seus avós. É um antigo conhecimento de qualidade de vida e força que produziu grandes homens. Tínhamos Atilas, Alexandres e Aquiles como modelos, hoje temos o Drauzio Varella.


Nas próximas postagens irei abordar COMO você pode repensar sua rotina e seus objetivos conhecendo melhor os hábitos dos antigos. Começaremos com a alimentação e passaremos para as atividades físicas. 

Até lá, já esqueça as saladinhas de enlatados.

Veja outras postagens dessa série:
Uma reflexão sobre comer;
- O corpo em atividade.

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